CEiiA e instituto do Pará firmam parceria para inovação científica e tecnológica entre Brasil e Portugal

Foto divulgação

Durante a programação da Tech Zone, realizada no complexo da COP 30, o Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, em Belém do Pará, e o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Portugal (CEiiA) firmaram um compromisso de cooperação científica e tecnológica, reforçando o início de uma colaboração estratégica entre Brasil e Portugal, com foco em pesquisa aplicada, inovação e sustentabilidade. 

Participaram da cerimônia de assinatura do acordo, nesta quinta feira (13), representantes da CeiiA, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet) e da Fundação Guamá, instituição que faz a gestão do complexo de inovação paraense. O titular da secretaria, Victor Dias, destacou o compromisso do Pará em construir uma ciência conectada às demandas socioambientais da Amazônia.

“Esse movimento fortalece o PCTGuamá como um ambiente estratégico de inovação, pesquisa aplicada e negócios voltados à biodiversidade, impulsionando o desenvolvimento do Vale da Biotecnologia e ampliando as oportunidades de integração entre conhecimento científico e crescimento sustentável. Vivemos um momento singular, o Pará se consolida como referência nacional e internacional em biotecnologia e bioeconomia”, disse Victor Dias.

A parceria tem como objetivo promover o desenvolvimento conjunto de projetos científicos e tecnológicos de alta intensidade, com destaque para tecnologias espaciais, robótica, inteligência artificial e big data. As iniciativas serão direcionadas nos eixos temáticos: Clima, florestas e serviços de ecossistemas; Clima e saúde; Cidades inteligentes, mobilidade sustentável e cadeias logísticas associadas.

Para o governo do Pará, a iniciativa terá duração de três anos e reforça o papel do PCT Guamá como polo de inovação na Amazônia, fortalecendo o compromisso das instituições com o desenvolvimento sustentável e a transição para uma economia de baixo carbono. O acordo prevê ainda a realização de projetos especiais voltados ao fortalecimento do empreendedorismo, à formação de profissionais e à promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Para Gualter Crisóstomo, diretor executivo do Digital Innovation Hub do CEiiA, “a parceria é um incentivo para em conjunto, aproveitando e potencializando as competências de cada parceiro, podermos desenvolver conhecimento, produtos e serviços que podem responder a desafios da Amazônia e que também são globais”.

Conhecimento para proteger a Amazônia

Um dos focos da cooperação será a criação de sistemas inteligentes de monitoramento ambiental e de planejamento climático, utilizando inteligência artificial e dados de observação da Terra. As ações incluem o mapeamento do uso e ocupação do solo, a análise dos serviços ecossistêmicos, a modelagem e previsão de cenários climáticos, além de pesquisas aplicadas à conservação da biodiversidade amazônica. Outra área de trabalho pretende gerar ferramentas que auxiliem gestores e profissionais a antecipar riscos e proteger populações vulneráveis, com iniciativas de capacitação técnica de profissionais de saúde e defesa civil e o desenvolvimento de sistemas de previsão de impactos climáticos.

A parceria com o PCT Guamá também propõe o desenvolvimento de soluções inovadoras para mobilidade urbana e logística sustentável, incluindo projetos de redução de emissões de carbono no transporte urbano e novos modais de mobilidade, aproveitando rios, lagos e rotas intermunicipais. A proposta é envolver universidades, empresas e parceiros estratégicos de seus ecossistemas, nacionais e internacionais, no desenvolvimento e implementação dos projetos.

“Esse acordo representa uma ação estratégica em relação a internacionalização do parque e do sistema de inovação do estado, especificamente a ação de alta intensidade tecnológica, que é o caso do CEiiA, eles têm expertise em diversos segmentos tecnológicos, como a área espacial, então a gente está induzindo essa parceria focada na criação de startups com serviços de alta intensidade associada a uso de dados satelitais. É importante dizer que a gente está trazendo recursos da Europa, vamos fazer um plano de trabalho, começar com uma visita na unidade deles e definir ações específicas com relação a esse acordo”, reforçou João Weyl, diretor-presidente da Fundação Guamá.

Durante os debates na TechZone, representando CEiiA de Portugal, Crisostomo apresentou o potencial do uso de tecnologias espaciais para o monitoramento ambiental e a gestão dos recursos hídricos na Amazônia ao público presente.

“Apresentamos as competências do CEiiA na área da tecnologia espacial e como ela pode ajudar a Amazônia a tornar-se mais sustentável, na utilização da floresta, da agricultura e da água. Mostramos como o uso de imagens de alta resolução, aliado às competências locais — como as existentes em Belém e na UFPA —, pode gerar aplicações e serviços capazes de responder aos desafios regionais. Ao integrar o conhecimento tradicional com a inteligência dos satélites, podemos apoiar políticas públicas, fomentar novas pesquisas e criar um ecossistema de inovação que beneficie empreendedores e comunidades”.

A Techzone segue até esta sexta-feira (14), reunindo pesquisadores, gestores públicos e representantes de instituições nacionais e internacionais para discutir o papel da ciência e tecnologia amazônica na transição para uma economia sustentável.

Ministra de Portugal

Também hoje a ministra portuguesa do Ambiente e Energia foi anunciada como a negociadora europeia para a área da tecnologia na 30.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP30), avançou a agencia Lusa.

Segundo um comunicado do Ministério do Ambiente e Energia (MAEN), Maria da Graça Carvalho foi designada pela presidência dinamarquesa da União Europeia (UE) e a decisão foi tomada no âmbito da articulação interna da UE para a preparação da Conferência.

A decisão “reflete um consenso alargado entre os Estados-Membros quanto à experiência da ministra portuguesa nas áreas da ciência, inovação e políticas climáticas e o seu percurso como negociadora internacional nas áreas do clima”, indica o comunicado do Ministério.

Com a nomeação, precisa o MAEN, Maria da Graça Carvalho integra o núcleo de negociadores mandatados para representar a posição dos 27 Estados-Membros nas discussões relativas a tecnologias de mitigação e adaptação, financiamento tecnológico, mecanismos de transferência de tecnologia, cooperação com países em desenvolvimento e instrumentos de apoio à inovação climática.

“A tecnologia é um dos pilares decisivos para acelerar a ação climática global e para garantir que todos, sobretudo os mais vulneráveis, têm acesso a soluções eficazes e acessíveis. Na COP30, trabalharei com determinação para que a Europa fale a uma só voz e para que construamos compromissos ambiciosos, realistas e baseados no conhecimento científico”, disse a ministra, citada no comunicado.

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