Jerónimo Lopes, candidato pelo PSD, empenhado em identificar e ajudar portugueses carenciados na diáspora

Por Igor Lopes

“Desenvolver uma rede consular mais ágil, apostar no uso da tecnologia, simplificar o acesso à nacionalidade dos netos de cidadãos nacionais, e reduzir a burocracia nesse processo”, são algumas das ideias defendidas pelo empresário Jerónimo Lopes, candidato integrante da lista do Partido Social Democrata (PSD) às eleições legislativas portuguesas 2019 pelo círculo de fora da Europa. Em entrevista à E-Global, este responsável, residente no Rio de Janeiro, sublinhou que um dos pontos que mais o preocupa enquanto lusodescendente é “identificar os cidadãos portugueses carenciados e que não tiveram sucesso nas ondas de emigração”. Jerónimo Lopes destacou também a importância do voto eletrônico e a necessidade de se reforçarem os serviços consulares.

Como avalia a comunidade portuguesa espalhada pelo mundo?

O povo, esteja onde estiver, é a maior riqueza de Portugal. As comunidades portuguesas estão espalhadas pelos cinco continentes e traduzem-se num potencial extraordinário. Há registo consular de portugueses em 178 países. Considerando que os países-membros das Nações Unidas são 193, isto quer dizer que só em 15 não há registo consular da nossa presença. Os portugueses na diáspora são os principais embaixadores da divulgação dos nossos valores históricos, culturais e econômicos.

Que ações e projetos pretende executar se for eleito?

Em primeiro lugar, precisamos, para atender melhor os emigrantes, desenvolver uma rede consular mais ágil e que corresponda à nova distribuição geográfica dos portugueses no estrangeiro. Para isso, devemos contar com os mais avançados recursos da tecnologia, minha área de atuação. Também é preciso simplificar o acesso à nacionalidade dos netos de cidadãos nacionais, sendo indispensável reduzir significativamente a burocracia que hoje é associada a esse processo. Outro ponto que muito me preocupa é identificar os cidadãos portugueses carenciados e que não tiveram sucesso nas ondas de emigração. Precisamos auxiliar essas pessoas. Reajustar a legislação eleitoral para garantir métodos de participação mais simples de votação e introduzir o voto eletrônico também são ações necessárias.

A qualidade dos serviços consulares, a proximidade da comunidade com o governo central em Portugal, a possibilidade de ajudar nas escolhas para o futuro do País e o apoio a casos sociais específicos são algumas das preocupações dos membros da comunidade portuguesa fora da Europa. Como espera superar esses desafios se tiver a oportunidade de ocupar um lugar na Assembleia da República?

Foi o PSD que conseguiu que os emigrantes votassem nas eleições presidenciais e que os netos de portugueses tivessem acesso à nacionalidade portuguesa, entre outras relevantes iniciativas. Tenho certeza que, juntos, continuaremos a lutar por melhorias, como a da qualidade dos serviços consulares que citou e que precisam urgentemente de modernização. Faltam pessoal, capacitação e recursos tecnológicos para atender melhor a todos nós. Hoje, estão em uso equipamentos e sistemas defasados. Em Portugal, o Cartão Cidadão demora cinco minutos para ser feito. Aqui no Brasil, o tempo é multiplicado por dez, fora a dificuldade de agendamento, porque não há um número de funcionários adequado para atender a toda a demanda. Sem uma boa estrutura, a consequência é o atraso nos prazos, o que atrapalha a vida das pessoas que têm compromissos a cumprir em Portugal, seja a trabalho ou em função do estudo. É uma obrigação, por meio do uso da tecnologia, nos esforçarmos para diminuir o número de deslocamentos até os postos. Hoje em dia, tudo se resolve ao alcance da mão. A VFS Global – que presta serviços terceirizados para o governo português – tem sido alvo de inúmeras reclamações por não cumprir os prazos que ela própria determina, sem falar nas várias tarifas que são adicionadas aos processos. Tudo está muito oneroso e demorado. Essa questão é uma das nossas maiores preocupações, sem sombra de dúvida. Sobre os casos sociais específicos, eles precisam ser avaliados e essas pessoas, como portuguesas, devem ter a atenção que merecem. São desafios que venceremos juntos, com o apoio conjunto de todo o quadro ligado ao PSD. Com a vitória de Rui Rio como primeiro-ministro, acreditamos que a proximidade da comunidade luso-brasileira com o governo central será excelente.

