Por Emídio Tavares Para Mundo Lusíada Online
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Não poderia ter sido mais triste a despedida de terra de Camões do homem que revolucionou o futebol português e trouxe de volta à pátria lusa o sentimento de patriotismo, há muito tempo esquecido pelos portugueses, desde a revolução dos cravos. Portugal enfrentou na quinta-feira, 19 de junho, a não tão favorita quanto em outros tempos, Alemanha, e embora tenha conseguido a posse de bola durante a maior parte dos 90 minutos e o maior número de chutes a gol, sucumbiu nas bolas paradas e nas falhas da defesa; que desde o início deixava a desejar com o lateral Paulo Ferreira, e com os altos e baixos do goleiro Ricardo. Mesmo criando chances de gol antes dos alemães, a seleção das cinco quinas pecava nas conclusões, como aconteceu aos 19 minutos quando João Moutinho perdeu grande oportunidade de abrir o placar chutando por cima do gol dos alemães. Aos 21 minutos Klose aproveitou a fragilidade dos laterais portugueses, e avançou cruzando rasteiro para a antecipação do atacante de Schweinsteiger, que chegou primeiro do que Paulo Ferreira e concluiu para as redes de Ricardo. Aos 26, nova bobeira da zaga lusa, quando deixou Klose subir sozinho de cabeça e ampliar o placar, após cobrança de falta para a área executada por Schweinsteiger. Aos 40 minutos, após bela jogada pela ponta esquerda de Cristiano Ronaldo e rebote do goleiro Lehman, Nuno Gomes descontou para Portugal; que ainda poderia ter conseguido um empate nos instantes finais da primeira etapa, se a bola chutada por Cristiano Ronaldo, em jogada característica do craque entrando da ponta para o meio da área, não tivesse saído tão rente a trave. Para a etapa final, Portugal voltou motivado e acuando os alemães no campo de defesa. Mas novamente, em outro lance de bola parada, a defesa lusa ficou olhando o mesmo Schweinsteiger cruzar na área para, desta feita, Ballack subir sozinho, aproveitando a hesitação de Ricardo, e decretar o terceiro gol alemão aos 16 minutos. Portugal tinha, além de uma defesa nervosa e desatenta, um Cristiano Ronaldo que sentiu o placar e foi figura apagada nos 45 minutos complementares. Mesmo assim, a seleção de Scolari detinha um bom toque de bola e conseguia entrar na área adversária, mas sem sucesso nas conclusões. Por isso mesmo é que o segundo gol luso só aconteceu a 3 minutos do final do jogo, quando Helder Postiga concluiu de cabeça um cruzamento de Nani. Despedida Os minutos finais foram de pressão total, porém desta feita a seleção das cinco quinas ficou pelo caminho, com os alemães antecipando o adeus de Portugal e Scolari, que voltam para casa mais cedo, mas agora com destinos diferentes. Desta despedida triste, tira-se uma conclusão endossada por Eusébio: a seleção ficou longe daquela que foi vice-campeã européia em 2004 e 4ª colocada no Mundial de 2006. Mas a Federação Portuguesa de Futebol, na pessoa de seu presidente Gilberto Madail, pode ter uma grande culpa nisso. Primeiro, por não ter aceitado sugestão para renovação contratual de Scolari, proposta pelo próprio e por um período de 4 anos, logo ao término da Euro 2004. Depois por novamente recusar outra sugestão de renovação contratual, até a Copa de 2010, logo ao término da Copa de 2006, quando a seleção alcançou honrosamente a 4ª colocação. Isto pode ter gerado uma insegurança em todo o grupo, que confiava no seu timoneiro, e ficou abalada ao saber que Scolari iria para o Chelsea ao final desta Euro. E ainda, associado ao mal estar que já vinha se arrastando desde que Scolari se atritou com um jogador adversário, ao final de uma partida pela fase classificatória da Eurocopa, e desagradou Madail a ponto do dirigente pensar na rescisão contratual com o brasileiro, por ocasião do ocorrido.
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