Da Agencia Lusa
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Estudantes do Timor Leste, beneficiados com a concessão de bolsas de estudos do governo brasileiro, passam por dificuldades para a adaptação cultural nas universidades brasileiras. A constatação é da Associação Missão Esperança (AME), uma organização não-governamental (ONG) sustentada em parte por doações de igrejas evangélicas, que oferece assistência a estudantes timorenses no Brasil. "Os timorenses vivem um verdadeiro trauma da língua porque falam o português, mas muitas vezes com um nível aquém das exigências dos cursos superiores", disse à Agência Lusa Suzi Alves da Silva, voluntária da AME. "O grande problema é que eles não tiveram um convívio satisfatório com a língua portuguesa, já que no dia-a-dia o tétum é mais utilizado", explicou, referindo-se ao idioma oficial timorense, ao lado do português. Outros problemas Suzi Alves, que trabalhou por três anos como voluntária da AME no Timor Leste, disse que muitos timorenses precisam reforçar os estudos de língua portuguesa paralelamente aos cursos nas universidades brasileiras. "Eles precisam de um apoio especial das universidades já que, em muitos casos, comunicam-se bem em português, mas precisam aprimorar os conhecimentos do idioma para o nível universitário", disse. Outro problema enfrentado pelos estudantes timorenses nas universidades brasileiras é a falta de alojamento, declarou a voluntária. Reunião A AME reunirá em São Paulo, no final de semana, 21 estudantes timorenses beneficiados pelo programa de concessão de bolsas do governo brasileiro. O objetivo será discutir os principais problemas e encaminhar sugestões às autoridades brasileiras para melhorar o programa de cooperação mantido atualmente pelo Ministério da Educação. Criada em 2000, a AME mantém atualmente sete voluntários no Timor Leste, responsáveis pela manutenção de três escolas e de uma clínica móvel, no interior do país. No total, cerca de 300 timorenses são beneficiados com os cursos de língua portuguesa e de informática nas escolas, além de consultas médicas gratuitas.
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