Por que decidiu apresentar a sua candidatura?

Apresentei a minha candidatura por dois motivos. Primeiro: acredito que são necessárias melhorias no dia a dia dos emigrantes e que posso contribuir com isso. Em segundo lugar, tenho total confiança nas propostas apresentadas pelo PSD e que são importantíssimas para o futuro de Portugal. O partido sempre teve uma forte ligação com as comunidades portuguesas ao redor do mundo e esse elo é honrado há 45 anos.

Como enxerga a comunidade lusitana que vive no Brasil?

Desde que apresentei a minha candidatura, tenho percorrido o Brasil de Norte a Sul, indo ao encontro de toda a comunidade portuguesa, ao lado de José Cesário, que tem uma vasta experiência, atuando há mais de 15 anos como deputado que representa os portugueses dos países Fora da Europa. Continuarei a visitar as cidades para ouvir as angústias e também os desejos da comunidade lusitana. Em todos os lugares fui muito bem recebido por pessoas unidas no desejo de fazer Portugal presente em cada canto do Brasil. Então, enxergo da melhor forma possível a comunidade lusitana que vive no Brasil. É formada por grandes homens e mulheres que fizeram e fazem a diferença nesses dois países que têm um elo tão forte e histórico.

Ter alguém do Brasil na Assembleia da República pode representar oportunidades para a comunidade luso-brasileira?

Nossa representatividade na Assembleia da República é muito importante. Merecemos crédito junto aos eleitores porque foi o PSD que tomou iniciativas que permitiram o acesso à nacionalidade originária por parte dos netos de portugueses, o que foi muito bem-vindo por toda a comunidade luso-brasileira. Também atuamos na recuperação simplificada da nacionalidade por parte dos portugueses que a perderam no passado e na realização de novas permanências consulares fora dos consulados em condições técnicas modernas, idênticas às verificadas nos postos, além de um maior apoio ao ensino da língua portuguesa fora da Europa. Somente com representatividade conseguiremos mais conquistas para a nossa comunidade.

Que mensagem deixa para os eleitores?

Há uma frase que gosto sempre de lembrar e que tenho usado muito: “É fácil tirar um português do coração de Portugal, mas é impossível se tirar Portugal do coração de um português”. Os brasileiros em Portugal e os portugueses no Brasil são parte da mesma família. Por isso, peço que os eleitores não deixem de exercer o direito de votar para juntos trilharmos um futuro melhor para todos nós. É muito importante fazer isso o mais rápido possível, porque os Correios, tanto de Portugal como do Brasil, têm demorado muito para entregar as correspondências.

Quem é Jerónimo Lopes?

Sou um empresário de 55 anos, natural do Rio de Janeiro, mas com raízes profundas no distrito de Viseu, mais precisamente em Souselo, conselho de Cinfães, onde nasceram os meus pais e avós e onde também vivi parte da minha infância. Licenciei-me em Informática pela Pontifícia Universidade Católica (PUC). Depois, completei a minha formação com um MBA em Tecnologia da Informação em Gestão Estratégica de Programas e Projetos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente, presido o Conselho e sou consultor da RJNET Empreendimentos Imobiliários, empresa estabelecida na Barra da Tijuca, no Rio. Comecei a trabalhar antes de completar 15 anos, levado pelo meu pai, António Lopes, nome à frente do Grupo Três Poderes Supermercados. Sou incansável para trabalhar, assim como ele foi.

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