Patrimônio é maior edificação militar portuguesa fora da Europa.
Da Redação
A convite do Exército brasileiro, a Embaixadora de Portugal Isabel Brilhante Pedrosa, acompanhada pela Adida de Defesa, participou, nos dias 19 e 20 de junho, nas celebrações dos 250 anos do Real Forte Príncipe da Beira, no estado de Rondônia.
No dia 20 de junho, uma formatura marcada por simbolismo foi realizada na cidade rondoniense de Costa Marques, onde está localizado o forte, a 730 km da capital do estado, Porto Velho (RO). A cerimônia foi um tributo àqueles que alcançaram um grande feito da engenharia militar, erigindo em plena floresta amazônica e com poucos recursos tecnológicos disponíveis a maior edificação militar portuguesa fora da Europa durante o período colonial, construída entre 1776 e 1783.
Organizadas pela 17.ª Brigada de Infantaria de Selva, as cerimónias reuniram autoridades civis e militares, convidados e representantes da comunidade local para assinalar a história e o significado deste monumento, um dos mais relevantes patrimônios da Amazônia brasileira, essencial na consagração das fronteiras do Brasil e na configuração da sua dimensão continental.
“As comemorações destacaram o valor do Real Forte Príncipe da Beira, um símbolo da memória partilhada entre Portugal e Brasil bem como a importância da preservação deste exemplar icónico da arquitetura militar do século XVIII para as gerações futuras, que continua a desempenhar um papel fundamental na afirmação da soberania brasileira na região amazônica” destacou a Embaixada.
Um dos momentos marcantes da solenidade foi a colocação de uma coroa de flores no busto do Governador da Capitania de Mato Grosso, Luiz de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, que escolheu o local para a construção do forte. Também foi inaugurada uma placa comemorativa aos 250 anos da fortificação.
Presente nessa ocasião, o Comandante Militar da Amazônia, General de Exército Luiz Gonzaga Viana Filho, falou a respeito da importância da data e do legado deixado por aqueles que construíram o forte. “O Forte Príncipe da Beira é um marco da engenharia militar e exemplo vivo da nossa história, preservada pelo Exército Brasileiro. Essa construção nos remete à famosa frase do General Rodrigo Octávio, que dizia ser árdua a missão de desenvolver e defender a Amazônia, porém muito mais difícil foi a missão de nossos antepassados de conquistá-la e mantê-la. É nossa missão dar continuidade a esse legado”, ressaltou.
O Real Forte Príncipe da Beira, construído entre 1776 e 1783, e que se assume como um importante testemunho da história, da identidade e da cooperação entre os dois países, recebeu da UNESCO, em 4 de dezembro de 2025, o estatuto “Proteção Reforçada” pelo seu valor cultural excepcional.
Ainda durante o evento, foram lançados pelos Correios um selo e um carimbo comemorativos aos 250 anos do forte. Além disso, a Academia de História Militar Forte Príncipe da Beira lançou o livro “Tributo aos vultos históricos” e premiou alunos de escolas locais que se destacaram em concurso literário a respeito da efeméride.
Disputa entre Coroas
O contexto da construção do Forte Príncipe da Beira foi o das disputas territoriais entre as coroas portuguesa e espanhola no século XVIII. A partir da concepção de que a permanência na terra e não mais de linhas demarcatórias em mapas garantia a soberania sobre um território, os portugueses, sob as ordens do Marquês de Pombal, começaram a erguer fortificações na então colônia brasileira, com o intuito de impedir invasões estrangeiras em busca de riquezas brasileiras.
A posição estratégica às margens do rio Guaporé, porta de entrada para o oeste amazônico e o ouro encontrado na região, determinou o local para a construção do forte, que tem 970 metros de perímetro, muralhas laterais de 7,20 metros de altura e quatro baluartes com capacidade para receber 14 canhões cada um. Foram utilizados modelos europeus de fortificações, porém adaptadas às condições tropicais, fazendo surgir soluções inovadoras na engenharia militar.
Pesquisador e autor de artigos sobre o Príncipe da Beira, o historiador Lourismar Barroso destaca o papel do Marechal Rondon para a preservação da história do forte, patrimônio histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Após a edificação já em ruínas e tomada por vegetação da selva ser “redescoberta” em uma expedição do Almirante José Carlos de Carvalho, em 1913, Rondon comandou uma inspeção de fronteira que chegou ao local em 1917, feito registrado em sua caderneta de bolso. Em 1930, o futuro Patrono das Comunicações coordenou a limpeza do local, onde foi criado pelo Exército, dois anos depois, um Pelotão Especial de Fronteira, que preserva a fortificação até os dias atuais.




