Banco de Portugal revê em alta crescimento da economia para 2,3% este ano e 1,8% em 2027

O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, durante conferência de imprensa de apresentação do Boletim Económico (março 2026), no Museu do Dinheiro, em Lisboa, 25 de março de 2026. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

 O Banco de Portugal (BdP) reviu hoje em alta a previsão de crescimento da economia portuguesa para 2,3% este ano e 1,8% em 2027, no Boletim Económico de outubro.

Estas projeções reveem em alta as divulgadas pela instituição em junho para 2026 (0,5 pontos percentuais) e 2027 (0,2 p.p.), e são também mais otimistas do que o Governo, que em abril apontou para um crescimento de 2% este ano.

O banco central estima que o Produto Interno Bruto (PIB) português deverá acelerar em 2026, “impulsionado pelos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), pelas medidas orçamentais e por um desempenho mais positivo das exportações”.

Segundo as projeções da instituição, a composição do crescimento deverá alterar-se, “com uma redução do contributo do consumo privado e um maior contributo das exportações”.

Já o rendimento real das famílias “deverá abrandar, refletindo a desaceleração das remunerações e, em 2026, também o impacto da subida não antecipada dos preços”.

A previsão do banco central é que a inflação atinja os 3,1% este ano, abrandando para 2,4% em 2027 e 2,0% em 2028.

Inflação

A inflação em Portugal deverá atingir os 3,1% este ano, abrandando depois em 2027, segundo as previsões divulgadas hoje pelo Banco de Portugal (BdP).

No Boletim Económico de outubro, o banco central prevê que a inflação deverá aumentar para 3,1% em 2026 e diminuir nos anos seguintes para valores próximos da estabilidade de preços (2,4% em 2027 e 2,0% em 2028), “beneficiando da dissipação dos efeitos do choque energético e da moderação dos custos laborais”.

“Esta evolução está em linha com a projetada para a área do euro e com os valores divulgados no Boletim Económico de junho”, completa o BdP.

Já no que diz respeito ao mercado de trabalho, a instituição acredita que a situação “permanecerá favorável”, mas antevê um “crescimento menos acentuado do emprego, num contexto de fluxos migratórios inferiores aos observados em 2021–2024”.

Assim, a estimativa é de que o emprego deverá aumentar 1,7% em 2026, 0,7% em 2027 e 0,3% em 2028, enquanto a taxa de desemprego deverá situar-se em 5,6%.

Excedente

 O governador do Banco de Portugal (BdP) admitiu hoje que não ficaria surpreendido se se registasse um excedente orçamental este ano e também no próximo.

Álvaro Santos Pereira disse, na apresentação do Boletim Económico de outubro, em Lisboa, que não ficaria surpreendido com um excedente orçamental, considerando ainda que “há condições” para no próximo ano também se verificar, ou perto disso.

Este boletim não tem previsões orçamentais, mas o responsável sinalizou que a economia cresce mais do que o previsto e há mais receita fiscal, o que permite antever este desempenho.

Ainda assim, o governador sinalizou que é fundamental “manter a prudência orçamental”, nomeadamente para continuar a reduzir dívida pública, que “continua a ser alta”, e para controlar o crescimento da despesa.

Quanto às regras orçamentais europeias, Santos Pereira assumiu que a despesa pública está a crescer, mas ressalvou que desde que Portugal continue a um manter excedente orçamental ou perto disso até 2028, “não vai haver necessidade de fazer ajustamentos” porque continua a cumprir a regra relativa aos procedimentos por défice excessivo.

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