Incêndios: Eixo Atlântico defende criação de centro de coordenação entre Portugal e Espanha

Incêndio na encosta da aldeia de Moura da Serra, Arganil, 14 de agosto de 2025. De acordo com os dados disponíveis no ‘site’ da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), quase 900 operacionais combatiam o fogo que deflagrou na quarta-feira na freguesia de Piódão, no concelho de Arganil, distrito de Coimbra, e se estendeu depois aos municípios de Oliveira do Hospital e Pampilhosa da Serra (Coimbra), e de Seia, já no distrito da Guarda. PAULO CUNHA/LUSA

 O secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoan Mao, defendeu hoje a criação de um centro de coordenação conjunto entre Portugal e Espanha para gerir e combater os incêndios na zona transfronteiriça.

No final de uma reunião com o Presidente da República Portuguesa, António José Seguro, que decorreu na Câmara Municipal de Viana do Castelo, Xoan Mao contou que a ideia é que os dois países, nomeadamente a região Norte e a Galiza, possam ajudar-se mutuamente no combate aos fogos, partilhando meios e recursos.

A liderança do centro de coordenação seria feita, à vez, por um responsável português e espanhol.

“O que pedimos é que nas zonas de fronteira, numa área de 50 a 100 quilómetros, haja um centro de coordenação único dos dois países para gerir os incêndios”, explicou.

O objetivo, mais do que os países se ajudarem um ao outro quando o incêndio está em curso, é que, mal deflagre, haja uma partilha de recursos para não o deixar ganhar grandes proporções, adiantou.

Xoan Mao assinalou que, quando não controlados logo no início, os incêndios propagam rapidamente, daí a importância de haver recursos e meios para atuar.

Em sua opinião, não é só necessário pensar no combate aos fogos, mas na organização do território e na formação dos operacionais.

“O que temos de fazer é traçar uma estratégia muito mais ampla pensando, pelo menos, a uma década porque os incêndios vão piorar”, considerou.

Dizendo que uma das questões centrais é a formação dos operacionais, o secretário-geral do Eixo Atlântico apontou três problemas nos fogos, designadamente a prevenção, o combate e a forma como se combate.

“A água cai e apaga o incêndio, mas depois o que acontece com essa água? Essa água arrasta a natureza morta e lodos e causa, depois, inundações”, apontou.

Xoan Mao contou que António José Seguro ouviu, mas, dada a sua função, não pôde prometer nada.

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