O presidente do Conselho Europeu, os Presidentes do Brasil e do Quênia e o primeiro-ministro do Canadá anunciaram uma iniciativa para reformar a Organização das Nações Unidas (ONU) e outras instituições multilaterais, num artigo de opinião conjunto publicado dia 20.
“Partners for Multilateralism” (P4M) é a iniciativa lançada num artigo conjunto de António Costa, Lula da Silva, William Ruto e Mark Carney publicado no jornal Financial Times.
O multilateralismo não é idealismo, é uma necessidade, defendem, mostrando ao longo do texto a interligação a nível mundial e defendendo que “é preciso reforçar o sistema de cooperação, não de o substituir”.
Para sustentar a sua posição, contrapõem a crescente integração económica ao agravamento das tensões geopolíticas, apresentando valores.
“O comércio global atingiu um recorde (…) quase três quartos da humanidade estão ligadas à internet. No entanto, a geopolítica está a andar no sentido contrário. Em 2025 houve 65 conflitos armados entre Estados em 35 países, o número mais alto registado desde 1946, e os gastos militares globais aumentaram para um recorde de 2,9 biliões de dólares” (cerca de 2,45 biliões de euros), escrevem.
Os quatro defendem instituições mais representativas e eficazes, e propõem uma estrutura aberta que reúna governos que divergem em várias matérias, mas partilham os princípios da Carta das Nações Unidas.
A necessidade de cooperação multilateral é “mais evidente do que nunca”, insistem, referindo outras áreas que entendem mostrar essa necessidade.
“A emergência climática está a ultrapassar até as previsões mais alarmantes. A IA [Inteligência Artificial] está a avançar mais rápido do que a nossa capacidade de a controlar. As pandemias podem espalhar-se por continentes em semanas, enquanto os choques financeiros podem desestabilizar os mercados em horas”, escrevem.
Os promotores da iniciativa lançam um apelo a outros líderes internacionais para se lhe juntarem “na escolha da cooperação em vez da fragmentação, da lei em vez do poder e da responsabilidade partilhada em vez da divisão”.
A iniciativa é divulgada quando os líderes mundiais vão participar na Assembleia Geral da ONU, esta semana, em Nova Iorque.
Portugal
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, vai participar pela segunda vez na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, na próxima semana, a poucos meses de Portugal regressar ao Conselho de Segurança da ONU como membro não-permanente.
O debate geral da 81.ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas terá início na próxima terça-feira e a intervenção do chefe do Governo PSD/CDS-PP neste encontro anual entre representantes dos 193 países da ONU está prevista para a tarde de quinta-feira.
A 81.ª Assembleia-Geral da ONU tem como tema “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação” e é a última sessão com o português António Guterres enquanto secretário-geral da organização, com quem o primeiro-ministro se irá reunir durante a deslocação.
“No ano em que o atual secretário-geral da ONU concluirá o seu segundo e último mandato, Luís Montenegro fez questão de que o seu primeiro compromisso no dia 23 fosse uma reunião com António Guterres, a quem o primeiro-ministro agradecerá o seu constante empenho na defesa da Carta da ONU e do multilateralismo”, refere à Lusa fonte do gabinete do chefe do Governo PSD/CDS-PP.
Portugal, que concorreu sob o lema “Prevenção, Parceria, Proteção”, já foi membro do Conselho de Segurança nos biénios 1979-1980, 1997-1998 e 2011-2012. Sempre que se candidatou, Portugal foi eleito.
A Assembleia-Geral é o órgão no qual os 193 Estados-membros da ONU se sentam em pé de igualdade e tem uma função exclusivamente representativa, mas é o Conselho de Segurança que toma decisões vinculativas em que cinco grandes potências (China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia) são membros permanentes com direito de veto.



