A vila de Óbidos vai avançar com a candidatura a Capital Portuguesa da Cultura 2028, anunciou hoje o município, que pretende afirmar uma nova centralidade para a cultura nas políticas públicas.
“A candidatura de Óbidos é, acima de tudo, um desafio e uma oportunidade para lançar o debate e promover esta reflexão sobre qual é o papel da cultura no desenvolvimento, não só de Portugal, mas acima de tudo do território de Óbidos”, disse à agência Lusa o vereador com o pelouro da Cultura na Câmara de Óbidos, Ricardo Duque.
“Fazer da cultura, e em particular da literatura, uma verdadeira política pública, um exemplo para o país e também um exemplo para a Europa” é o principal objetivo da candidatura que deverá ser entregue em agosto e que pretende demonstrar como “a partir da literatura se conseguem transformar políticas públicas, valorizar os territórios, combater as desigualdades, reforçar hábitos de leitura e, acima de tudo, qualificar a democracia”, disse o vereador.
Óbidos “já é, por si só, um exemplo (…), quando investe cerca de 20% do seu orçamento municipal na área cultural”, acrescentou Ricardo Duque, sublinhando que o município concorre a Capital Portuguesa da Cultura com “uma proposta de investimento transformadora para o país”.
Cidade Criativa da UNESCO na área da Literatura desde 2015 e palco de dois festivais anuais de literatura (Folio e Latitudes) Óbidos aposta da literatura e na língua portuguesa como a principal linha da candidatura que propõe a criação de um Centro Internacional da Literatura e do Conhecimento, “uma grande infraestrutura cultural do século XXI, concebida como biblioteca contemporânea, centro de criação artística, espaço de investigação, auditórios, galerias, residências criativas e fóruns de participação coletiva”, divulgou a Câmara.
Integrará igualmente um Centro de Internacionalização da Língua Portuguesa, dedicado à tradução, à diplomacia cultural, à formação, à investigação e à circulação de autores e criadores dos países da CPLP.
“Este é um dos desafios. Que Óbidos se afirme como uma das capitais internacionais da língua portuguesa e que Portugal possa assumir essa posição de liderança cultural no espaço lusófono, um trabalho que temos ao longo dos anos, com os parceiros da lusofonia”, sublinhou o vereador, adiantando que o município prepara para 2028 dois novos festivais literários, “um dedicado à poesia e outro dedicado à área infantil e juvenil”.
Além da literatura, a candidatura assenta “num conjunto de áreas que, de alguma forma, se interligam”, como cinema, fotografia, música e arte contemporânea, exemplificou.
Num comunicado em que anuncia a candidatura, a Câmara de Óbidos sustenta que a sua visão “encontra eco num conjunto de algumas das mais relevantes vozes da Literatura e da Cultura contemporâneas, que aceitaram associar-se a esta candidatura enquanto seus embaixadores”.
Entre eles contam-se a jornalista e presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Rio, e os escritores Mia Couto (Moçambique), José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, José Eduardo Agualusa (Angola), Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso, Valter Hugo Mãe e Tatiana Salem Levy (Brasil).
O objetivo será juntar “uma centena de embaixadores das diversas áreas” até à entrega da candidatura, que afirma a cultura como “um recurso estratégico” para a regeneração dos territórios que apostam “numa política de criação de conhecimento, de oportunidades, de riqueza, de futuro”, vincou Ricardo Duque.
O projeto da Capital Portuguesa da Cultura foi anunciado em dezembro de 2022 pelo então ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva. A primeira edição teve lugar em Aveiro em 2024, a segunda em Braga, em 2025, e Ponta Delgada, cidade da ilha de São Miguel, este ano.
O prazo de candidatura decorre durante 150 dias, a partir de 30 de abril, e a cidade vencedora será conhecida a 09 de dezembro de 2026.
À semelhança das edições anteriores, a Capital Portuguesa da Cultura contará com uma dotação financeira estatal de 1 milhão de euros (Ponta Delgada teve um acréscimo de 300 mil euros devido à insularidade).




