Acidente: Vítimas já identificadas são de sete nacionalidades diferentes

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pelo primeiro-ministro, Luis Montenegro, e pelo prefeito de Lisboa, Carlos Moedas, prestam homenagem às vítimas do acidente do funicular da Glória, Lisboa, Portugal, em 4 de setembro de 2025. O acidente causou a morte de pelo menos 16 pessoas e deixou outras cinco gravemente feridas. MIGUEL A. LOPES/LUSA

Presidente português envia cartas de condolências aos Chefes de Estado dos países afetados pelo acidente com o elevador da Glória.

O diretor da Polícia Judiciária (PJ) adiantou hoje que “com grande probabilidade” haja entre as vítimas mortais do acidente com o elevador da Glória um cidadão alemão, dois canadianos, um ucraniano e um americano. Mais cedo, a Procuradoria-Geral da República avançou que foi possível identificar oito das 16 vítimas que morreram na sequência do descarrilamento do elevador da Glória, sendo cinco de nacionalidade portuguesa, duas de nacionalidade coreana e uma suíça.

Segundo o diretor da PJ, Luís Neves, a informação recolhida em boletins de alojamento e também junto de familiares que contactaram a PJ através da linha criada para o efeito permite atribuir “com grande probabilidade” a identificação e nacionalidades a cinco das vítimas mortais.

Depois de o Ministério Público ter adiantado as identificadas oito vítimas mortais confirmadas, Luís Neves referiu que falta ainda determinar a identidade de três das vítimas mortais.

Em conferência de imprensa na sede da PJ em Lisboa, o diretor do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF), Francisco Corte Real, adiantou ainda que já foram concluídas as 16 autópsias às vítimas mortais do acidente.

Sobre os corpos já identificados adiantou estarem em condições de ser libertados e nos restantes casos em que a identificação ainda não está completamente fechada Francisco Corte Real disse que o instituto irá trabalhar durante esta noite para concluir os perfis genéticos que ainda faltam.

Sobre a linha telefónica dedicada criada pela PJ para este caso, Luís Neves disse que esta se revelou muito importante na recolha de informação útil à identificação das vítimas, tendo recebido cerca de 200 chamadas nas primeiras horas, permitindo ainda dar informação a familiares das vítimas e fazer o respetivo encaminhamento.

Brasileiros – Três brasileiros estariam entre os feridos na ocorrência. Entre os feridos, seis dos 23 feridos no acidente encontram-se em cuidados intensivos, enquanto todos os feridos ligeiros já tiveram alta hospitalar, anunciou hoje o diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde.

Segundo Álvaro Almeida, todos os feridos ligeiros já tiveram alta e são de várias nacionalidades, como espanhola, portuguesa, israelita, brasileira, italiana e francesa.

Em relação aos feridos graves, um ainda não foi identificado e os restantes são três de nacionalidade portuguesa, um de nacionalidade alemã, um sul-coreano, uma suíça, uma cabo-verdiana e uma marroquina, referiu o diretor executivo do SNS.

Manutenção

 O Presidente da República afirmou hoje esperar que “o apuramento das causas do acidente com o elevador da Glória, em Lisboa, aconteça “o mais rápido possível”, nos planos jurídico e técnico.

“Quando se fala de causas, estamos a falar, por um lado, do esclarecimento do quadro jurídico que envolve um processo e, por outro lado, de causas técnicas, factos, que venham a ser apurados relativamente ao que aconteceu. Quanto mais rápido isso for, naturalmente, melhor será para todos nós. E finalmente, aprender para o futuro, prevenir para o futuro”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas.

O chefe de Estado falava à saída da Igreja de São Domingos, tendo junto a si, um pouco atrás, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, no fim de uma missa em memória das vitimas do acidente de quarta-feira, que provocou 16 mortos e vários feridos com gravidade.

A seguir, o Presidente da República, o primeiro-ministro e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa foram a pé desde o Largo de São Domingos até perto do local do acidente de quarta-feira, na Calçada da Glória, onde depuseram ramos de flores. Marcelo Rebelo de Sousa tem enviado cartas aos seus homólogos dos países que viram cidadãos nacionais diretamente afetados pelo acidente.

Na declaração que fez aos jornalistas, escusando-se depois a responder a perguntas, Marcelo Rebelo de Sousa começou por dizer que esta “é uma hora de luto”, de “chorar os mortos”, de “cuidar dos feridos” e “de dar uma palavra aos representantes dos Estados” com cidadãos vítimas deste acidente, “uma palavra de solidariedade e de pesar relativamente aos seus povos”.

“Uma hora também de exigência e responsabilidade. O que significa, e isso aconteceu desde o primeiro momento, nomeadamente por iniciativa do senhor presidente da Câmara Municipal [de Lisboa], a responsabilidade significa o apuramento das causas. E o apuramento das causas o mais rápido que seja possível”, acrescentou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, “foi muito importante a ideia de suspender o funcionamento de outros funiculares, para haver uma vistoria, que significa que se retira desde já uma lição, que é certificar relativamente a outras situações análogas, que há o cuidado de verificar que estão preenchidas as condições de funcionamento”.

O Presidente da República quis, por último, deixar a mensagem de que “Lisboa e Portugal são terra de vida, são terra de paz, são terra de segurança”.

“E por isso mesmo entendemos que vale a pena afirmar que essa vida, essa segurança e essa paz existem e vão existir, e por isso a exigência e a responsabilidade levam a apurar o que se passou”, argumentou. 

O historial de manutenção e supervisão do elevador da Glória será analisado exaustivamente pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que vai contar com ajuda externa na sua investigação.

Em conferência de imprensa na sede da Polícia Judiciária (PJ), em Lisboa, o coordenador do GPIAAF, Nelson Oliveira disse que será analisado “tudo o que seja relevante para a investigação”. “O GPIAAF publicará um relatório preliminar previsivelmente no prazo de 45 dias, dando conta dos trabalhos de investigação realizados e das conclusões que, nessa data, estejam disponíveis”, adiantou o diretor .

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