Peritos europeus apresentam primeiro relatório sobre as causas do apagão

Um agente da Polícia de Segurança Pública (PSP) auxilia os automobilistas no Campo Pequeno às escuras devido ao apagão que afeta Portugal de Norte a Sul e outros países europeus, em Lisboa, 28 de abril de 2025. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

 O painel de peritos europeus que investiga o apagão ibérico de 28 de abril divulgaram hoje o primeiro relatório factual sobre o incidente, quase um mês antes do prazo inicial previsto, fixado em 28 de outubro.

Depois da divulgação das conclusões preliminares, a Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E, na sigla em inglês) tem agora até 30 de setembro de 2026 para publicar o relatório final sobre as causas do incidente.

O apagão ibérico foi provocado por uma sucessão de desligamentos súbitos de produção renovável, e subsequente perda de sincronismo com a rede continental europeia, segundo o painel de peritos que investiga o incidente.

O relatório hoje publicado, elaborado por 45 especialistas de operadores de rede e reguladores de 12 países, classifica o incidente como de “escala 3” — o nível mais grave previsto pela legislação europeia — e descreve-o como “o mais significativo ocorrido no sistema elétrico europeu em mais de 20 anos”, afetando milhões de cidadãos e provocando perturbações graves em serviços essenciais.

De acordo com a análise da Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E, na sigla em inglês), a sequência de falhas teve início às 12:32 (hora de Bruxelas), quando diversas centrais solares e eólicas no sul de Espanha se desligaram subitamente da rede, seguidas de perdas adicionais em regiões como Granada, Badajoz, Sevilha e Cáceres. Em menos de um minuto, foram retirados mais de 2,5 gigawatts de capacidade de produção. Esta quebra reduziu a compensação reativa disponível, provocando uma escalada da tensão elétrica e desencadeando um efeito em cascata em toda a Península Ibérica.

Às 12:33, o sistema ibérico começou a perder sincronismo com a rede continental, registando oscilações de frequência e tensão que não puderam ser estabilizadas pelos planos automáticos de defesa de Portugal e Espanha. Pouco depois, as interligações com França e Marrocos também foram desligadas, consumando a separação elétrica da Península e o colapso total dos sistemas português e espanhol.

As conclusões hoje divulgadas são de caráter factual e baseiam-se nos dados recolhidos até 22 de agosto.

A ministra portuguesa do Ambiente e Energia destacou hoje que o apagão ibérico aconteceu em Espanha e afetou Portugal, uma conclusão que faz parte do relatório de peritos hoje conhecido, que a governante saúda.

“Há uma conclusão que para nós é clara e que fiquei contente por ouvir: não há dúvidas de que é um apagão em Espanha que afetou Portugal”, afirmou Maria da Graça Carvalho, em resposta aos jornalistas, à margem da cimeira ‘Portugal Renewable Energy’, em Lisboa, promovida pela APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis.

O apagão, classificado pela ENTSO-E como “excecional e grave”, deixou Portugal e Espanha praticamente sem eletricidade durante mais de 10 horas. Aeroportos encerrados, congestionamento nos transportes e falta de combustíveis estiveram entre as consequências imediatas.

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