Porto de Honra: a diplomacia que legitima o novo ciclo do Clube Português de SP

Luiz Filho, Diretor de Marketing e Relações Institucionais do Clube Português de SP; o Embaixador António Pedro Rodrigues, cônsul-geral de Portugal em São Paulo, a diretora sociocultural do Clube Português, Fabíola Neves, o novo cônsul-geral adjunto, Dr. Jorge Rodrigues, Dr. António Almeida e Silva, vice-presidente da Casa de Portugal de SP; o Dr. Fábio Durço, diretor jurídico da Casa de Portugal SP; (responsável pela iniciativa do encontro), e à frente o Dr. Rui Fernão Mota e Costa, vice-presidente da instituição. Foto divulgação

Em clima de amizade, a visita do cônsul-geral António Pedro Rodrigues e do cônsul-adjunto Jorge Rodrigues confirmou a prontidão já demonstrada pelo Clube Português e ampliou a ponte com a Casa de Portugal e a comunidade.

Por Luiz Filho

Foi no final da tarde de quarta-feira, 27 de agosto de 2025, que o Embaixador António Pedro Rodrigues, cônsul-geral de Portugal em São Paulo, visitou o Clube Português de São Paulo para um encontro espontâneo com o amigo Dr. Rui Fernão Mota e Costa, vice-presidente da instituição. Ao seu lado, o recém-empossado cônsul-geral adjunto, Dr. Jorge Rodrigues, cuja presença somou peso diplomático a um gesto simples de proximidade com a comunidade luso-brasileira.

Chamamos a esse ambiente Porto de Honra. Mais que um brinde, é um rito de acolhimento: recepção breve, em pé, com vinho do Porto e acepipes, na qual se marca a ocasião e se reafirma pertença. Não é pompa. É cultura. É a maneira elegante de dizer “bem-vindos, estamos juntos”, especialmente quando a pauta é a vida associativa da diáspora.

A mesa intimista desenhou o clima. Servimos vinhos Bacalhôa e queijos brasileiros, numa curadoria que faz Portugal e Brasil conversarem também pelo paladar. Estiveram presentes o Dr. António Almeida e Silva, vice-presidente da Casa de Portugal de São Paulo, e o Dr. Fábio Durço, seu diretor jurídico (responsável pela iniciativa do encontro). A diretoria do Clube Português marcou presença. Assino esta coluna como diretor de Marketing e Relações Institucionais, ao lado da diretora sociocultural, Fabíola Neves. A jornalista e radialista Adriana Cambaúva, amiga do Dr. Rui e colaboradora do Clube, acompanhou. A recepção foi organizada pela BPE – Business Plan Eventos.

Importa sublinhar a relevância institucional da presença da Casa de Portugal. Clube Português e Casa de Portugal são coirmãs históricas e referências da comunidade. Quando as lideranças das duas casas se encontram, os laços se fortalecem, as agendas se aproximam e as pontes se consolidam. A Casa de Portugal preserva memória e patrimônio. O Clube Português acolhe, mobiliza e programa. Juntas, formam um eixo de representatividade que honra o passado e projeta o futuro. Em um Porto de Honra, essa presença conjunta vai além da cordialidade e indica convergência prática para coproduções culturais, tutela de acervos, projetos educativos, responsabilidade social e redes de apoio ao empreendedorismo luso-brasileiro.

O eixo do encontro não foi o cardápio, foi a direção. Falou-se de profissionalização, de governança e de futuro. Em sua fala, o cônsul-geral António Pedro Rodrigues elogiou publicamente a condução do Dr. Rui Mota e Costa e o processo de profissionalização em curso no Clube junto a sua diretoria, reconhecendo-o como referência e, mais uma vez, pioneiro na comunidade luso-brasileira, com rumo claro. Profissionalizar, aqui, não significa corporativizar a cultura. Significa dar método, metas e métrica ao que se faz, programar melhor, prestar contas, aproximar o Clube do pequeno e médio empresariado, firmar parcerias sérias e abrir portas aos descendentes que desejam se reconhecer na própria história familiar e coletiva.

Em termos práticos, isso se traduz em captação estruturada de mantenedores, parcerias com escolas e universidades, calendário curatorial que una história e inovação, gestão por indicadores e uma comunicação capaz de dialogar tanto com o lusodescendente veterano quanto com o jovem que inicia sua vida comunitária. Com processos claros e prioridades bem definidas, os resultados aparecem: cresce a participação, consolida-se a legitimidade e amplia-se o impacto da cultura luso-brasileira.

Nada disso se sustenta sem diplomacia, no sentido institucional e humano. A presença do cônsul-geral e do cônsul-adjunto tem valor simbólico e prático. O Estado português encontra a sociedade civil luso-brasileira em pé de igualdade e reconhece o papel dos espaços associativos como nós de confiança, circulação de ideias e preservação de memória. São casas que guardam acervos, mas sobretudo relações. Nenhuma política pública de cultura, educação ou internacionalização prospera sem essa rede viva, cotidiana e comprometida.

Houve elogios, e eles importam menos pelo aplauso do que pelo diagnóstico que carregam. Um calendário estruturado, o restauro e a ativação da Biblioteca Histórica, uma programação que combina tradição e contemporaneidade, comunicação transparente e presença em redes e eventos. É uma sequência de avanços que exige disciplina e inspira outras associações a atualizar seus modelos. Aqui, a Casa de Portugal opera como farol recíproco. O que se aprende em uma instituição ilumina a outra. Coirmandade não é retórica, é método colaborativo que multiplica resultados.

Falou-se também do amanhã. Na minha fala, ao lado da diretora sociocultural, Fabíola Neves, defendi abrir mais portas ao empreendedorismo luso-brasileiro, fortalecer redes de pequenos e médios empresários e consolidar o Clube como ponto de encontro recorrente para negócios de valor cultural e social. Isso implica patrocínios responsáveis, execução rigorosa de editais, residências artísticas e projetos educativos que nascem da própria comunidade e dialogam com a cidade. O presente pede ambição inteligente: fazer mais, fazendo melhor. Governança, transparência e sustentabilidade financeira são condições para que o crescimento seja consistente.

A comunidade luso-brasileira é, por natureza, ponte. Pontes, porém, exigem manutenção. Este Porto de Honra, com a visita do cônsul-geral e do cônsul-adjunto, lembrou essa verdade simples. Cada encontro cuidadoso, cada diálogo franco e cada parceria bem desenhada acrescentam uma viga ao tabuleiro que liga gerações, negócios e culturas. Se queremos que os jovens, filhos e netos de portugueses, se reconheçam neste lugar, precisamos oferecer causas, projetos e experiências que os convidem a participar, empreender e celebrar conosco. A presença conjunta do Consulado-Geral de Portugal, do Clube Português e da Casa de Portugal envia a mensagem certa. Estamos juntos, com identidade, amizade, afeto e rumo.


Por Luiz Filho
Publicitário, especialista em Negócios e Marketing, com 25 anos de experiência em definição de estratégias e métodos de comercialização para mercados B2B e B2C, análise de produtos, serviços e ações 360º. Atualmente, atua como Consultor On Demand, desenvolvendo ações inovadoras e estabelecendo parcerias comerciais, pela Wixi Marketing.

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