Em sessão solene, Cônsul-Geral António Pedro Rodrigues da Silva recebe o Título de Cidadão Paulistano

Foto Mundo Lusíada

Por propositura da vereadora Luna Zarattini, Câmara Municipal de São Paulo recebe bom número de convidados no plenário às vésperas do 10 de Junho; solenidade reuniu lideranças políticas, diplomáticas e lideranças da colônia luso-brasileira em noite de exaltação à democracia e aos laços fraternos.

Por Odair Sene

Na véspera das concorridas comemorações globais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a Câmara Municipal de São Paulo foi palco de um evento de profunda relevância histórica e institucional para a comunidade luso-brasileira.
No dia 9 de junho, o Palácio Anchieta abriu suas portas para a entrega do prestigioso Título de Cidadão Paulistano ao Cônsul-Geral de Portugal em São Paulo, o Embaixador António Pedro da Vinha Rodrigues da Silva. A honraria, aprovada pelos 55 vereadores da capital paulista, foi fruto de uma propositura da vereadora Luna Zarattini (PT de S.Paulo), que também presidiu a sessão solene.
A mesa de honra da solenidade refletiu o prestígio do homenageado e a força do associativismo luso no Estado, sendo composta pela proponente, vereadora Luna Zarattini; pelo próprio homenageado, Embaixador António Pedro Rodrigues da Silva; pelo deputado estadual Paulo Fiorillo; pelo presidente do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira (CCLB), Antero José Pereira; pelo presidente da Casa de Portugal de São Paulo, Dr. Renato Afonso Gonçalves; pela vice-presidente da Casa de Portugal, Maria Olivia Esteves Alves; e pela secretária-geral da instituição, Teresa de Jesus Pires Morgado. Posteriormente, o Dr. Antonio de Almeida e Silva também foi convidado a integrar o dispositivo oficial.
Após a abertura dos trabalhos pela presidente da mesa e a execução protocolar dos hinos nacionais de Brasil e Portugal, a cultura tradicional tomou conta do plenário. O público acompanhou uma aplaudida apresentação do Grupo Folclórico da Casa de Portugal de São Paulo, introduzido pelo diretor de folclore Ernesto Lemos. Ao encerramento da exibição, os folcloristas, ladeados pela vereadora e pelo cônsul, prestaram uma homenagem especial ao diplomata com a entrega de uma placa comemorativa.

Orgulho diplomático e laços de amizade – A noite ganhou contornos de grande emoção com as projeções em telão. A Embaixadora de Portugal em Brasília, Isabel Brilhante Pedrosa, enviou uma mensagem gravada em vídeo direcionada especialmente ao colega de corporação diplomática. Em sua fala, a embaixadora enalteceu os laços de proximidade, confiança e amizade que o cônsul soube construir com todas as “forças vivas” de São Paulo.
“Como embaixadora de Portugal, não posso deixar de sentir um enorme orgulho por ver o empenho e a dedicação tão justamente reconhecidos por uma cidade que tem uma relação tão especial com Portugal. Afinal, São Paulo acolheu ao longo de várias gerações e é hoje a casa de milhares de portugueses. Um abraço muito amigo e os meus votos às maiores felicidades e sucessos. Parabéns, querido António Pedro, pela distinção tão merecida”, declarou a embaixadora Isabel Brilhante. Na sequência, um segundo vídeo biográfico detalhou a rica trajetória diplomática do servidor.

