Portugal despediu-se neste domingo do Mundial de handebol num histórico quarto lugar, depois de perder a medalha de bronze para a campeã europeia França (35-34), em Oslo, e após ter sido afastado da final pela agora tetracampeã Dinamarca.
Para a história da sexta participação de Portugal num Mundial fica o top 4 entre 32 seleções, um percurso irrepreensível na fase preliminar e Ronda Principal, com cinco vitórias e um empate, e a eliminação da vice-campeã olímpica Alemanha nos quartos de final.
Em termos de distinções individuais, o pivô Victor Iturriza e o lateral Martim Costa – que repete o destaque no Euro2024 – integram o sete ideal da prova, tendo Francisco Costa sido eleito o melhor jogador sub-20 do Mundial.
Os ‘heróis do mar’ só foram travados na semifinal com a então tricampeã mundial Dinamarca, igualmente detentora do título olímpico alcançado em Paris2024, e no jogo pela medalha de bronze por um golo com a ‘vice’ França, seleção que já ergueu o troféu por seis vezes.
O ‘eletrizante’ desempenho da seleção portuguesa, com destaque para os irmãos Francisco e Martim Costa, foi acompanhado com paixão em Portugal, com níveis de audiência recorde, e colocou o andebol na ordem do dia.
Portugal chegou a Oslo, onde decorreu parte da prova organizada pela Croácia, Dinamarca e Noruega, como outsider, mas com o decorrer dos jogos, com exibições de alto nível, acabou por surpreender alguns candidatos e fazer história.
O arranque foi marcado pela lesão do lateral Alexandre Cavalcanti, que apesar de ter viajado não recuperou, e do inusitado caso de doping do central Miguel Martins, cujo resultado chegou um ano depois na véspera da estreia, que obrigou a seleção a reinventar-se.
O treinador Paulo Pereira mandou chamar à última hora o lateral Miguel Oliveira, de 21 anos, que se juntou ao grupo à partida para a capital norueguesa, e já em Oslo foi a vez do central André Sousa, de 22, integrar o lote dos eleitos.
Integrados no Grupo E, com jogos na Unity Arena, os portugueses tiveram um início convincente com um triunfo por 30-21 frente aos EUA, seleção que chegou ao Mundial com o estatuto de convidada, para preparar os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
O experiente Pedro Portela e o emergente Martim Costa, ambos com sete golos, foram os jogadores em destaque na finalização frente à seleção norte-americana, bem como o guarda-redes Diogo Rêma, com 10 defesas e uma eficácia de 38 por cento.
Portugal iniciou o segundo jogo a perder por 4-0 frente ao Brasil, que vinha de uma vitória frente à anfitriã Noruega (29-26), chegou ao intervalo a três dos ‘canarinhos’ (12-15), mas com uma segunda parte de alto nível venceu por 30-26.
Para a história do jogo ficam os 14 golos marcados pela sociedade formada pelos irmãos Martim (9) e Francisco Costa (5) e a exibição de Gustavo Capdeville na segunda parte, com 10 defesas a 26 remates, o que lhe conferiu uma eficácia de 38%.
Na última jornada do grupo, a seleção lusa venceu por 31-28 a candidata Noruega, perante o seu incrédulo público que registou um novo recorde na Unity Arena, desbloqueando o marcador, até então equilibrado, nos cinco minutos finais.
Francisco Costa e Luís Frade, com seis golos cada, e Salvador Salvador, com cinco, foram os principais concretizadores de Portugal, que voltou a ter na baliza Gustavo Capdeville em destaque, com 15 defesas a 41 remates (37%).
Portugal avançou para a ‘main round’ com o máximo de pontos (quatro), e no primeiro jogo superou com sucesso um decisivo teste frente à Suécia, por quatro vezes campeã do mundo, numa partida que foi um hino ao andebol ofensivo e que terminou empatada a 37-37.
Com o pivô Luís Frade imparável, com sete golos em oito remates, secundado por Victor Iturriza e os irmãos Francisco e Martim Costa, todos com cinco, os ‘heróis do mar’ colocaram em respeito a poderosa Suécia e mostraram credenciais.
