Dos 1,6 milhões de estrangeiros residentes em Portugal, 574 mil são brasileiros, uma contagem global que continua a indicar mais homens do que mulheres imigrantes, segundo dados hoje divulgados pelo INE.
De acordo com os dados das estimativas da população residente em 2025, hoje apresentadas pelo INE, a população residente de nacionalidade estrangeira em Portugal “foi estimada em 1.597.539 pessoas, das quais 913.249 (57,2%) homens e 684.290 (42,8%) mulheres, representando 14,0% do total da população residente”.
No que diz respeito às nacionalidades, o INE estima que residiam em 2025 um total de “574.195 cidadãos de nacionalidade brasileira, o que corresponde a 35,9% da população estrangeira residente”, mas do que duplicando o número em relação a 2021 (106,5%), com um acréscimo de 296.086 pessoas.
“A nacionalidade angolana era, em 2025, a segunda principal nacionalidade estrangeira, abrangendo 103.140 pessoas (6,5% do total de estrangeiros), o que representa igualmente um acentuado aumento em comparação com 2021 (33.099)”.
Seguem-se os indianos (93.683 pessoas, com 37.914 em 2021), cabo-verdianos (76.099), nepalês (56.866), cidadãos do Bangladesh (56.724) e guineenses (53.555).
A seguir a estas nacionalidades, seguem-se os ucranianos (53.555), são-tomenses (47.731), paquistaneses (39.638), cidadãos do Reino Unido (38.640), italianos (32.784), franceses (26.549), chineses (23.439) e alemães (21.635), na lista publicada pelo INE.
Numa comparação entre os dados de 2021 e 2025, segundo o INE, os são-tomenses constituem o grupo de imigrantes que mais aumentou em termos percentuais (mais 263%), seguindo-se os cidadãos do Bangladesh (230%), do Paquistão (215%) e angolanos (212%), as únicas nacionalidades que triplicaram o seu volume.
Numa análise a partir das regiões-plano (NUT2), o Norte é a região “onde reside o maior número de pessoas (3.790.554), concentrando 33,2% do total da população, seguida pela Grande Lisboa (2.415.261) e pelo Centro (1.771.259), onde residem, respetivamente, 21,1% e 15,5% da população total”.
“Em 2025, a região Grande Lisboa, onde residiam 546.419 pessoas de nacionalidade estrangeira, concentrava 34,2% do total de estrangeiros em Portugal, seguindo-se a região Norte, com 311.095 residentes de nacionalidade estrangeira e representando 19,5% do total”, pode ler-se nas conclusões do INE
Numa análise proporcional, os Açores são a região com menor número de população estrangeira (apenas 0,6% do total) enquanto “o Algarve, com 161.556 estrangeiros, destacou-se como a região com maior peso de população estrangeira no total de residentes na região, com 27,9%”, seguindo-se Lisboa (22,6%) e Península de Setúbal (18,3%).
A presença de imigrantes também contribuiu para um aumento da população ativa, contrariando a redução da população jovem.
“Entre 2021 e 2025, a proporção de jovens (população dos 0 aos 14 anos de idade) diminuiu de 13% para 12,4% da população total” e a ”percentagem de pessoas em idade ativa (população dos 15 aos 64 anos de idade) aumentou, de 63,7% para 64,3%, contributo dos fluxos migratórios recentes que tendem a concentrar-se nesta idade”, refere o INE.
Imigrantes e nascimentos
O aumento dos imigrantes permanentes em Portugal começou a diminuir em Portugal em 2024, quando o Governo mudou as regras migratórias, mas a entrada regular de estrangeiros tem assegurado a reposição da população.
Segundo INE, a entrada de imigrantes tem compensado o saldo natural negativo – diferença entre óbitos e nascimentos -, algo que se tem verificado nos últimos anos.
“Em 2025, o acréscimo populacional resultou do saldo migratório positivo, de 70.862, ter compensado o saldo natural negativo, de menos 34.053” pessoas, refere o INE, salientando que o país tem tido sempre menos nascimentos que óbitos nos últimos anos.
Entre 2024 e 2025, o aumento da população residente foi de 36.809 pessoas, que só se verificou porque continuaram a entrar imigrantes no país, já no quadro das novas medidas migratórias, definidas pelo executivo PSD/CDS.
Hoje, o INE reviu toda a série de valores desde os censos de 2021, incorporando os dados de estrangeiros atualizados pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo, bem como uma nova contagem de informações administrativas cruzadas, que será a base para análises posteriores.
Em 2023, quando apresentaram dados finais referentes aos censos de 2021, o INE concluiu que a população era de 10.421.117 residentes, com um número de imigrantes permanentes a atingir os 97.119 cidadãos.
Agora, após a revisão sucessiva dos valores, o INE aponta para 10.599.117 pessoas em 2021 (mais 178 mil, correspondente a um aumento de 1,7 por cento em relação estimado para 2020), 10.929.704 em 2022 (mais 3,1%), 11.204.347 em 2023 (2,5%), 11.387222 (1,6%), chegando depois ao valor total em 2025 de 11.424.031 (0,32%).
“Entre 2022 e 2025, com saldos naturais negativos, a população residente em Portugal aumentou impulsionada pelos saldos migratórios positivos, que atingiram valores excecionalmente elevados nos anos de 2022, 2023 e 2024, respetivamente de 371.277, 307.288 e 216.629, correspondendo a taxas de crescimento migratório de 3,45%, 2,78% e 1,92%”, refere o INE.
De acordo com o INE, há um aumento de 59.113 pessoas estrangeiras residentes em 2025, mostrando uma redução do crescimento verificado entre 2021 e 2025, em que este tipo de população mais do que duplicou, o que correspondeu a “um aumento de 849.384 pessoas (passando de 748.155 para 1.597.539)”, com os aumentos mais expressivos verificados em 2022 (326.090), 2023 (275.929) e 2024 (188.252).
O ano de 2024 reflete uma primeira diminuição do aumento depois de o Governo tem eliminado as manifestações de interesse, uma figura jurídica que permitia a regularização em Portugal de quem chegasse ao país com o visto de turismo, desde que tivesse descontos.




