Aumenta número de brasileiros que pedem ajuda para deixar Portugal

Mundo Lusíada

Com a crise brasileira e a onda de violência sentida em tantas capitais, Portugal volta a ser destino de sonho para tantos brasileiros, que somam a maior comunidade estrangeira no país. Mas, apesar de não ser maioria, aumenta o número de brasileiros que estão retornando ao país.

A Organização Internacional para Migrações (OIM), através do Programa de Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração (Árvore), trouxe de volta ao Brasil mais de 1.600 brasileiros nos últimos cinco anos.

Somente em 2018, entre janeiro e junho, foram 222 brasileiros que desistiram de morar em Portugal e voltaram ao Brasil com passagens pagas pelo governo português, por meio do programa Árvore.

Por volta do ano de 2013, no auge da crise econômica portuguesa, o programa registrou pico desse tipo de ajuda para brasileiros, mais de 500 viagens de volta para casa. Um tipo de ajuda que volta a crescer desde o último ano.

Em 2017, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal concedeu mais de 4 mil novas autorizações de residência para brasileiros, uma comunidade que já passou dos 120 mil residentes no país, e que não contabiliza os muitos brasileiros com passaporte italiano ou imigrantes ilegais, que permanecem além do prazo do visto de turista de 90 dias.

“Têm-se registrado mais pessoas a pedir apoio após uma estadia curta, motivados pela dificuldade em regularizar a situação, pelo desemprego, ou trabalho precário associado, e consequentes dificuldades de subsistência no país. A grande maioria possuía um nível de escolaridade médio”, afirmou Patrícia Cunha, assistente de projeto da OIM Lisboa, ao portal UOL.

Segundo ela, a falta de informação e de planejamento da viagem é a principal causa para a vulnerabilidade econômica das pessoas atendidas pelo programa da OIM.

Também são muitos os brasileiros barrados no aeroporto e impedidos de entrar em Portugal. Os dados de 2017 do SEF divulga que no ano passado, 1.336 brasileiros foram impedidos de ingressar, um total 62% das recusas de entrada no país.

Entre os principais motivos, estão a ausência de documentos ou de comprovações de subsistência durante a estadia, e reais razões da viagem. O número de turistas brasileiros em Portugal só cresce, atingindo no ano passado mais de 800 mil turistas, e as autoridades estão mais atentas nas fronteiras.

Histórias
Dentre os relatos do programa, os brasileiros que retornaram se viram em momentos de dificuldade sem emprego ou renda suficiente para pagar as contas, ou ainda foram acometidos por problemas de saúde.

Uma das histórias é do sr. Francisco que chegou a Portugal pela primeira vez em 2000, trazendo mais tarde a mulher Fernanda. Até 2008, trabalhou na construção civil mas quando o trabalho começou a escassear, surgiu a ideia do regresso. Uma gravidez seguida de outra, do segundo filho do casal, adiou os planos. Com três dias de vida, o bebê teve um AVC, mas se recuperou bem sem sequelas. Com o ocorrido, o casal ficou destroçado e estar longe da família tornou tudo mais penoso. A decisão do retorno ressurgiu quando a esposa ficou sem trabalho e o subsídio de desemprego acabou.

Já os brasileiros Thiago e Eliza tomaram a decisão de (re)emigrar em Fevereiro de 2014 para Portugal com quatro filhos, procurando melhor qualidade de vida. Tentaram com a sorte, mas nada foi fácil, sem trabalho, sem conseguir inscrever as crianças nas escolas, e morando de favor.

Optaram por pedir apoio pois não tinham condições financeiras, desejando voltar em família e para junto dos familiares, que apoiaram no regresso, apesar do “fracasso”. “Hoje vejo que errei e agradeço a Deus que conseguimos retornar graças ao apoio da OIM, pois se não fosse este órgão, não poderíamos retornar todos juntos e sim aos poucos”, diz Thiago.

Em artigo no Estadão, Ruth Manus, brasileira que mora em Portugal desde 2014, relata o boom de Portugal nos últimos anos, uma descoberta não só de brasileiros mas de tantos estrangeiros que acabaram encarecendo algumas coisas no país, citando que “Portugal não é o paraíso”.

“Esse movimento todo gerou no país uma especulação imobiliária sem precedentes. Os imóveis, para comprar ou alugar, estão realmente muito caros. A diferença entre hoje e 2014, quando cheguei, é assombrosa. Mas atenção a um detalhe: os estrangeiros começaram a comprar e alugar casas com dinheiro vindo de fora, ou seja, os salários em Portugal não aumentaram na mesma progressão que o aumento dos preços para viver nas principais cidades. Resultado: quem vive do dinheiro que se paga a título de salário em Portugal, não está tendo dinheiro para pagar aluguel nas capitais. A conta não fecha” diz ela ao jornal.

Apesar disso, casos positivos de imigração brasileira também tomam a internet, principalmente relatos de brasileiros que vão em busca de segurança, pensando numa mudança planejada e realista. E com problemas demográficos pela frente, Portugal vem promovendo iniciativas políticas, inclusive para legalização de imigrantes no país.

Mais de 80 mil brasileiros migram para Portugal em busca de segurança

No ano passado
Em 2017, a ONU apoiou retorno de 707 brasileiros em situação de risco no exterior. Quase 40% deles estavam na Bélgica, e receberam apoio da Organização Internacional para as Migrações (OIM). Depois da Bélgica, os países de onde mais voltaram brasileiros pelo programa da OIM foi Portugal (33%), Suíça (7%) e Espanha (5%).

Por meio do seu programa de retorno voluntário, a OIM presta assistência administrativa, logística e financeira para solicitantes de refúgio com pedido de asilo negado, vítimas de tráfico, migrantes em situação irregular, pessoas qualificadas e outros migrantes vulneráveis que não podem permanecer em um determinado país.

No ano passado, dos mais de 700 brasileiros apoiados pela OIM, 48% eram mulheres e 52%, homens, e 1% dos beneficiários do programa foram vítimas de tráfico.

A agência das Nações Unidas conseguiu fornecer assistência para a reintegração de 186 deles a comunidades no Brasil. O apoio envolveu orientações e recursos para a abertura de um negócio próprio — em 36% dos casos —, ajuda para a retomada dos estudos e realização de capacitações profissionais (13%) e cuidados médicos (8%), além de outras formas de auxílio.

O estado de Goiás foi o que recebeu o maior número desses migrantes (33%), seguido por Minas Gerais (16%) e São Paulo (13%).

O serviço de assistência em Portugal engloba aconselhamento individualizado sobre a assistência ao retorno voluntário e à reintegração; ajuda na obtenção dos documentos de viagem; organização da viagem até ao destino final, assistência no aeroporto, sem custos. Saiba mais sobre o programa em www.retornovoluntario.pt.

3 Comments

  1. Porque se fosse facil emigrar …. E ainda bem que em Portugal ha assistencia ao emigrante que mudou de ideia e quer voltar ao pais de origem – isto ao contraio dos EUA, por exemplo. Entendo o desespero do brasileiro mas para emigrar para qualquer pais somente em dois casos: uma aventura (que quase sempre nao da certo) ou emigrar com emprego ou aposentado com renda fixa e segura. Aposto que os que se arrependem sao os que emigram infantil e irresponsavelmente (ou por puro desespero) – uma aventura que pode ou nao dar certo – e que geralmente nao da certo.

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