Ciclone: Situação em Moçambique “é uma coisa nunca vista”

Da Redação
Com agencias

Segundo o Coordenador de emergência do Programa Mundial de Alimentação, PMA, Pedro Matos, relatou esta terça-feira que a situação em Moçambique “é uma coisa nunca vista.”

Segundo as estimativas do governo, 600 mil pessoas foram afetadas pelas cheias depois do ciclone Idai nas províncias de Sofala, Manica, Zambézia, Inhambane e Tete.

Na cidade da Beira, Pedro Matos explicou que “nem Moçambique nem nenhum país do mundo está preparado para responder a uma tragédia desta dimensão” disse em relato à ONUNews.

“A situação na Beira está bastante dramática. O ciclone Idai aterrou na Beira na quinta-feira com ventos de 200 km por hora, depois de já ter estado antes em Moçambique como tempestade tropical e já ter deixado cerca de 120 mil afetados ao longo do rio Zambeze. Entrou e criou uma destruição bastante grande no corredor grande entre a Beira e o Zimbabué. Mas se isto já era bastante mau, o que veio a seguir foi ainda pior” contou.

Segundo ele, a pluviosidade que se seguiu, que chegou aos 600 milímetros em 24 horas, num dos dias, mas não durou só um dia, causou uma torrente tão forte que se pensou inicialmente que tinha sido uma barragem que tinha rebentado. “E essa torrente continuou e continua a aumentar e rebentou as margens de dois rios aqui ao pé da Beira, o Púngoé e o Búzi, que agora correm como mares”.

“Estamos a tirar imagens de satélite para conseguir ter uma dimensão real da tragédia. Há água em todas as direções, em locais que costumavam ser mangais e palmeiras, e neste momento é um mar inteiro com água por cima das casas e das palmeiras. Não se veem árvores, não se veem povoações. A tragédia é bastante grande.”

A comunidade internacional responderam a esta emergência. “Isto é uma coisa nunca vista. Nem Moçambique nem nenhum país do mundo está preparado para responder a uma tragédia desta dimensão. E, portanto, nós estamos a mobilizar” disse relatando que falta eletricidade faltou na Beira, estações de tratamento de água não funcionam, e também sistemas de tratamento de esgotos.

“Não há telecomunicações, não há energia e estamos a montar uma operação imensa de resgate das pessoas. Muitas vezes tirar pessoas que têm água pelo pescoço para pô-las em sítios onde a água está só pelos tornozelos. Estamos nesta fase ainda. Ainda nem estamos na fase de os levar para terra firme”.

Segundo ele, o rescaldo desta tragédia vai envolver centenas de milhares de pessoas afetadas pelas cheias, além daquelas que foram afetadas pelo ciclone. “Em termos de área, se calhar, é uma coisa comparável ao furacão Katrina. Se não em população, porque esta zona tem menos densidade populacional que Nova Orleães, mas em termos de área afetada é muito comparável”.

200 mortos confirmados

A passagem do ciclone Idai no centro de Moçambique e as cheias que se seguiram já provocaram, desde quinta-feira mais de 200 mortos, anunciou o Presidente moçambicano Filipe Nyusi.

O chefe de Estado falava durante uma reunião do Conselho de Ministros realizado na cidade da Beira, parcialmente destruída pelo ciclone. Filipe Nyusi anunciou ainda três dias de luto nacional em Moçambique.

“Sabendo de 350 mil cidadãos que estão em situação de risco e da severa destruição devido a esta tragédia, então o Conselho de Ministros decide decretar o luto nacional na República de Moçambique, por um período de três dias, com inicio às próximas 00:00 [menos duas horas em Lisboa] do dia 20 de março”, disse o chefe de Estado.

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, Maláui e Zimbabué já provocou pelo mais de 400 mortos, segundo balanços provisórios divulgados pelos respetivos governos desde segunda-feira.

Mais de 1,5 milhões de pessoas foram afetadas pela tempestade nos três países africanos.

Também a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) apelou aos países da comunidade para apoiarem as populações afetadas pelo ciclone Idai.

Segundo a organização, o secretário-executivo, Francisco Ribeiro Telles, “está em contacto” com a Presidência cabo-verdiana da CPLP, “no sentido de se concertarem esforços” dos nove Estados-membros para a “ajuda e assistência às populações afetadas”.

Ribeiro Telles transmitiu às autoridades moçambicanas “profundo pesar pela situação verificada nas regiões do centro e do norte de Moçambique” e manifestou “a sua solidariedade para com o povo moçambicano”, segundo informações da Lusa.

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