Da Redação
Com Lusa

“O Banco Popular Portugal, S.A. comunica que foi nesta data informado da autorização pelo Banco Central Europeu e pelo Banco de Portugal da operação de fusão do Banco Popular Portugal, S.A. e da Popular Factoring, S.A., mediante a transferência global do patrimônio da Popular Factoring, S.A (sociedade incorporada) para o Banco Popular Portugal, S.A. (sociedade incorporante)”, diz o comunicado do Banco Popular divulgado pela CMVM.
De acordo com a mesma informação, dado que a sociedade incorporante detém a totalidade das ações representativas da sociedade incorporada, a fusão realizar-se-á de acordo com o disposto no artigo 116.º do Código das Sociedades Comerciais, não dando origem à troca de participações sociais nem ao aumento de capital social do Banco Popular Portugal.
Na sequência da operação de fusão, a Popular Factoring extinguir-se-á, sendo a totalidade do seu patrimônio transmitida para o Banco Popular Portugal, “com total salvaguarda dos direitos dos seus clientes e parceiros assim como da continuidade dos serviços”.
A operação de fusão encontra-se dependente de registo comercial bem como de registo especial junto do Banco de Portugal.
O projeto de fusão entre o Banco Popular Portugal e a Popular Factoring foi registrado a 20 de Julho, mas teve de aguardar a aprovação do Banco de Portugal.
A operação de fusão “enquadra-se no processo de restruturação e redimensionamento da atividade” do Grupo Banco Popular, que assenta “na simplificação e racionalização da respectiva estrutura societária e operacional”.
O presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB), Paulo Marcos, disse esta quarta-feira que a redução de efetivos e de agencias do Banco Popular em Portugal “é sensivelmente” o dobro do que em Espanha, algo “incompreensível”.
“Dentro de um mercado ibérico não deixa de causar alguma estupefacção o porquê da redução ser maior em Portugal do que em Espanha”, afirmou aos jornalistas, antes da realização de um plenário com trabalhadores, no Porto.
A instituição bancária anunciou na segunda-feira que vai encerrar 47 agências e cortar o quadro de pessoal em 295 trabalhadores até ao final do ano, no âmbito da reestruturação do negócio promovida pelo grupo espanhol.
Enquanto em Portugal o banco reduz cerca de 30% do seu efetivo, no país vizinho a diminuição é de 14%, o que “não faz sentido”, revelou.
Paulo Marcos salientou que em Espanha o Banco Popular abriu um processo de redução de trabalhadores e de capacidades “muito” por reformas antecipadas e pré-reformas, processo que assegura a paz social.
Já em Portugal, o sindicalista entendeu que o processo será “um pouco diferente” porque a instituição terá optado por rescisões voluntárias e por mútuo acordo.
E acrescentou: “25 a 30% dos funcionários portugueses, relativamente novos, serão dispensados, enquanto no país vizinho vão os mais velhos para casa, uma espécie de reformas antecipadas, não causando traumatismo sociais”.
O dirigente sindicalista sustentou não ter nada contra processos “genuinamente” voluntários e amigáveis, mas sim contra processos de despedimentos encapotados e sob o nome de rescisões amigáveis. “Para nós uma situação de despedimento coletivo é inaceitável”, frisou.
Sem confirmação oficial, Paulo Marcos salientou que uma centena de colaboradores já se terá disponibilizado para esse processo de rescisões.
Neste processo de redução de capacidade à escala ibérica do banco, o presidente do sindicato considerou parecer haver uma migração de atividades e operações de Portugal para Espanha quando do ponto de vista econômico e racional devia ser ao contrário. “Tudo indicia que vai haver perda de autonomia estratégica”, sustentou.
Paulo Marcos divulgou que na próxima terça-feira irá reunir em Lisboa com a administração e com o presidente executivo do Banco Popular em Portugal.




