ONU: Portugal vai defender no Conselho de Segurança que “não há conflitos de segunda”

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel (2D), durante a sua audição na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, sobre as divergências relativas à utilização da Base das Lajes, na Assembleia da República, em Lisboa, 17 de junho de 2026. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Portugal vai defender no Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde assume um lugar de membro não-permanente em janeiro de 2027, que não há “conflitos de segunda classe”, disse hoje no parlamento o ministro dos Negócios Estrangeiros.

“Não há conflitos de primeiro e de segundo nível, uns criam tantos danos humanitários como os outros, mas estão na sombra”, afirmou hoje Paulo Rangel durante uma audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.

Para o ministro, os conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia “consomem toda a atenção”, enquanto prosseguem conflitos em países como Sudão, República Democrática do Congo, Haiti ou Myanmar, e nos quais o Conselho de Segurança poderia fazer mediação.

Esta posição, adiantou, será um ponto essencial da agenda de Portugal como membro não-permanente do Conselho de Segurança no biénio 2027-2028, lugar para o qual foi eleito no passado dia 03 com 134 votos.

Para o ministro, a eleição de Portugal, que liderou a votação no grupo da Europa Ocidental e Outros Estados, reflete uma “grande ratificação da política externa do Governo português”.

“Se ela fosse terrível e humilhante para Portugal, como alguns dizem, não teríamos 134 pontos, teriam dito que este país é hipócrita”, comentou, criticando o que chamou infantilização da política nacional, numa alusão ao PS, que condenou como “humilhação planetária” a posição do Governo sobre o uso da base das Lajes pelos Estados Unidos nos ataques ao Irã.

Israel

 O ministro considerou que a União Europeia deveria “ser mais firme” na pressão sobre Israel, lamentando que os 27 não tenham aprovado sanções contra dois ministros de extrema-direita, que são “fator de perturbação”.

“A UE devia ser mais firme, temos alguma capacidade de pressão. Caso contrário, seria visto como indiferença e não podemos ser indiferentes”, considerou ainda Paulo Rangel.

Para o chefe da diplomacia portuguesa, é “muito importante fazer uma grande pressão sobre Israel”, onde “a radicalização está em curso e pode fazer perigar equilíbrios frágeis”.

“Lamento que o Conselho de Negócios Estrangeiros [da União Europeia] não tenha sido capaz de decretar sanções aos ministros que são fator de grande instabilidade e perturbação”, afirmou, referindo-se a Itamar Ben-Gvir (Segurança Nacional) e Bezalel Smotrich (Finanças).

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