Caso confirmado de varíola dos macacos no Brasil é de viajante que esteve em Portugal e Espanha

Da Redação

O primeiro caso confirmado no Brasil de varíola dos macacos é de um homem de 41 anos, que está internado em isolamento no Hospital Emílio Ribas em São Paulo. Segundo a secretaria de Saúde de São Paulo, o homem esteve recentemente na Europa, passando por Espanha e Portugal,

Somente em Portugal 209 casos foram confirmados de infecção humana por vírus Monkeypox segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), mais 18 pacientes nas últimas 24 horas.

Até quarta-feira, dos nove casos suspeitos de varíola dos macacos (monkeypox) no Brasil, um já tinha sido descartado, no Ceará. Entre os demais casos suspeitos, cinco são do sexo masculino e três do feminino. Há dois casos sob monitoramento em hospitais, conforme informado pela Sala de Situação da Monkeypox, do Ministério da Saúde.

A Sala de Situação tem por objetivo divulgar orientações para resposta a casos dessa doença no Brasil, bem como direcionar as ações de vigilância quanto à definição de caso, processo de notificação, fluxo laboratorial e investigação epidemiológica no país.

Patrícia Carvalho, integrante do comando da sala, disse durante uma webinar promovida pelo ministério, que, entre os oito casos suspeitos, dois encontravam-se em Santa Catarina, nos municípios de Blumenau e Dionísio Cerqueira. Outros dois estão sob acompanhamento em Rondônia. “Trata-se de um casal de Rio Crespo (RO)”, disse.

“Dos casos suspeitos, três têm históricos de viagem para fora do Brasil”, acrescentou ela referindo-se a pessoas que vieram de Portugal, Argentina e Bolívia.

A representante da Secretaria de Vigilância de Saúde, Janaína Sallas, detalhou que, dos oito casos em situação suspeita, cinco têm até 28 anos de idade. Os cinco do sexo masculino tem idades entre 15 e 51 anos; e os do sexo feminino, idades entre 25 e 27 anos.

Até o momento, segundo as autoridades brasileiras, existe aumento de casos confirmados em pelo menos 31 países. O número está em 1.077 casos, sendo a maior parte em países onde a doença é endêmica, localizados no continente africano.

“Essa doença é um evento incomum e inesperado em áreas não endêmicas. Trata-se de um agente com alto potencial de transmissão por contato através de gotículas, principalmente por fluidos corporais, e existe a necessidade de assegurar a assistência – o que inclui tratamento, capacidade laboratorial, equipamentos de proteção, e descontaminação”, disse Janaína Sallas.

Patrícia Carvalho destacou, também, a importância de se notificar, o quanto antes, casos suspeitos que apresentem sinais e sintomas como febre, erupção cutânea e adenomegalia (espécie de íngua). Como a transmissão pode ser por fluidos corporais, gotículas ou materiais contaminados, ela sugere, como medida de prevenção, o uso de máscaras e a lavagem de mãos.

Também a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sedia neste dia 9 a primeira capacitação sobre diagnóstico laboratorial da varíola dos macacos para profissionais de saúde de sete países da América Latina. O treinamento é iniciativa da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), do Ministério da Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Participam técnicos de institutos nacionais de Saúde da Bolívia, do Equador, da Colômbia, do Peru, Paraguai, Uruguai e da Venezuela.

Serão discutidos até dia 10 procedimentos de detecção e diagnóstico do vírus no contexto de preparação e resposta a uma possível emergência sanitária. A capacitação inclui treinamento prático para realização de diagnóstico molecular pela metodologia de PCR em tempo real (protocolo padrão adotado pela Organização Mundial da Saúde). Além de aprender a realizar o teste diagnóstico, os profissionais serão capazes de identificar as linhagens virais, que são da África Central e da África Ocidental.

Europa
O representando da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Wildo Navegantes, falou sobre o cenário epidemiológico internacional, em especial sobre os casos de varíola dos macacos registrados em europeus que adquiriram a doença sem terem ido aos países endêmicos.

“Ao que tudo indica, o surto teve início em meados de abril. Há alguns casos de transmissões relacionadas a atividades sexuais. Em boa parte, envolvendo relações sexuais fortuitas e com multiparceiros”, disse.

Conforme os especialistas, a vacina contra a varíola humana apresenta bons resultados contra essa versão, que costuma estar mais presente em macacos e roedores. “Infelizmente, um estudo feito no Reino Unido mostrou que apenas 14% das pessoas da comunidade tomariam a vacina, caso tivessem acesso a ela”, disse.

“Mas o mais incrível é que apenas 69% dos contatos pertencentes a um grupo de trabalhadores da saúde disseram que, se tivessem a vacina disponível para tomar, aceitariam tomar. Acreditamos que um dado como esse envolvendo profissionais da saúde, 100% deveria aderir”, lamentou o representante da Opas.

Histórico
A varíola dos macacos foi descoberta pela primeira vez em 1958, quando dois surtos de uma doença semelhante à varíola ocorreram em colônias de macacos mantidos para pesquisa. O primeiro caso humano dessa variante foi registrado em 1970 no Congo. Posteriormente, foi relatada em humanos em outros países da África Central e Ocidental.

A varíola dos macacos ressurgiu na Nigéria em 2017, após mais de 40 anos sem casos relatados. Desde então, houve mais de 450 casos relatados no país africano. Entre 2018 e 2021, foram relatados sete casos de varíola dos macacos no Reino Unido, principalmente em pessoas com histórico de viagens para países endêmicos.

A monckeypox é endêmica em países da África Ocidental e Central, mas, desde o dia 13 de maio, 780 casos foram confirmados em 27 países fora da área onde a doença costuma circular. Segundo a Fiocruz, a maioria das pessoas com casos confirmados relatou viagens a países da Europa e América do Norte, em vez da África Ocidental ou Central. Na região das Américas, há casos confirmados no México (1), na Argentina (2), nos Estados Unidos (19) e no Canadá (58). No Brasil, havia oito casos suspeitos, em balanço divulgado pelo Ministério da Saúde.

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