União Europeia e ApexBrasil anunciam € 266 milhões em investimentos no Brasil durante Fórum

Foto: Divulgação/CEBRI

Brasil e União Europeia buscam ampliar parcerias e investimentos após acordo com Mercosul.

Da Redação

O fortalecimento da parceria estratégica entre Brasil e União Europeia, a ampliação dos fluxos comerciais e financeiros e o avanço da cooperação em áreas como minerais críticos, transição energética, infraestrutura digital e bioeconomia marcaram os debates do II Fórum de Investimentos Brasil-União Europeia, realizado nesta segunda-feira (23), na sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em Brasília.

Durante o encontro, a União Europeia anunciou mais de € 266 milhões (cerca de US$ 306 milhões) em novos investimentos no Brasil, destinados a projetos de conectividade, hidrogênio de baixo carbono, desenvolvimento sustentável e inclusão social.

Promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) em parceria com a Delegação da União Europeia no Brasil e a ApexBrasil, o fórum reuniu autoridades governamentais, representantes do setor privado, organismos financeiros e especialistas dos dois lados do Atlântico para discutir oportunidades de negócios e iniciativas de longo prazo. A programação incluiu debates sobre o Acordo Mercosul-União Europeia, indústria verde, infraestrutura, digitalização e cadeias de valor globais.

“Mesmo diante de um cenário internacional cada vez mais complexo, o Brasil alcançou recordes históricos, com US$ 348 bilhões em exportações e US$ 77 bilhões em investimentos atraídos no último ano. Com a União Europeia, ultrapassamos US$ 100 bilhões em fluxo comercial. Temos uma parceria baseada em valores compartilhados e uma complementaridade estratégica: o Brasil reúne recursos minerais essenciais para a nova economia, enquanto a Europa pode contribuir com capital, tecnologia e conhecimento para desenvolvermos cadeias produtivas de maior valor agregado” destacou Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil.

Representando a União Europeia, o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, destacou a importância da cooperação baseada em confiança e visão de longo prazo. “Estou no Brasil com um objetivo claro: tornar a parceria entre a União Europeia e o Brasil ainda mais forte. Em um momento em que muitos países priorizam ganhos imediatos, nós acreditamos em cooperação baseada em regras, benefícios mútuos e confiança. Há mais de 30 anos construímos essa relação, sustentada por valores comuns como democracia, multilateralismo e ação climática. Agora queremos transformar essa parceria em mais investimentos, mais empregos e mais oportunidades para nossas sociedades”.

A transformação digital foi um dos destaques na fala da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. Ela citou a parceria entre o Brasil e a União Europeia em temas como governança da inteligência artificial, infraestruturas digitais públicas, conectividade, proteção de dados e reconhecimento mútuo de assinaturas eletrônicas. Segundo ela, esse último ponto é central para facilitar trocas entre os dois blocos e melhorar o ambiente de negócios. 

De acordo com a ministra, Brasil e União Europeia podem agir, conjuntamente, para alcançar maior autonomia no contexto tecnológico. “Somos usuários do ambiente digital, mas ainda precisamos atuar em conjunto para definir regras e avançar na soberania digital, respondendo aos novos desafios que exigem estratégias ousadas e pragmáticas”, disse a ministra, que entende a tecnologia como meio para promover um desenvolvimento sustentável e inclusivo, com respeito aos direitos humanos, aos valores democráticos e à autonomia tecnológica. 

Segundo a ministra, o MGI tem mantido parcerias com países europeus, como Dinamarca, Alemanha, França, Portugal, Noruega e Espanha, para ampliar capacidades institucionais, qualificar a gestão pública e avançar em agendas ambientais e digitais. 

Para o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, o acordo entre Mercosul e União Europeia representa uma resposta ao avanço do isolacionismo e de barreiras (tarifárias e não tarifárias) no comércio internacional. Para ele, o novo bloco econômico formado a partir do acordo reforça a defesa do multilateralismo e da integração produtiva. O acordo entre Mercosul e União Europeia cria um mercado de cerca de 750 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões. É uma resposta concreta ao isolacionismo e às barreiras que dificultam o desenvolvimento econômico global.”

Investimentos europeus apoiam conectividade, energia limpa e inclusão social

Durante o Fórum, foram apresentados projetos voltados à conectividade, transição energética e inclusão social, que somam investimentos de mais de € 266 milhões (cerca de US$ 306 milhões). O maior aporte vai para o projeto Mais Conectado, que prevê a extensão do cabo submarino EllaLink para os estados do Pará e Maranhão, com investimento total de € 260,8 milhões destinado a ampliar a infraestrutura digital da região Norte e impulsionar oportunidades econômicas e inclusão digital na região.

Na mesma linha de conectividade, o Amazônia Verde receberá € 1,5 milhão para levar conectividade de última milha a seis comunidades remotas do Amazonas, testando soluções para ampliar o acesso digital em áreas de difícil alcance.

Os outros dois projetos olham para outras frentes: energia limpa e inclusão social. O H2Uppp Brasil, voltado ao desenvolvimento da cadeia de valor do hidrogênio renovável e de baixo carbono, contará com € 3 milhões da União Europeia e € 510 mil do governo alemão para apoiar projetos inovadores e prepará-los para a captação de investimentos privados. Já na área socioambiental, o projeto Cunhaintá Kirimbawasá: A Força das Mulheres Indígenas receberá € 777 mil para fortalecer a liderança e a participação política de mulheres indígenas na Amazônia, beneficiando 25 organizações de mulheres e jovens da região.

Um dos destaques da programação foi a apresentação de estudos sobre o Acordo Mercosul-União Europeia. O gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil, Gustavo Ribeiro, mostrou que a relação econômica entre os dois parceiros, embora já consolidada, ainda possui espaço para expansão. Atualmente, o comércio bilateral supera US$ 100 bilhões e a União Europeia segue como a principal origem do investimento estrangeiro direto no Brasil, com estoque de US$ 464 bilhões, equivalente a 41% do total recebido pelo país. As análises indicam que o acordo poderá impulsionar uma nova etapa dessa parceria ao ampliar o acesso a mercados, fortalecer cadeias produtivas e aumentar a previsibilidade para investidores.

A sessão de encerramento reforçou a convergência de interesses entre os dois parceiros em temas como segurança alimentar, transição energética, inovação, minerais críticos e desenvolvimento sustentável. Para o presidente da ApexBrasil, Laudemir Andre Muller, a complementaridade entre Brasil e União Europeia cria condições favoráveis para uma cooperação cada vez mais estratégica.

“Não tem como discutir segurança alimentar sem o Brasil. Não tem como discutir transição energética, mudança do clima, sem o Brasil. Não tem como discutir inteligência artificial, minerais críticos e energia sustentável de baixo carbono sem o Brasil. E não tem como fazer isso sem financiamento, sem conhecimento, sem inteligência, sem parceria.”

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