Dois dias depois, a vitória por 35-29 frente à Espanha foi decisiva e o primeiro triunfo luso no duelo ibérico permitiu segurar um dos dois lugares de apuramento do Grupo III e garantir o inédito apuramento para os quartos de final.
Francisco Costa, com oito gols, e Salvador Salvador, com seis, foram os jogadores em destaque na formação portuguesa, que teve uma segunda parte demolidora, em que virou uma desvantagem de 16-19 para 22-19, bem como Diogo Rêma na baliza.
Na fecho da ‘main round’, com um triunfo tranquilo por 46-28 frente ao Chile, que constitui novo recorde de golos marcados por Portugal num jogo do Mundial, o anterior era de 42 em casa frente à Austrália, em 2003, os ‘heróis do mar’ festejaram a passagem aos quartos de final na liderança isolada do Grupo III.
Francisco Costa, com nove gols, Martim Costa, com seis – entre os quais o milésimo da seleção nacional em fases finais de Mundiais -, e o pivô Ricardo Brandão, com cinco, foram os jogadores em destaque na seleção portuguesa.
O emparelhamento do Mundial ditou o cruzamento com a vice-campeã olímpica Alemanha e Portugal saiu vitorioso no prolongamento do duelo de acessos às meias-finais por 31-30, com um golo de Martim Costa a três segundos do fim, pese embora o desempenho do guarda-redes Andreas Wolff com 21 defesas.
Francisco Costa, com oito gols, e pivô Victor Iturriza, com sete golos, estiveram em destaque no jogo, mas o dispêndio de energia acabou por se revelar dois dias depois no encontro com os tricampeões mundiais dinamarqueses.
A acusar algum cansaço, Portugal foi presa fácil para a poderosa seleção da Dinamarca, que venceu a semifinal por 40-27, mas a primeira derrota não abalou o grupo que, dois dias depois, deu uma excelente resposta e vendeu cara a derrota com a França (35-34).
Presidente
Em Oslo, o Presidente da República enalteceu o histórico quarto lugar da seleção portuguesa no Mundial de andebol, após ter assistido à derrota com a campeã europeia França (35-34), no jogo de atribuição da medalha de bronze.
“Foi um grande jogo. A França é campeã europeia e nós jogamos muito bem, melhor [do que eles] aliás. Depois, por um triz aconteceu [a derrota], mas é espantoso o que esta equipa fez. Foi ganhando e fazendo tombar os gigantes. Só falhou diante da campeã do mundo [Dinamarca, nas meias-finais] e por um triz com a campeã da Europa. É espetacular”, avaliou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações à RTP no final da partida.
“Tinham o pavilhão todo com eles. É uma coisa espantosa”, salientou o chefe de Estado, que esteve acompanhado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro na tribuna do recinto, que destacou o futuro.
“Sendo esta uma geração que ainda tem muito pela frente, creio que a partir daqui podemos projetar os próximos anos como sendo de grande sucesso, de continuação desta jornada e de mobilização de todo o povo português para a prática desportiva e para a nossa unidade e identidade como nação”, afirmou Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas.
“Acho que o país está todo orgulhoso, porque vibrou e viveu uma jornada de alegria, de superação e preenchida com espírito de equipa e de sacrifício. Nós tivemos um resultado excecional, que só não foi coroado agora [com uma medalha] por manifesta infelicidade. O jogo podia ter dado tanto para nós como para a França. Só isso já é histórico”, observou.
Os ‘heróis do mar’ alcançaram o melhor resultado de sempre em fases finais de grandes competições internacionais, incluindo em seis participações em Campeonatos do Mundo (1997, 2001, 2003, 2021, 2023 e 2025), ao melhorarem a 10.ª posição de há quatro anos.
Uma 𝗲𝗽𝗼𝗽𝗲𝗶𝗮 em Oslo 🤾♂️🇵🇹 Os Heróis do Mar estão pela 𝗽𝗿𝗶𝗺𝗲𝗶𝗿𝗮 𝘃𝗲𝘇 nas meias-finais do Mundial de Andebol!
— Portugal (@selecaoportugal) January 29, 2025
📸 FAP / Saša Pahič Szabó / kolektiff#FazHistória | @AndebolPortugal pic.twitter.com/pyil10iSlO




