Caso gêmeas: BE diz que credibilidade do SNS está em causa e pede sanções

Foto ESTELA SILVA/LUSA

Da redação com Lusa

A coordenadora do BE, Mariana Mortágua, pediu hoje sanções no caso das gémeas tratadas no Hospital Santa Maria considerando que está em causa a credibilidade do SNS, e sustentou que o Chega “quer espetáculo” com o inquérito parlamentar.

À margem da ação de luta “Defender o SNS, cumprir Abril”, que decorreu junto ao Ministério da Saúde, em Lisboa, Mariana Mortágua foi questionada pelos jornalistas sobre o relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) que concluiu que o acesso à consulta de neuropediatria das gémeas luso-brasileiras tratadas no Hospital Santa Maria com um medicamento de milhões de euros foi ilegal.

“O caso do Santa Maria é um caso grave, o acesso ao SNS é preciso fazer-se segundo regras e não segundo cunhas. Não devem ser os contatos pessoais, o poder de alguém, o fato de ter acesso a algum membro de um órgão público que determina o acesso ao SNS”, defendeu.

De acordo com a líder do BE, tendo a investigação chegado a conclusões é preciso agora que o parlamento tenha acesso a elas – o partido já deu entrada de um requerimento com esse objetivo -, mas é fundamental que “dessas conclusões saiam também consequências”.

“Desde logo consequências disciplinares, que podem acontecer desde já tendo em conta as conclusões do relatório, e depois consequências criminais que é o que resultará da avaliação do Ministério Público que já está na posse do documento”, enfatizou.

Para a Mariana Mortágua, “este não é só um caso de influência que envolve a Presidência da República e o Governo”, mas sim um caso “de defesa do SNS e da sua credibilidade”.

“A credibilidade dos serviços públicos é garantida pela qualidade do serviço que prestam, isso não está em causa, mas é garantida também porque os cidadãos sabem que o seu acesso é igual e é feito de forma justa. Não pode ser conhecimentos, a lista telefónica, o poder ou o dinheiro que condicionam o acesso ao SNS”, defendeu.

Questionada sobre a comissão de inquérito anunciada na véspera pelo Chega a este caso polêmico, a líder do BE respondeu que “o que é importante agora é que a Assembleia da República conheça esse relatório” e que haja “sanções disciplinares e sanções criminais caso o Ministério Público entenda que deve fazer uma acusação”.

“Uma comissão de inquérito neste cenário só iria arrastar a tomada de consequências, as sanções disciplinares e o próprio processo criminal. O Chega com esta proposta não quer justiça, quer espetáculo e o espetáculo não faz justiça”, criticou.

Nas conclusões do relatório da inspeção, divulgadas na quinta-feira, a IGAS refere que “não foram cumpridos os requisitos de legalidade no acesso das duas crianças à consulta de neuropediatria” uma vez que a marcação da consulta não cumpriu a portaria que regula o acesso dos utentes ao Serviço Nacional de Saúde.

A IGAS concluiu ainda que a prestação de cuidados de saúde às crianças decorreu “sem que tenham existido factos merecedores de qualquer tipo de censura”.

O ex-secretário de Estado António Lacerda Sales, de acordo com o contraditório do relatório, criticou a IGAS por ter dado menos valor à sua palavra do que à da sua secretária pessoal, que contactou o Hospital de Santa Maria para agendar a consulta das gémeas.

O caso das duas gémeas residentes no Brasil que adquiriram nacionalidade portuguesa e receberam em Portugal, em 2020, o medicamento Zolgensma, com um custo total de quatro milhões de euros, foi divulgado pela TVI, em novembro, e está ainda a ser investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

Países Africanos, FMI, Banco Mundial e o Sistema da Dívida

Por José Menezes Gomes Esse artigo pretende abordar como países distantes geograficamente, que aparentemente teriam características diferentes poderiam ter algo em comum com grande impacto sobre suas dimensões econômicas e sociais. Recentemente enviei um artigo, que tratava da divida pública

Leia mais »