A Câmara de Castelo Branco celebrou um protocolo com a gestão do Porto de Cabedelo, no estado da Paraíba, nordeste brasileiro, que visa a criação do projeto de um porto seco naquela cidade portuguesa.
“Esta parceria visa criar uma ligação logística para o desalfandegamento e distribuição de mercadorias provenientes do Atlântico (América Latina e países africanos de língua portuguesa) com destino ao mercado europeu”, explicou, em comunicado, a Câmara de Castelo Branco.
O protocolo de cooperação foi assinado durante a realização de uma recente missão institucional ao Brasil, no âmbito do processo de consolidação da estratégia de projeção internacional e atração de investimentos para Castelo Branco e do estreitamento de relações bilaterais com a cidade de João Pessoa.
Em julho, a Câmara de Castelo Branco manifestou interesse junto do Governo português para instalar no concelho uma das seis novas áreas de localização empresarial previstas no âmbito do Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR).
Para o efeito, o presidente do município, Leopoldo Rodrigues, reuniu com o presidente do porto de Lisboa, Vítor Caldeirinha, a quem apresentou uma proposta para fazer em Castelo Branco um porto seco, em ligação com Lisboa, Setúbal e Sesimbra.
O protocolo de cooperação agora assinado com a gestão do Porto brasileiro de Cabedelo junta-se ao interesse já manifestado pelas administrações dos Portos de Lisboa e de Setúbal, cujos protocolos também vão ser formalizados em breve.
Segundo Leopoldo Rodrigues, a proposta “prevê que o concelho funcione como entreposto internacional no Interior do país, aproveitando a sua localização geopolítica estratégica junto à fronteira com Espanha para servir de plataforma de distribuição transfronteiriça e europeia, utilizando os portos marítimos portugueses de Lisboa e de Setúbal como portas de entrada no continente”.
Durante a visita institucional, o presidente da Câmara de Castelo Branco conheceu ainda as soluções digitais de gestão pública implementadas na cidade brasileira, com particular destaque para a aplicação móvel “João Pessoa na Palma da Mão”.
Paralelamente, reuniu no Centro Administrativo Municipal com o prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra, num encontro focado no reforço do estatuto de ambas as cidades enquanto Cidades Criativas da UNESCO na categoria de Artesanato e Arte Popular.
A iniciativa visou impulsionar a promoção e valorização do Bordado de Castelo Branco no mercado brasileiro através do intercâmbio cultural e da realização de exposições recíprocas para partilha de saberes e experiências.
ENcontro
“João Pessoa avançou muito nos últimos anos, em todas as áreas, por isso tem chamado atenção de outras administrações. Discutimos aqui a possibilidade de fazermos intercâmbios culturais, realizar eventos e exposições naquilo que as duas cidades têm um potencial enorme, que é o artesanato, a arte e cultura popular. Foi só o primeiro passo, tenho certeza que em um próximo encontro já teremos ideias sendo colocadas em prática”, projetou o prefeito de João Pessoa.
Leopoldo Rodrigues, presidente municipal de Castelo Branco, que possui uma população de 52 mil habitantes, parabenizou o prefeito Leo Bezerra pela visão e pelas diversas iniciativas, citando ‘João Pessoa na Palma da Mão’ que, segundo o gestor português, “é uma ferramenta notável, que pretendemos implementar em Castelo Branco”, assegurou.
“O motivo é claro: o aplicativo estreita a proximidade com os cidadãos e permite o acompanhamento em tempo real das demandas municipais, garantindo respostas ágeis. O dever primordial de um representante público é atender às necessidades da comunidade; nesse sentido, considero a solução tecnológica apresentada de grande valor”, destacou Leopoldo Rodrigues.
Em relação a futuras parcerias entre as duas cidades, o gestor português falou em cooperação internacional. “Vislumbramos oportunidades valiosas de parceria entre Castelo Branco e João Pessoa. Como ambas são reconhecidas pela Unesco como Cidades Criativas no Artesanato, nossa colaboração terá este setor como ponto de partida. Pretendemos promover intercâmbios culturais, realizando exposições recíprocas para compartilhar saberes e experiências”, afirmou.




