Acidente: Destroços e composição do Elevador retirados, vítimas identificadas

Um casal observa o local do acidente com o elevador da Glória em Lisboa, um transporte popular usado por turistas, que descarrilou em Lisboa, Portugal, em 5 de setembro de 2025. O acidente causou a morte de 16 pessoas e deixou 5 gravemente feridas. RODRIGO ANTUNES/LUSA

Os destroços da composição do Elevador da Glória acidentada na quarta-feira, e a composição que ficou imobilizada junto aos Restauradores, foram retirados durante a noite e madrugada de hoje, informou a Proteção Civil de Lisboa.

“Durante a noite foi realizada uma operação complexa com vários meios e equipas para a retirada total das carruagens e dos escombros e a limpeza da via, pela Carris e com o apoio dos serviços municipais”, informa uma nota enviada à Lusa pela diretora do Serviço Municipal de Proteção Civil de Lisboa.

De acordo com Margarida Castro Martins, durante o dia de hoje vão ser realizados os “trabalhos de repavimentação e reposição da calçada”, a qual será também efetuada pelos serviços técnicos da Câmara e da Proteção Civil Municipal uma inspeção mais fina do edificado em que a carruagem embateu, que numa primeira avaliação não apresentava qualquer risco estrutural”.

Após conclusão destes trabalhos será feita a reabertura total das vias e a reposição da normalidade no local, e será dada indicação ao comércio encerrado que poderá retomar a sua atividade, o que deverá ocorrer apenas ao final do dia, explica ainda a nota.

O elevador da Glória, uma das principais atrações turísticas no centro da cidade de Lisboa, descarrilou na quarta-feira, no pior acidente dos seus quase 140 anos, provocando 16 mortes e mais de 20 feridos.

O Governo decretou um dia de luto nacional, cumprido na quinta-feira, e a Câmara de Lisboa decretou três dias de luto municipal, entre quinta-feira e sábado, pelas vítimas do acidente.

O Elevador da Glória é gerido pela Carris, liga os Restauradores ao Jardim de São Pedro de Alcântara, no Bairro Alto, num percurso de cerca de 265 metros e é muito procurado por turistas.

O historial de manutenção e supervisão do ascensor será analisado exaustivamente pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que vai contar com ajuda externa na investigação.

Na quinta-feira, o coordenador do GPIAAF, Nelson Oliveira, disse que será analisado “tudo o que seja relevante para a investigação”.

Vítimas confirmadas

A PJ anunciou hoje que estão confirmadas as nacionalidades das 16 vítimas mortais do acidente com o Elevador da Glória, esclarecendo que o cidadão alemão dado como morto na quinta-feira está afinal internado no Hospital de São José.

Segundo a informação da Polícia Judiciária (PJ), os cidadãos que morreram no acidente, em Lisboa, são cinco portugueses, dois sul-coreanos, um suíço, três britânicos, dois canadianos, um ucraniano, um norte-americano e um francês.

Em comunicado, a PJ diz que as vítimas foram identificadas cientificamente com a colaboração do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses.

Hoje, numa publicação na rede social X, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês já tinha confirmado a morte de uma cidadã francesa no acidente.

O estado de saúde dos nove feridos do acidente com o elevador da Glória ainda internados nos hospitais de São José, Santa Maria e São Francisco Xavier não se alterou durante a noite, segundo as unidades de saúde, contactadas hoje pela Lusa.

No Hospital de São José estão ainda internados quatro feridos do acidente de quarta-feira, que provocou 16 mortos e ferimentos em mais de duas dezenas de pessoas.

Dos quatro internados, um mantém-se nos cuidados intensivos e três estão “em situação controlada”.

No Hospital de Santa Maria estão duas pessoas, uma nos cuidados intensivos e outra no serviço de observação da urgência, depois de na quinta-feira a criança que estava na Pediatria ter tido alta.

Três doentes continuam internados no serviço de Unidade de Cuidados Intensivos do hospital São Francisco Xavier, em situação estável, segundo fonte hospitalar.

O acidente causou ferimentos em 23 pessoas.

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) adiou para sábado a divulgação da nota informativa sobre as constatações iniciais ao acidente.

No dia do acidente, o presidente da Câmara de Lisboa mandou suspender de imediato as operações dos ascensores da Bica e do Lavra e do Funicular da Graça para os equipamentos serem inspecionados.

Todos criados pelo engenheiro Raoul Mesnier de Ponsar, os elevadores do Lavra, da Glória e da Bica também são geridos pela Carris, tal como o Funicular da Graça.

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