Centenas de imigrantes, em frente ao parlamento, pedem “documentos para todos”

Imigrantes protestam durante a manifestação nacional, organizada pela Associação Solidariedade Imigrante e pelo coletivo de imigrantes que organizou o último protesto frente ao Centro de Instalação Temporária, no Porto, para reivindicar o direito a documentos e ao reagrupamento familiar, a libertação dos imigrantes detidos em “centros de instalação” sem terem cometido qualquer crime, e respeito, dignidade e justiça, frente à Assembleia da República, em Lisboa, 17 de setembro de 2025. A manifestação decorre no dia em que são retomados os debates na Assembleia da República sobre as leis da imigração e da nacionalidade. MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Várias centenas de pessoas, sobretudo imigrantes, estão esta tarde concentradas em frente à Assembleia da República, em Lisboa, para pedir direitos e “documentos para todos”.

A concentração, promovida pela associação Solidariedade Imigrante, foi marcada para as 14:00 e a essa hora, sob intenso calor, alguns manifestantes iam distribuindo águas.

Muitos ainda continuam a chegar e várias centenas de pessoas ocupavam, às 14:15, a zona em frente ao parlamento, sentadas e entoando palavras de ordem como “documentos para todos”.

Associação

“Estamos a assistir a uma série de arbitrariedades e injustiças para com os imigrantes, nomeadamente a perseguição aos imigrantes, como se se tratassem de criminosos”, disse à Lusa um dos organizadores do protesto.

De acordo com Timóteo Macedo, da associação Solidariedade Imigrante, em causa está a detenção de dezenas de imigrantes em centros de detenção temporária, sem que tenham cometido algum crime, mas apenas por constarem na lista do Sistema de Informação Schengen por terem estado noutro estado-membro da União Europeia antes de chegarem em Portugal.

“Isso não é crime nenhum. Quem comete ilegalidade neste aspeto é o Estado português”, acusa.

Em comunicado, a Solidariedade Imigrante fala ainda num “clima de intimidação sobre quem trabalha e contribuí para este país, inseridos no mercado de trabalho há vários anos e em setores de atividade em que Portugal tem várias carências”.

Referindo-se às alterações que o Governo pretende introduzir às leis de estrangeiros e da nacionalidade, a associação considera que o executivo “dá um mau exemplo” nas políticas de acolhimento e integração.

“Dá um mau exemplo ao não se opor claramente contra quem ameaça não cumprir e não respeitar as recomendações do Tribunal Constitucional no que se refere ao retrocesso da Lei de Imigração e em breve a Lei da Nacionalidade”, acrescenta o comunicado.

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