Turismo de Portugal critica governo por determinar que funcionários trabalhem no Carnaval

Foto/Arquivo 2011: Figurantes participam num desfile de um carro alegórico satitizando o lider do PSD, Pedro Passos Coelho, durante os festejos do carnaval de Torres Vedras. MARIO CALDEIRA/LUSA

Mundo Lusíada
Com agencias

A maioria dos municípios de Portugal que festejam o Carnaval vai dar tolerância de ponto aos seus funcionários na terça-feira de Carnaval, uma decisão que deve apenas minimizar a previsível quebra nas receitas da época de folia.
As Câmaras Municipais de Ovar, Torres Vedras, Mealhada, Carregal do Sal, Loulé e Sesimbra decidiram dar tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval, após o Governo ter determinado que os funcionários públicos irão trabalhar nesse dia, ao contrário de anos anteriores.
O primeiro-ministro justificou a decisão argumentando que “ninguém perceberia” que tal acontecesse numa altura em que o Executivo se propõe acabar com feriados.
O presidente da Câmara de Ovar ironizou a questão afirmando que “é com muito gosto” que dará a tolerância de ponto. Contudo, para o autarca de Ovar, o primeiro-ministro Passos Coelho apresenta “uma falsa questão que disfarça o que realmente interessa”.
Para Manuel Alves Oliveira os efeitos negativos da decisão do Governo esperam-se em várias áreas: “é lesiva para o comércio e prejudica a hotelaria, a gastronomia e o turismo”.
Em Torres Vedras, a câmara vai dar tolerância de ponto aos funcionários na segunda e na terça-feira de Carnaval. “Não vai ser esta intolerância do Governo que nos vai fazer alterar a situação”, sublinha o autarca para quem a decisão do Governo veio “criar uma grande confusão no setor público e privado”.
Convicto de que “por todo o país vai haver muitos estabelecimentos que fecharão na terça-feira de Carnaval” e de que muitos trabalhadores, “como por exemplo os bancários, farão valer os seus contratos coletivos de trabalho, que estabelecem que este setor não trabalha nesse dia”, Carlos Miguel teme, no entanto, que o Carnaval torriense tenha diminuição de público.
Também na Mealhada o presidente da Câmara, Carlos Cabral, disse à Lusa será mantida a tolerância, mas antecipa a possibilidade de menos foliões.
Carlos Cabral disse que a decisão governamental foi tomada “em cima da hora” uma vez que “o Carnaval é muito importante para a economia local. Dos feriados anuais, tirando o Natal e o Fim de Ano, é o que movimenta mais gente”.
No sul, o presidente da Câmara de Loulé, Seruca Emídio, disse que os 1.700 funcionários da autarquia terão direito a tolerância de ponto “se houver essa possibilidade legal”, o que deverá ficar decidido já na próxima reunião de câmara, em 15 de fevereiro.
Reforçando as críticas à decisão do Governo, o autarca admitiu impactos negativos consideráveis na hotelaria e gastronomia. “Muito do Turismo desta altura do ano era vendido em pacotes aos turistas, para virem ao Algarve em mini-férias”, notou.
Já em Sesimbra, a Câmara Municipal vai dar tolerância de ponto na terça-feira, mas a vereadora da Cultura, Felícia Costa, receia “uma quebra de 90% no número de visitantes – cerca de 40 mil pessoas em anos anteriores”.
O Governo Regional da Madeira e a Câmara do Funchal ainda não anunciaram qual a sua decisão no que diz respeito à tolerância de ponto no dia de Carnaval.

Decisão é “uma machadada” diz Turismo do Algarve

Para o presidente do Turismo do Algarve, não dar tolerância de ponto no Carnaval é “uma machadada” num evento que contraria a sazonalidade. Sustentando que o Turismo “vive destas atividades”, António Pina observou que “um destino sem animação pode tornar-se um destino triste e ninguém vem fazer férias ou passar um fim de semana” num destino triste.
António Pina referiu que é pedido aos responsáveis do turismo que façam eventos para quebrar a sazonalidade mas depois “em cima da hora, dão uma machadada num evento que podia ajudar a quebrar essa sazonalidade, como o Carnaval de Loulé”.
Censurou também que as entidades promotoras de eventos carnavalescos tenham sido “apanhadas por uma decisão de última hora” e defendeu que o Governo devia ter pensado “se aquilo que se ganha na produtividade de um dia é superior ao que se pode perder na hotelaria e gastronomia de um destino como o Algarve”.
Ressalvando que desconhece o impacto econômico da decisão, salientou que, relativamente “à perceção que as pessoas têm do destino”, se trata de um empobrecimento. “Imagine o que seria se, quando o Brasil atravessava períodos muito difíceis, tivessem acabado com o Carnaval, ou o Governo espanhol vir combater a ‘movida’. A não ser que queiram construir um país triste e um destino turístico triste”, concluiu.
O presidente do Turismo do Algarve revelou ainda que, apesar de discordar da decisão do Governo, os cerca de 100 funcionários da instituição não vão tirar o dia “para cumprir a Lei”.
Já o presidente da principal associação hoteleira algarvia afirmou que a decisão do Governo sobre o Carnaval será prejudicial para o Turismo regional, mas discordou que seja uma “machadada”, mostrando-se mais preocupado com a extinção de quatro feriados.
“Eu acho que será ‘mais machadada’ acabar com os quatro feriados que permitem pontes, o que significa menor procura para o Algarve em alturas chave, embora também signifique melhoria de outros fatores dinâmicos da economia portuguesa”, disse à Lusa o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas.
“O Carnaval, a Páscoa e outros momentos ao longo do ano são balões de oxigênio, no que respeita ao mercado interno e não havendo pontes haverá constrangimentos”, afirmou.
Recordou a propósito os indicadores divulgados na segunda-feira pela AHETA segundo os quais a taxa de ocupação global média/quarto em janeiro foi de 22,4%, o pior registo dos últimos 17 anos e que representa uma redução de 41% relativamente a janeiro de 2011.
“O nosso desespero não é por causa do Carnaval”, sintetizou, lamentando que se tenham agravado as razões da perda de competitividade da economia portuguesa relativamente ao setor turístico. Para ele, esses fatores são a perda de produtividade, os impostos altos, a dificuldade de acesso ao crédito, a degradação da promoção turística e a falta de uma política competitiva de gestão aeroportuária e transporte aéreo.

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1 Comment

  1. Este governo está difícil de engolir, cada medida esdrúxula que apenas nos envergonha. Está a chamar todos os portugueses de preguiçosos e inconsequentes. Até parece que a produtividade vai aumentar. confundem produção e produtividade. parece que estão perdidos e fazem qualquer coisa para distrair a população para o essencial. PURA DEMAGOGIA.

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