Obra da Fiocruz sobre Saúde e Hospitais Beneméritos Brasil-Portugal é lançada em Fafe

Mundo Lusíada

No dia 4 de junho será apresentada na cidade portuguesa de Fafe, distrito de Braga, o livro “Hospitais e Saúde no Oitocentos: diálogos entre Brasil e Portugal”. A obra coletiva de referência na área da História e Saúde, resultado de um conjunto de trabalhos elaborados por pesquisadores luso-brasileiros sobre arquitetura, urbanismo, patrimônio cultural e saúde no séc. XIX, é apresentada às 17h30 no salão nobre da Santa Casa da Misericórdia de Fafe, uma das maiores instituições sociais do Norte de Portugal.

“Hospitais e Saúde no Oitocentos: diálogos entre Brasil e Portugal”, da Editora Fiocruz, foi landado no Rio no mês de dezembro, e faz parte da Coleção História e Saúde, que tem o objetivo de fortalecer a área da história e das ciências da saúde no Brasil.

Organizada pelo arquiteto e urbanista Renato Gama-Rosa, pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), e Cybelle Miranda, pesquisadora da Universidade Federal do Pará (UFPA), a publicação é resultado de estudos realizados por pesquisadores das duas instituições, além da Universidade de Lisboa, da Universidade Lusíada de Lisboa e do Município de Fafe, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Divido em sete capítulos, o livro aborda o processo de transferência de modelos estéticos no sentido Brasil-Portugal, a partir da segunda metade do século 19, período em que portugueses que viviam no país retornaram as suas localidades de origem, contribuindo para ampliação da rede de assistência das Misericórdias no Norte português.

A publicação apresenta também a influência da arquitetura portuguesa em edifícios localizados no Rio de Janeiro, capital imperial, e em Belém, no Pará, e mostra que hospitais brasileiros e portugueses construídos no século 19 seguem, em sua maioria, o modelo de arquitetura assistencial existente à época, associados às funções das entidades beneméritas, como as Misericórdias e as Beneficências Portuguesas.

Os edifícios estudados revelam que as trocas culturais entre os países foram baseadas em modelo e linguagem arquitetônica que resultaram no classicismo imperial brasileiro, aplicado aos hospitais brasileiros e reproduzidos em Portugal, que refletiam os princípios de progresso, higiene e racionalidade.

Do ponto de vista formal, a materialização dos ideais de racionalidade e a construção de hospitais concorrem para se entender a transição de assistência adotada pelo Estado de base religiosa e o Estado laico, com exemplos no Brasil e também em Portugal.

A editora Fiocruz concentra a maior parte dos lançamentos da Fundação Oswaldo Cruz, a mais importante instituição de ciência e tecnologia em saúde da América Latina, e uma das principais instituições mundiais de pesquisa em saúde pública, localizada no Rio de Janeiro.

Lançamento em Portugal
Depois do Brasil, o lançamento em Portugal terá na apresentação da obra o historiador português Daniel Bastos, o arquiteto e urbanista brasileiro Renato Gama-Rosa, do Departamento de Patrimônio Histórico da Casa de Oswaldo Cruz.

Um dos sete capítulos do livro, onde os cientistas sociais luso-brasileiros revisitam a benemérita rede de dezenas de associações de beneficência fundadas por emigrantes portugueses na transição do séc. XIX para o séc. XX, e que ainda hoje são instituições de referência no Brasil, principal destino da emigração lusa na época, é assinado pelo historiador Daniel Bastos com o título “O Hospital da Misericórdia de Fafe e a Contribuição da Benemerência Brasileira em Portugal no Século XIX”.

No decurso do seu contributo historiográfico, o investigador cujo percurso tem sido alicerçado no seio da Lusofonia destaca o concelho de onde é natural como uma construção contemporânea dos “brasileiros de torna-viagem”, enquadrando o Hospital da Misericórdia de Fafe, que desempenha um papel estruturante no campo social local, como uma obra paradigmática da benemerência brasileira oitocentista, gizada a partir do modelo arquitetônico da “Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro”.

Esta é a primeira apresentação do livro em Portugal, após o seu lançamento no Brasil no início do ano no Rio de Janeiro, na Fundação Oswaldo Cruz, e posteriormente em Belém, na Universidade Federal do Pará.

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