Centro Cultural Português de Santos reinaugura espaço restaurado e homenageia presidente José Duarte

Foto Mundo Lusíada
>> Ao completar 77 anos, José Duarte de Almeida Alves dá nome a salão histórico em solenidade que reuniu autoridades, empresários e a comunidade luso-brasileira.

Por Odair Sene

O Centro Cultural Português de Santos (CCP) viveu um dia histórico no último 20 de maio. A instituição promoveu a reinauguração do antigo “Salão Cerejeira” após um minucioso processo de restauração que durou três anos e revelou pinturas originais dos séculos 19 e 20, encobertas por décadas sob mais de sete camadas de tinta. Com a conclusão das obras, o espaço foi rebatizado e passa a chamar-se oficialmente “Salão José Duarte de Almeida Alves”, uma homenagem ao atual presidente da casa, que na mesma data celebrava o seu 77º aniversário. O restauro contou com importantes apoios tanto do poder público local quanto do Governo Português, por meio da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, reforçando o valor cultural e patrimonial do prédio.

A solenidade, considerada uma das mais relevantes da atual gestão, reuniu diversas personalidades locais e da comunidade luso-brasileira. Entre os presentes estiveram a prefeita de Santos em exercício, Audrey Kleys; o presidente da Câmara Municipal, vereador Adilson dos Santos Junior; o secretário de Urbanismo, Fábio Ferraz; o diretor da entidade, João Batista; o professor Luiz Paulo Neves Nunes; além do empresário Paulo Mendes (representando o empresariado) e de diretores do CCP. O prefeito Rogério Santos não pôde comparecer por motivos de saúde. A cerimônia também foi marcada pela presença familiar de José Duarte, acompanhado de sua esposa, Maria de Fátima, e de seus filhos, Daniel e Paulo.

O reconhecimento ao trabalho de José Duarte, que se dedica voluntariamente há quase 30 anos à liderança da instituição centenária, foi o fio condutor dos discursos. O presidente da Beneficência Portuguesa de Santos, Ademir Pestana, relembrou (numa entrevista) a trajetória do dirigente desde os momentos iniciais de união das entidades que culminaram na criação do Centro Cultural. Segundo Pestana, a atuação de “Jô Duarte” foi capaz de revigorar as atividades da Colônia na Baixada Santista, congregando as associações em torno da preservação dos costumes e das origens portuguesas para as futuras gerações.

A importância da conservação do patrimônio também foi destacada pela Sra. Celeste Veríssimo Mendes, figura emblemática que participa do Centro Cultural há cerca de 50 anos e foi responsável por benfeitorias importantes no local, como a aquisição dos aparelhos de ar-condicionado (por exemplo). Emocionada, Dona Celeste classificou o salão como um presente histórico para a cidade e elogiou a dedicação do presidente. Na ocasião, ela também compartilhou o orgulho de ver a memória de seu falecido marido, o empresário Armênio Mendes, perpetuada em um quadro no Salão Camoniano.

Representando o poder público local, a prefeita em exercício Audrey Kleys exaltou a competência técnica e o amor demonstrados pela comunidade na preservação da história luso-santista. Durante o seu discurso, a governante assumiu o compromisso público de levar os alunos da Rede Municipal de Ensino para visitarem o espaço, permitindo que as crianças vivenciem de perto a obra-prima recuperada. Audrey sublinhou que a homenagem a Duarte é mais do que merecida, pois o dirigente “não deixa a história se apagar”.

A restauração artística que encantou os convidados foi conduzida pela especialista Andreia Naline. Natural de São Bernardo do Campo e com formação em patrimônio histórico na própria cidade de Santos, Andreia explicou ao Mundo Lusíada que as prospecções começaram em 2024 e o trabalho pictórico foi finalizado pouco antes do evento. Para a profissional, o processo foi “extremamente prazeroso” por devolver ao salão uma riqueza artística comparável à do renomado Salão Camoniano, elevando o status cultural do CCP.

Ao final da cerimônia, visivelmente comovido e cercado pelo carinho dos convidados, o presidente José Duarte de Almeida Alves fez uso da palavra para agradecer as homenagens. Nascido em Vale de Cambra, Portugal, em 1949, e residente no Brasil desde 1975 — onde fundou a empresa Jô Duarte Balanças e Refrigeração —, o empresário destacou que nunca buscou honrarias e que a mudança do nome do salão, idealizada durante as comemorações dos 130 anos da entidade em novembro de 2025, foi uma surpresa de sua diretoria.

Duarte fez questão de dividir o mérito com os seus cerca de 30 diretores, com o Conselho Deliberativo e com as 25 “andorinhas” do Grupo de Apoio à Presidência (GAP), que organizam os eventos da casa. O presidente também fez um agradecimento especial ao jornal Mundo Lusíada pelo apoio e cobertura das atividades do Centro Cultural ao longo de quase três décadas. Por fim, Duarte dedicou palavras de profundo afeto à sua família, apontando-a como o esteio que permitiu que ele deixasse muitas vezes o próprio comércio para trabalhar diariamente em prol da comunidade. “Minha mulher não é nota 10, é nota mil”, declarou o dirigente, exaltando o apoio incondicional de Maria de Fátima. Após a solenidade, os presentes confraternizaram em um café organizado pelo parceiro da casa “Fontoura Buffet” nas dependências do Centro Cultural Português.

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