Neste dia 30, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas atribuiu ao “sucesso” de Portugal a necessidade de imigrantes, para estes fazerem os trabalhos que os nacionais “não querem ou não podem fazer”.
Emídio Sousa falava durante o Fórum Portugal Nação Global, uma plataforma estratégica de ligação entre Portugal, a sua diáspora e os mercados internacionais, que decorre no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
“O sucesso do nosso país é precisamente já não haver portugueses para fazer certos tipos de serviços”, disse, acrescentando: “Por isso já há certos serviços que os portugueses já não fazem, já não querem fazer e é preciso fazer”.
O governante defendeu que Portugal precisa da imigração para responder às necessidades do mercado e rejeitou a ideia que a entrada dos estrangeiros no país esteja a pressionar os salários em baixa.
O país “vai continuar a precisar” de trabalhadores estrangeiros, sobretudo em funções menos qualificadas, disse.
Emídio Sousa referiu ainda que Portugal tem registrado progressos ao nível do rendimento e apontou para o aumento do salário mínimo e médio nos últimos anos, embora admita que “é preciso crescer muito mais”.
O governante defendeu ainda que o reforço da ligação à diáspora e a captação de investimento internacional podem contribuir para melhorar os salários, ao atrair empresas estrangeiras e criar novas oportunidades de emprego.
“Esperamos que, com esta ligação e estes negócios, Portugal possa ter melhores salários e mais investimento, incluindo empresas que operam a partir do estrangeiro”, afirmou.
No mesmo painel, o secretário de Estado afastou a ideia de que o regresso dos emigrantes portugueses deve ser uma prioridade, defendendo antes uma lógica de “nação global”, em que os portugueses no estrangeiro mantêm ligação económica ao país.
“Não devemos estar obcecados com o regresso. O importante é que se mantenham ligados a Portugal”, afirmou.
Interior
O SECP também defendeu que a mobilização de empresários da diáspora para o investimento em Portugal é uma oportunidade para os territórios de menor densidade poderem atrair investimento.
“Muitos destes emigrantes que estão no mundo e que emigraram há 60, 70, 80 anos têm raízes ao interior. Há aqui uma oportunidade boa para os territórios de menor densidade atrair o investimento, porque o mais importante para que um território fixe as pessoas é o emprego e é isso que queremos potenciar”, disse à agência Lusa Emídio Sousa.
Emídio de Sousa explicou que o fórum pretende aproximar empresários da diáspora e empresas nacionais, ao promover encontros de negócio e incentivar o investimento em diferentes regiões do país.
A sessão reúne 189 empresas da diáspora, 252 empresas portuguesas e 264 instituições, num total de 634 participantes de 43 países dos cinco continentes.
“Não é um desafio para regressar, é para regressarem no sentido do negócio”, afirmou Emídio Sousa, destacando que o objetivo passa por reforçar ligações econômicas e não incentivar o regresso permanente dos emigrantes.
O fórum reúne empresas de vários setores, incluindo tecnologia, construção, agricultura, distribuição e turismo, cabendo aos próprios empresários definir as áreas de investimento.
Emídio Sousa destacou ainda o papel dos municípios, que marcam presença para apresentar oportunidades de investimento nos territórios, admitindo que a iniciativa pode contribuir para atrair capital para regiões do interior.
“O mais importante para fixar pessoas é o emprego, e é isso que queremos potenciar”, afirmou.
Fundo Investimento
Já o secretário de Estado da Economia equacionou hoje a possibilidade de ser criado um fundo específico que facilite o investimento em Portugal por portugueses que vivem no estrangeiro e que assim contribuam para o crescimento económico do país.
“Será que faz falta um fundo específico para que a nossa diáspora possa investir e contribuir para o crescimento económico do país?”, questionou João Rui Ferreira, durante um debate sobre “comunidades, economia e territórios” que decorreu durante o fórum Portugal Nação Global (PNG), que decorre em Lisboa.
Para o governante, o melhor contributo que este evento poderá proporcionar é “dar uma ideia muito clara e que instrumentos são necessários” para potenciar o investimento da diáspora em Portugal.
Além da hipótese da criação de um fundo específico para o investimento da diáspora no território português, o secretário de Estado da Economia identificou a necessidade de um canal de diálogo, para que os potenciais investidores tenham quem os ouçam.
Esse canal tem de funcionar “com respeito, com cadência, medição de impacto, responsabilidade e seguimento do que é feito”, prosseguiu.
“Quem tem capital, se vir uma boa oportunidade investe. Agora, se vir que do lado de lá só encontra barreiras e não soluções…”, disse.
João Rui Ferreira garantiu que não será por falta de condições que não haverá investimento e referiu que “é diferente atrair um investidor estrangeiro e atrair um investidor da diáspora”.
O secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, levou ao debate o papel da autarquia como primeiro contacto do emigrante português que procura investir em Portugal e defendeu que os municípios disponham dos recursos financeiros adequados para fazer face aos investimentos que são necessários.
“Não vale a pensa que um empresário da diáspora queira investir no seu concelho, porque quer fazer crescer o seu território e depois não tenha uma área industrial que o possa acolher”, disse.
E defendeu: “Temos de dotar os municípios de ferramentas financeiras e por isso já começámos a rever a Lei das Finanças Locais”.
O Fórum Portugal Nação Global decorre até quinta-feira no Centro Cultural de Belém e pretende afirmar-se como uma plataforma permanente de ligação entre Portugal e a diáspora, promovendo negócios, investimento e cooperação internacional.




