A autarquia de Sintra aprovou hoje a atribuição da medalha de mérito municipal, no grau ouro, às quatro mais antigas fábricas de queijadas da Sapa, Piriquita, Gregório e Preto, pela promoção do patrimônio da vila e doçaria.
Segundo propostas do presidente da autarquia, Marco Almeida (PSD), o executivo aprovou, por unanimidade, atribuir a medalha de mérito municipal, grau ouro, na classe de mérito turístico e empresarial à Fábrica das Verdadeiras Queijadas da Sapa, à Casa Piriquita e às fábricas de queijadas do Gregório e do Preto.
“As queijadas de Sintra, com uma origem coeva, remontam ao século XIII e até meados do século XVIII eram de fabrico caseiro, tendo servido inclusive para pagamento de foros, conforme testemunhos documentais conservados na Torre do Tombo”, refere-se na proposta, a que a Lusa teve acesso.
A fabricação industrial deste doce iniciou-se em Ranholas, em 1756, e o simbolismo reputacional da sua genuinidade e singularidade mereceram inúmeras referências na literatura, com destaque em obras de Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, Albino Sampaio ou Pinheiro Chagas.
Enquanto “incontornável ativo turístico”, as “queijadas exportam o nome de Sintra para as mais longínquas geografias, como embaixador da excelência e da cultura”, considerou a autarquia.
Além de iniciativas com o objetivo de preservar as marcas e proteger a sua autenticidade, como a criação da Associação das Antigas Fábricas de Queijadas de Sintra, em 1997 o executivo municipal sintrense distinguiu com a medalha de prata de mérito municipal as quatro fábricas.
No caso da marca “Sapa”, instalada na Volta do Duche, cumpre desde 1756 um “histórico percurso, já que foi precisamente Maria Sapa quem primeiro as fabricou e ‘[…] em cuja casa conseguia reunir os mais autênticos fidalgos que estavam em Sintra’”, conforme relatos da época, perfazendo este ano 270 anos de existência.
O reforço do reconhecimento municipal, neste como nos outros casos, justifica-se pelo “incontestável e valioso contributo para o renome e prestígio de Sintra e para a afirmação da sua identidade e enriquecimento do património coletivo”.
A marca “Piriquita”, cumprindo desde 1862 um percurso que perfaz este ano 164 anos, também assente num projeto familiar, foi igualmente distinguida pela atividade em prol da doçaria tradicional atribuída à Casa Piriquita (Piriquita – Antiga Fábrica de Queijadas), na Vila Velha.
Já a marca “Gregório”, instituída em 1890, sob a designação “Recordação de Sintra”, cumpre este ano 136 anos de existência, mantendo determinação na defesa da qualidade pela Fábrica de Queijadas do Gregório, atualmente no bairro da Estefânea.
A marca “Queijadas do Preto”, num percurso iniciado em Chão de Meninos em 1931, que este ano perfaz 95 anos, tem contribuído também para a promoção do património concelhio, através da Fábrica das Queijadas do Preto, fundada por Joaquim de Almeida, na antiga freguesia de São Pedro de Penaferrim.
O executivo municipal aprovou ainda atribuir a medalha de mérito municipal, grau ouro, na classe cultural, ao rancho folclórico “As Lavadeiras do Sabugo”, por ocasião do 60.º aniversário, pela “ininterrupta atividade cultural em defesa da cultura popular do concelho”, bem como “da região saloia, preservando a sua identidade”.
O grupo folclórico, integrado na União Desportiva e Recreativa Sabuguense, fundado em setembro de 1966, é o mais antigo do concelho e tem feito uma “recolha persistente e sistemática de todas as tradições, trajos e instrumentos musicais utilizados na região saloia de antanho e sua divulgação junto da comunidade”.



