Europa estuda várias opções para facilitar viagens no verão

Mundo Lusíada com Lusa

O comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, explicou que está a ser estudado “um conjunto de recomendações” para viajar sem restrições no verão, incluindo um certificado de imunidade ao coronavírus ou um teste rápido.

“Para retomar uma vida quase normal e social são necessárias duas coisas: passar por esta fase e respeitar os comportamentos sociais para evitar a contaminação, e dar, a quem quiser deslocar-se, garantias de que não é portador do vírus, para si e para outros “, disse Breton, na TV BFM.

Thierry Breton, que reconheceu que as autoridades do turismo em vários países europeus estão a pedir medidas para permitir viagens, disse que se estuda a possibilidade de emissão de um certificado.

A segunda condição é que existam testes rápidos “fiáveis e tão precisos quanto possível”, para os quais as autoridades estão a trabalhar e a refletir em conjunto com os cientistas, para que sejam produzidos testes “rapidamente e em abundância”.

“Quando se entrar num avião, ou se faz um teste rápido ou se mostra um certificado de imunidade”, disse Thierry Breton, observando que as companhias aéreas também estão à procura de soluções.

O comissário francês, que chefia um grupo de trabalho sobre a produção de vacinas na União Europeia desde a semana passada, explicou que a falta de vacinas na Europa se deve à produção.

“Temos três vacinas licenciadas, mais duas nas próximas semanas. Em menos de um ano, teremos cinco vacinas que funcionam, é uma conquista científica. O problema é a produção, temos de aumentar a potência das nossas ferramentas industriais”, afirmou.

Presidência portuguesa
A presidência portuguesa da União Europeia (UE) vai promover, na próxima semana, uma discussão sobre as limitações às viagens no espaço comunitário, numa altura em que Bélgica e Alemanha reimpõem medidas restritivas.

“A Comissão está a monitorizar de perto e continuamente os passos dados pelos Estados-membros. Como solicitado pela Comissão, a presidência portuguesa da UE informou-nos que vai colocar a questão da coordenação das restrições às viagens na agenda do próximo Conselho de Assuntos Gerais”, disse o porta-voz do executivo comunitário para a área da Justiça, Christian Wigand.

Em Bruxelas, o responsável vincou que “a questão de proporcionalidade é importante” e, por essa razão, a Comissão Europeia vai também enviar uma carta para todos os Estados-membros para os recordar de seguir as diretrizes acordadas”.

A posição surge depois de ter sido questionado na ocasião sobre a reintrodução de controles nas fronteiras por parte da Alemanha e da suspensão de viagens mantida pela Bélgica até abril (que poderá ser entretanto reequacionada).

Christian Wigand lembrou que “os Estados-membros acordaram numa abordagem comum para gerir quaisquer restrições à liberdade de circulação” devido à pandemia e que essas recomendações “são claras e devem ser respeitadas por todos”.

“Esperamos que todos os Estados-membros respeitem esta abordagem coordenada relativamente às restrições às viagens com base no código comum de cores”, insistiu o porta-voz.

Apesar de a Comissão Europeia defender então que “os Estados-membros devem desencorajar as viagens não essenciais de e para áreas vermelho-escuro”, entende que estes têm ao mesmo tempo de “evitar a adoção às cegas de medidas como encerramento de fronteiras ou suspensão de viagens”, acrescentou Christian Wigand.

Esse assunto estará em discussão entre os 27 no Conselho de Assuntos Gerais da próxima semana.

Em Portugal
Os estabelecimentos de alojamento turístico registraram 10,5 milhões de hóspedes e 26 milhões de dormidas em Portugal, uma queda de 61,3% e 63%, respectivamente, face às subidas de 7,9% e 4,6% em 2019, segundo dados preliminares do INE.

“No conjunto do ano de 2020 (dados preliminares), os estabelecimentos de alojamento turístico registaram 10,5 milhões de hóspedes e 26 milhões de dormidas, -61,3% e -63,0%, respetivamente (+7,9% e +4,6% em 2019)”, divulgou o Instituto Nacional de Estatística (INE).

No entanto, considerando a generalidade dos meios de alojamento (estabelecimentos de alojamento turístico, campismo e colônias de férias e pousadas da juventude), registraram-se 11,8 milhões de hóspedes e 30,4 milhões de dormidas, a que corresponderam reduções de 60,2% e 60,9%, respectivamente.

As dormidas de residentes no ano passado totalizaram 13,6 milhões, uma descida de 35,4% (tinham subido 6,5% em 2019), o valor mais baixo desde 2013.

Já as dormidas de não residentes alcançaram apenas 12,3 milhões, uma descida de 74,9% (aumentaram 3,8% em 2019), o valor mais baixo desde 1984.

O Reino Unido manteve-se como principal mercado emissor em 2020, representando 16,3% das dormidas de não residentes, apesar do decréscimo de 78,5% face ao ano anterior, seguindo-se os mercados alemão (quota de 14,6%) e espanhol (peso de 14,5%).

As taxas de ocupação mais elevadas registraram-se na Região Autónoma da Madeira (19,9%), Alentejo (13,5%) e Área Metropolitana de Lisboa (13,2%).

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