Neste dia 09, António José Seguro foi saudado nas ruas de Angra do Heroísmo, no dia em que cumpriu três meses como Presidente da República, e sobre um eventual segundo mandato afirmou que “para já” são cinco anos em Belém. Seguro discursa neste 10 Junho pela primeira vez numa cerimônia militar comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nos Açores.
O chefe de Estado fez à tarde um passeio a pé pelo centro histórico de Angra do Heroísmo, classificado como património mundial da humanidade, depois do hastear da bandeira, na Pátio da Alfândega, que marcou o início das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
À mesma hora, enquanto António José Seguro percorria a Rua Direita, o anterior Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que também se deslocou à ilha Terceira para assistir à cerimónia do 10 de Junho, andava pelo centro de Angra, a pouca distância, subindo a Rua da Sé. Os dois não se cruzaram.
A meio do seu percurso, o Presidente da República teve, sim, um encontro, na centenária pastelaria Athanásio, com outra figura do PSD: o antigo presidente do Governo da Região Autónoma dos Açores e antigo presidente da Assembleia da República João Bosco Mota Amaral.
Durante esta caminhada, de cerca de uma hora e meia, António José Seguro cumprimentou quase toda a gente por quem passou, foi saudado com palmas e acenos de algumas varandas e janelas, ouviu agradecimentos pela presença na ilha Terceira por ocasião do Dia de Portugal e recebeu um elogio especial de uma funcionária de uma loja.
“Muito obrigada por mandar no nosso país, porque você é uma pessoa, entre aspas, como Deus. Homens do povo, com pé descalço, e é isso que nós precisamos no nosso país”, disse-lhe a mulher.
O chefe de Estado respondeu-lhe: “Muito obrigado, minha senhora, mas eu sou só um português, simples, como a senhora”.
À conversa com um idoso, que lhe disse que esperava viver “até ao resto dos seus dez anos” como Presidente da República, numa alusão a um segundo mandato, António José Seguro retorquiu: “Para já cinco, para já cinco”.
Acompanharam-no neste passeio a pé a presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Fátima Amorim, a representante da República para os Açores, Susana Goulart Costa, e o presidente destas comemorações do 10 de Junho, Miguel Monjardino.
O Presidente da República parou para falar com residentes na ilha Terceira, emigrantes e turistas, a quem manifestou o desejo de que visitem Portugal mais vezes e explicou que era véspera de feriado nacional. “Vocês têm o 4 de Julho, nós temos o 10 de Junho”, disse, em inglês, para um grupo de norte-americanos.
Na papelaria Loja do Adriano, António José Seguro recordou que também o seu pai “tinha uma papelaria”, onde trabalhou “várias vezes, nas férias”, e comprou o livro “A Grande Rutura – Cadernos de geopolítica”, de Miguel Monjardino, que pediu para o professor universitário assinar.
Comemorações
Na chegada a Angra, questionado se escolheu comemorar o 10 de Junho na ilha Terceira também como forma de afirmação da soberania nacional, por causa da Base das Lajes, o Presidente da República respondeu que “todos os dias afirma a soberania de Portugal”, seja nos Açores ou “em qualquer canto” do país.
Questionado sobre a utilização da Base das Lajes no atual contexto de guerra contra o Irão e sobre uma eventual revisão do acordo de cooperação e defesa entre Portugal e os Estados Unidos da América – que defendeu em janeiro, enquanto candidato presidencial –, António José Seguro não quis comentar, nesta altura, essas questões.
“Não é o momento para falarmos dessas situações. Este é um momento para celebrarmos Portugal, é um momento de união do nosso país”, justificou o chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas.
Sobre as relações com os Estados Unidos da América, referiu que as suas posições são conhecidas: “Eu sou um defensor da manutenção da NATO como organização de defesa e de segurança e considero que nós devemos ter boas relações com os Estados Unidos da América. Devemos aprofundar essas relações a todos os níveis, económico, comercial, de segurança”.
O Presidente da República acrescentou que é também conhecida a sua posição a favor da “autonomia estratégica da Europa, designadamente também em matéria de segurança e defesa”, e sustentou que “as duas dimensões são perfeitamente complementares”.
António José Seguro salientou que se cumprem 50 anos da consagração constitucional da autonomia regional dos Açores e da Madeira e disse que a sua preocupação com a unidade nacional foi uma das razões que o levou a comemorar esta data na ilha Terceira.
A cerimônia militar comemorativa do Dia de Portugal terá lugar no Cerrado do Bailão, em Angra do Heroísmo, com início às 10:15 locais (11:15 em Lisboa). Haverá honras militares e uma homenagem aos mortos em combate, antes das intervenções do presidente das comemorações, Miguel Monjardino, e do Presidente da República, e depois um desfile militar.
A seguir, o programa do chefe de Estado inclui um almoço com a população, no Porto Judeu, uma cerimónia de condecoração da Universidade dos Açores e o arriar da bandeira nacional, que encerra as comemorações do Dia de Portugal.
Nesta terça-feira, o Presidente da República teve um encontro com jovens que não estudam nem trabalham, na Praia da Vitória, sem comunicação social, e de noite assistiu a um concerto na Praça Velha e a um espetáculo de fogo de artifício na baía de Angra, e ainda se juntou momentaneamente a uma sessão de declamação de poesia num café-livraria, até perto da meia-noite.
Durante o concerto, em versos de cantorias ao desafio, António José Seguro foi descrito como “moderado nos desejos, porque está a substituir a presidência dos beijos”, e ouviu que “para que um Presidente se destaque nesta nação portuguesa não pode ir muito ao ataque nem pode ir muito à defesa”.
Na primeira fila da assistência estavam, além das autoridades regionais, o anterior Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e o ministro da Defesa Nacional e presidente do CDS-PP, Nuno Melo, que se deslocaram aos Açores para o 10 de Junho.
Também vão estar na cerimónia militar do Dia de Portugal o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.
Da lista de entidades presentes constam ainda, entre outros, o ministro da Presidência, o secretário-geral do PS, os líderes parlamentares do PSD, Chega, PS, CDS-PP e Livre, a porta-voz do PAN, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas e os chefes dos três ramos militares, os presidentes do Tribunal Constitucional e do Supremo Tribunal Administrativo e o procurador-geral da República.




