Vila Galé cancela resort na Bahia: “Vamos ser forçados a abandonar este projeto”

Mundo Lusíada

O grupo português Vila Galé anunciou esta segunda-feira que não vai mais construir um resort no estado da Bahia, nordeste do Brasil, em terreno que é reclamado pela comunidade indígena Tupinambá de Olivença. “Vamos ser forçados a abandonar este projeto”, declarou o grupo hoteleiro sobre o projeto que tem sido alvo de críticas.

Em comunicado oficial, o grupo declarou que tem vindo a ser alvo de “ataques por alguns que abraçam causas mediáticas, só aparentemente justas, e usam de falsidades, sem sequer procurarem minimamente obter a verdade dos fatos”.

Em abril de 2017, a Vila Galé foi convidada pelo Governo da Bahia e Prefeitura de UNA, próximo a Ilhéus, para realizar um investimento num mega resort para ajudar ao desenvolvimento da cidade, tendo sido estabelecida uma parceria com a empresa proprietária dos terrenos.

Após avaliação, a Vila Galé anunciou em Portugal e no Brasil, em julho de 2018, o investimento neste novo Resort e o contrato celebrado com o Estado e a Prefeitura. Após estudos (arquitetura, ambientais, etc.) os projetos foram aprovados pelas entidades competentes. O empreendimento estimava criar mais de 500 empregos diretos e cerca de 1.500 indiretos, adiantou o grupo português.

“No local e num raio de muitos kms, não havia nem há qualquer tipo de ocupação/utilização, nem sinais de qualquer atividade extrativista por parte de quem quer que seja. Não existe qualquer reserva indígena decretada para esta área, nem previsão de a vir a ser” declarou o grupo.

“Passaram 3 mandatos Governamentais anteriores, com vários Ministros da Justiça e nenhum deles aprovou a demarcação das terras indígenas. Certamente porque não encontraram fundamento legal para o efeito de decretar uma gigantesca área de reserva de 47.000 ha. Em resumo, não há sinais de ocupação indígena de qualquer espécie nesta área. Entretanto, tratando-se de um tema delicado que suscita estados emocionais por parte de alguns setores, fomos acusados de falsidades inconsistentes e graves”.

No mês passado, o portal The Intercept divulgou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) recebeu, em julho último, um pedido do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) para encerrar o processo de demarcação de uma reserva indígena no sul da Bahia, para a construção de um hotel de luxo. A área em causa pertenceria ao povo Tupinambá de Olivença, que luta pela demarcação daquelas terras há pelo menos 15 anos, e cuja primeira fase do processo foi concluída em 2009.

“Vamos ser forçados a abandonar este projeto. Com efeito, não é de nosso interesse que um hotel resort Vila Galé nasça com a iminência de um clima de ‘guerra’, ainda que injusta e sem fundamento, como são exemplo as ameaças proferidas na Embaixada de Portugal em Brasília e algumas declarações falsas, dramáticas e catastróficas que deveriam envergonhar quem as profere” traz o comunicado da Galé.

O grupo hoteleiro ainda agradeceu a Embaixada de Portugal em Brasília e entidades oficiais no Brasil, incluindo Deputados federais e estaduais que apoiaram o processo. “Este extraordinário apoio e incentivo das entidades oficiais leva-nos a manter a intenção de investimento em UNA e na Bahia, no mais curto prazo” finalizou.

O grupo tem 33 anos de investimentos em vários setores de atividade, que vão do imobiliário à hotelaria, passando pela agricultura e agro-indústria (produção de vinhos e azeites Santa Vitória, etc). Ao todo, são 34 hotéis em Portugal e no Brasil com cerca de 20.000 camas, 4 projetos em construção e uma dúzia em projeto.

Também a antropóloga portuguesa Susana Viegas, coordenadora da demarcação indígena na região, declarou à imprensa que a construção poderia destruir uma das maiores fontes de sustento da comunidade nativa. Segundo ela, é uma área de mangue onde o povo indígena Tupinambá de Olivença coleta crustáceos.

Apesar do Vila Galé garantir desde o início que “não existem indígenas” na região, Susana Viegas frisou que há vasta documentação que comprova a importância daquele ecossistema para as comunidades em questão.

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