O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, afirmou hoje que as propostas da Air France-KLM e da Lufthansa para a compra da TAP são “muito equivalentes” e que o critério da valorização financeira “será absolutamente central”.
No final da reunião do Conselho de Ministros em que o Governo aprovou uma resolução a convidar as duas empresas a apresentarem propostas vinculativas para a compra da transportadora portuguesa, Miguel Pinto Luz disse que os dois candidatos têm “dois planos industriais muito próximos, muito equivalentes, muito ambiciosos, muito alinhados com aquilo que foram os requisitos do caderno de encargos e os requisitos estratégicos que o Governo impôs”.
Na fase seguinte da corrida à compra da TAP, disse, o Governo terá “critérios que são ainda mais finos” em relação às dimensões definidas para o processo de privatização de parte do capital da empresa, mas depois terá “o critério da valorização financeira, que será absolutamente central”.
O dever de confidencialidade não permite ao Governo referir os valores propostos pelas duas empresas na primeira fase do concurso, mas, admitiu, “também nessa dimensão financeira as duas propostas estão muito equivalentes”.
Essa circunstância “deixa o Governo, de uma forma geral, muito confortável com esta dimensão, que nos diz que a nossa companhia está a ser, do nosso ponto de vista, bem avaliada”.
Pinto Luz disse que serão relevantes a dimensão estratégica, o plano industrial e a dimensão financeira.
Na primeira fase da compra da empresa, as duas empresas europeias apresentaram propostas não vinculativas e, agora, nesta segunda, em que têm de entregar uma proposta vinculativa dentro de 90 dias, terão de indicar uma oferta financeira e “outras propostas de valorização financeira”, bem como “informação sobre a obtenção dos meios financeiros” e outras propostas técnicas, “desde logo o plano industrial estratégico” e a visão da empresa sobre sinergias, referiu Miguel Pinto Luz.
Para isso, terão acesso a informação interna sobre a companhia portuguesa, disse.
O ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, também presente na conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros, afirmou que “até o momento o valor estratégico de médio e longo prazo da TAP não é afetado” pela guerra no Irã, mas ressalvou que o Governo está atento quer neste setor, quer na economia como um todo.
“Ambos os concorrentes olham para a TAP numa perspetiva de médio e longo prazo, como um ativo muito importante na sua estratégia de crescimento”, disse o ministro das Finanças.
Na corrida nesta fase estão a Air France-KLM e a Lufthansa, depois de a IAG, dona da Iberia e da British Airways, não ter avançado com uma proposta.
O Governo quer alienar até 49,9% do capital da companhia, dos quais 44,9% a um investidor de referência e até 5% reservados a trabalhadores, num processo em que serão tidos em conta o preço, o plano industrial, a conectividade e a capacidade financeira do comprador.
O Governo espera pode concluir a alienação este ano, admitindo tomar uma decisão sobre o comprador em Conselho de Ministros no final de agosto, princípio de setembro, sinalizou Pinto Luz.
O ministro disse que o processo de entrega das propostas vinculativas deverá estar fechado “no próximo mês de julho”, para que a Parpública, gestora das participações sociais do Estado, entregue ao Governo um relatório em agosto, para depois o executivo tomar a decisão final.