Discursos destacam unidade, modernização e a “festa da democracia” – O Dr. Renato Afonso Gonçalves, presidente da Casa de Portugal e amigo pessoal do homenageado, abriu os pronunciamentos destacando a coerência da homenagem e a atuação da vereadora Luna Zarattini como uma cientista política voltada ao serviço social. Renato convocou a colônia a participar ativamente da vida cotidiana e política das entidades.
Ao direcionar-se ao embaixador, o presidente da Casa de Portugal agradeceu o impacto de seus quatro anos de gestão. “Você conquistou cada um de nós. Agradecemos pelo trabalho exemplar no seu dever legal como embaixador, mas principalmente porque você compreendeu a essência e a natureza dessa comunidade e dessa cidade, unindo atores e forças”, sublinhou. Renato também destacou a coragem histórica do cônsul ao promover uma festa popular de rua na Praça Lusitânia, junto ao Monumento à Revolução dos Cravos, para celebrar os 50 anos do 25 de Abril: “Uma festa que reuniu a cidade e toda a comunidade pela primeira vez na nossa história em defesa da democracia”.
Representando o Conselho da Comunidade, Antero José Pereira definiu o diplomata como “fonte e acolhimento”, destacando seu trabalho incessante para aproximar as duas nações, amparando desde o imigrante recém-chegado até o empresário investidor. “Portugal e Brasil são irmãos, mas irmãos precisam de alguém que cuide da casa comum, e o Dr. António Pedro tem cuidado com dedicação, respeito e visão de futuro. Mais de um milhão de lusos e descendentes em São Paulo o recebem hoje como irmão”, celebrou Antero.
A conselheira Teresa Morgado expressou sua realização pessoal em testemunhar o ato, lembrando sua própria trajetória como cidadã paulistana e sua ligação com a colônia e com a Associação Portuguesa de Desportos. Ela elogiou a sensibilidade do cônsul em fazer-se sempre presente nos eventos da comunidade, o que considera fundamental.
O deputado estadual Paulo Fiorillo, por sua vez, destacou as reformas estruturais implementadas pelo embaixador, que modernizaram e ampliaram o alcance dos atendimentos consulares em São Paulo. Fiorillo pontuou o simbolismo da data: “Homenagear o embaixador às vésperas do 10 de Junho não é coincidência, é o momento certo para o homem certo. São Paulo é sua”.
Completando as visões da comunidade, o Dr. Antonio de Almeida e Silva enfatizou que António Pedro Rodrigues da Silva extrapolou os limites técnicos da profissão para se tornar um amigo e confidente. “Ele tem sido um cúmplice de tudo o que é feito aqui em São Paulo atualmente, às vezes até brigando com a gente para que tudo saia certo”, brincou carinhosamente. A vice-presidente da Casa de Portugal, Dra. Maria Olivia Esteves Alves, encerrou o bloco da comunidade ratificando a relevância do título e parabenizando a iniciativa legislativa.

Fado e o posicionamento em defesa dos Direitos Humanos – Antes do encerramento oficial, a fadista Letícia Ferreira foi anunciada para um momento de alta sensibilidade musical, interpretando três clássicos indiscutíveis do cancioneiro luso: a emblemática “Grândola, Vila Morena” (senha da Revolução dos Cravos), seguida por “Cheira Bem, Cheira a Lisboa” e finalizando com a tradicional “Uma Casa Portuguesa”, arrebatando o plenário.
Em seu discurso oficial como proponente, a vereadora Luna Zarattini contextualizou o papel de São Paulo como a “cidade dos mil povos”, construída por braços imigrantes. “Ao homenagear o nosso Cônsul-Geral, eu tenho certeza que a comunidade portuguesa também está sendo homenageada pelos serviços prestados”, afirmou.
Luna, que também preside a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara, trouxe o tom político e institucional da honraria, alertando para a ascensão global de ondas ‘conservadoras’ e ‘projetos autoritários’ da extrema-direita. Para ela, o título é também um posicionamento político do parlamento paulistano.
“É fundamental que tenhamos pessoas que se posicionem. O cônsul sempre trouxe na sua essência a defesa da democracia, tendo a Revolução dos Cravos como referência histórica. Ele conecta povos e traz o resgate da cultura na maior cidade da América Latina. A Câmara e a cidade de São Paulo ficam mais qualificadas a partir de hoje”, assegurou a parlamentar.

Origens e o sentimento de servir: O pronunciamento do novo paulistano – O ápice da solenidade foi a entrega oficial do Título de Cidadão Paulistano ao homenageado, acompanhada pela entrega de flores à sua esposa, a Sra. Rosa Maria Valente Rodrigues da Silva. Em seu pronunciamento de agradecimento, o Embaixador António Pedro dividiu o mérito da honraria com sua equipe, seus amigos e com toda a coletividade luso-brasileira.
O diplomata rebateu o cenário atual de divisões ideológicas. “Este reconhecimento é uma prova de que juntos somos capazes de ultrapassar todas as diferenças, todas essas supostas polarizações que nos querem atribuir, para construirmos o presente e o futuro unidos pelos valores da humanidade, dos direitos humanos, da liberdade e da democracia”, discursou. Ele ressaltou o orgulho em conciliar a identidade do “Portugal profundo” com o Portugal moderno, europeu e democrático legado pelo 25 de Abril de 1974, projetando essa unidade nas ações do Consulado. “O testemunho que mais me emocionaria deixar seria a ideia de estarmos juntos para construir uma comunidade e uma sociedade melhor”.
Ao final, de forma profundamente humana, o embaixador resgatou suas origens familiares para explicar sua vocação pública. Declarou-se, com orgulho, filho de servidores públicos: da Dona Maria Tarsília Cristelo Gonçalves da Vinha Rodrigues da Silva, dedicada ao ensino especial e à educação de infância, e de José Maria Rodrigues da Silva, magistrado e juiz. “Eles me transmitiram sempre esta ideia de serviço. Entrei na carreira diplomática com muito orgulho em representar o meu país, mas sempre com esta noção de serviço recebida dos que vieram antes de mim. Quando encontro em cada um de vós essa característica de generosidade, eu busco servir ao meu semelhante da melhor forma que posso”, concluiu o mais novo Cidadão Paulistano, debaixo de uma calorosa salva de palmas.


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