Aeroporto Luís de Camões custará entre 7,9 e 8,9 mil ME e abrirá a partir de 2037

Mario Cruz/Lusa

O novo Aeroporto Luís de Camões deverá representar um investimento entre 7,9 mil milhões e 8,9 mil milhões de euros, a preços de 2024, segundo o relatório técnico divulgado quarta-feira.

O intervalo agora apresentado atualiza a estimativa avançada pela ANA em 2025 no relatório preliminar, que apontava para um investimento de 8,5 mil milhões de euros.

A construção deverá começar em 2029 e ficar concluída até 2033, de acordo com o calendário que acompanha os documentos.

Após os trabalhos de testes e certificação, a abertura do novo aeroporto está prevista a partir de 2035, antecipando também o prazo anteriormente previsto que apontava para meados de 2037.

O Aeroporto Luís de Camões ficará a cerca de 20 minutos do centro de Lisboa por ferrovia, segundo o plano apresentado, que prevê a abertura da linha de alta velocidade e da ligação dedicada ao aeroporto em 2034.

A nova estação será servida por quatro linhas e três plataformas, com ligações diretas de longo curso a várias regiões do país, anunciou o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, durante a sessão “Expansão e modernização do sistema aeroportuário nacional: ligar Portugal ao Mundo”, que decorreu no Centro de Congressos e Reuniões do Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

A estimativa oficial aponta para 20 milhões de passageiros por ano a viajar de e para o aeroporto através de serviços ferroviários.

“O Aeroporto Luís de Camões será servido por uma ligação ferroviária de alta velocidade, com um serviço shuttle direto ao centro de Lisboa em cerca de 20 minutos, através da Terceira Travessia do Tejo”, detalhou a concessionária.

O plano prevê também ligações diretas de longo curso a várias regiões do país e uma redução de cerca de 30 minutos nos tempos de viagem para o Algarve e o Alentejo.

Na apresentação, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, destacou o cumprimento do calendário definido para o projeto.

“Estamos completamente a tempo daquilo que era o plano inicial”, afirmou, sublinhando também a transparência na divulgação das várias etapas.

Ao nível rodoviário, estão previstos 250 quilómetros de novas estradas e mais de 50 quilómetros de requalificação da rede existente.

Entre as intervenções projetadas estão ligações das estradas nacionais 4, 10 e 119 ao aeroporto, a ligação da A33 à A12 e à A13 e o IC13 entre o aeroporto, Ponte de Sor e Alter do Chão.

A rede deverá responder a um movimento diário estimado de 65 mil veículos ligeiros e cerca de dois mil veículos pesados.

O projeto inclui ainda a requalificação da Estrada Nacional 4, a duplicação da EN118 e a beneficiação da EN119, com o objetivo de reforçar as ligações entre os municípios das duas margens do Tejo.

Novo aeroporto

Com capacidade prevista para 56 milhões de passageiros por ano na abertura, a nova infraestrutura deverá poder desenvolver-se até aos 85 milhões de passageiros anuais.

O projeto prevê duas pistas na fase inicial, 64 portas de embarque, 72 pontes de embarque em contacto e um terminal de passageiros com cerca de 500 mil metros quadrados.

“Sonhámos durante 50 anos com um novo aeroporto e hoje estamos a cumpri-lo”, afirmou o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.

Este é o terceiro documento entregue pela concessionária no âmbito da preparação da candidatura ao Aeroporto Luís de Camões, depois do relatório de consultas, apresentado em julho de 2025, e do relatório preliminar do estudo ambiental, entregue em janeiro deste ano.

A ANA prevê ainda entregar até ao final de julho à Agência Portuguesa do Ambiente o Estudo de Impacto Ambiental, com quase cinco mil páginas.

A concessionária prevê financiar o projeto em cerca de sete mil milhões de euros através da emissão de dívida e propõe um aumento progressivo das taxas aeroportuárias no Aeroporto Humberto Delgado entre 2026 e 2030.

O relatório estima que a construção do aeroporto custará entre 7,9 mil milhões e 8,9 mil milhões de euros, a preços do quarto trimestre de 2024. Este intervalo substitui o valor único de 8,5 mil milhões de euros apresentado no relatório preliminar, que tinha como base preços de 2023.

O valor de 8,9 mil milhões corresponde à estimativa de referência elaborada pela consultora AECOM, enquanto os 7,9 mil milhões representam a meta de redução que a ANA pretende alcançar através da revisão das soluções técnicas e de medidas de otimização de custos.

Segundo o documento, o limite inferior traduz uma redução superior a 10% face à estimativa da AECOM e fica abaixo dos 8,5 mil milhões calculados no relatório inicial.

A nova avaliação foi feita com base em quantidades e preços mais detalhados, incluindo os contratos de construção, os custos de desenvolvimento, gestão e supervisão suportados pela concessionária e provisões para riscos e contingências.

Ainda assim, os 8,9 mil milhões de euros não constituem necessariamente um teto definitivo.

A própria ANA admite que os custos poderão continuar a subir devido à inflação na construção, às incertezas geopolíticas, à pressão sobre as cadeias de abastecimento e à volatilidade dos mercados.

O orçamento deverá voltar a ser atualizado em janeiro de 2027, quando a concessionária apresentar o relatório financeiro.

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