Empresários portugueses investem US$ 1,2 bi em hotéis na Bahia

Em Salvador, o colóquio 1808-2008 discutiu o futuro das relações Brasil-Portugal. Até 2011, empresários portugueses devem investir cerca de US$ 1,2 bi na construção de hotéis em 12 diferentes áreas da Bahia.

Da Redação Mundo Lusíada

Foto AGECOM/Divulgação

>> A abertura do evento contou com governador Jaques Wagner, embaixador de Portugal no Brasil, Seixas da Costa, embaixador do Brasil em Portugal, Celso Marcos Vieira de Souza, ex-ministra da Cultura de Portugal e presidente da Espírito Santo Cultura, Maria João Bustorff, dentre outros.

Autoridades brasileiras e portuguesas na área de Turismo, Negócios e Cultura estiveram reunidas no Tivoli Eco Resort da Praia do Forte, em Salvador (Bahia) para o Colóquio “1808-2008 e o futuro das relações econômicas Portugal/Brasil”. Entre os dias 16 e 17 de outubro, o evento, uma realização da Espírito Santo Cultura, abordou o atual momento do turismo local e os investimentos portugueses em curso, os quais não deverão ser afetados pela crise internacional.

Embaixadores, empresários, políticos, acadêmicos e personalidades de ambos países participaram dos painéis nos dois dias de evento, entre eles o ex-presidente de Portugal, Mário Soares, o governador da Bahia, Jaques Wagner, e o embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa. Estiveram presentes ainda António Pargana, presidente da Câmara de Comércio de São Paulo, Antonio Abreu, presidente da EDP Energias do Brasil, Marcelo Odebrecht, presidente da Odebrecht, e Paulo Dias, diretor Área Nordeste do Grupo Pestana.

Os participantes receberam do secretário de Turismo, Domingos Leonelli a garantia de que o turismo no estado está vivendo um momento de transformação, que o coloca em posição de destaque nos cenários nacional e internacional. Novos segmentos turísticos estão sendo desenvolvidos pela Secretaria de Turismo (Setur) e a Bahiatursa como forma de qualificar a atividade no estado. Entre eles, o turismo de golfe, náutico, rural e o enoturismo.

“Como é um colóquio com enfoque no futuro das relações econômicas entre Brasil e Portugal, este é um importante momento de reflexão sobre as nossas possibilidades e potencialidades, um momento rico que reúne organizações empresariais, institucionais e governamentais”, acrescentou a diretora administrativa da Bahiatursa, Célia Bandeira.      Bandeira lembrou ainda que Bahia e Portugal também estão resgatando, por meio do turismo, valores culturais que põem os dois povos lado a lado. Ela enfatizou ainda os sete vôos semanais diretos de Salvador para Lisboa e Porto, “que ajudam a manter o fluxo de visitantes nos territórios baianos e portugueses”.

Crise e Investimentos de U$ 1,2 bilhão A crise econômica mundial e os investimentos no setor turístico na Bahia foram os principais assuntos abordados durante a abertura do Colóquio.

De acordo com o empresário português Ricardo Espírito Santo, a crise da economia global não vai provocar fugas de investimentos portugueses da Bahia. “Nossos projetos para a Bahia e para o Brasil são todos para longo prazo e não é uma crise momentânea como esta que vai barrar os investimentos que temos feito, uma vez que já estamos no país desde 1975 e conseguimos atravessar outras crises da economia. Sabemos que o momento é delicado, que o Brasil será afetado de alguma forma com a desaceleração de alguns negócios, mas o cenário não chega a ameaçar nossos projetos”. O grupo ligado ao empresário é responsável por um resort em Praia do Forte, por empresas ligadas ao agronegócio nos municípios de Brejões e Barreiras e por empreendimentos imobiliários no Litoral norte da Bahia.

O governador Jaques Wagner discursou sobre o atual cenário da economia mundial, e criticou o grau de especulação financeira, a virtualização da economia e defendeu que os mercados se planejem com base no dinheiro real, fruto de produção. Wagner disse estar otimista, principalmente com as relações econômicas entre a Bahia e Portugal. “Já temos empreendimentos hoteleiros consolidados, outros em implantação e alguns estudos para desenvolvimentos nas áreas de petróleo e telecomunicações, o que pode nos render mais 200 anos de boas relações”, disse o governador.

Segundo dados da Secretaria do Turismo, até o ano de 2011, empresários lusitanos devem investir cerca de US$ 1,2 bilhão na construção de hotéis em 12 diferentes áreas da Bahia, que vão desde a Costa dos Coqueiros, no Litoral Norte do estado até a Costa do Descobrimento, no extremo sul baiano. Os investimentos devem gerar 8 mil empregos com carteira assinada.

Durante o evento, o embaixador de Portugal no Brasil, Seixas da Costa, afirmou que a Bahia é o principal expoente do turismo do país e que “o apoio do Governo do Estado aos empresários lusitanos é como uma almofada confortável, que dá segurança e por isso, a maioria dos empreendimentos goza de boas condições para sustentabilidade”. Seixas da Costa disse ainda que, no próximo dia 28, representantes da cúpula dos governos de Brasil e Portugal vão discutir, em Salvador, o turismo como negócio na Bahia. Eles também vão participar de outros compromissos no estado, como o acordo ortográfico entre os países lusófonos e as comemorações dos 400 anos de nascimento do padre Antonio Vieira.

O objetivo do Colóquio foi de estreitar os laços econômicos, diplomáticos e culturais entre Brasil e Portugal, além de promover a lusofonia. Foi apresentado sete painéis abordando a Política Externa e Diplomacia Econômica, Globalização e Interdependência, Mundo Empresarial, Turismo no Mundo Global e Atualidade da Lusofonia. Foi ainda lançado o livro O Crime de Antônio Vieira (1940) de Pedro Calmon, reeditado pela Assembléia Legislativa da Bahia.

O evento, extensão das comemorações do bicentenário da vinda da Família Real, foi promovido pelo Banco Espírito Santo, com patrocínio do Governo local por meio da Bahiatursa, e transmitido em tempo real pelo site do Governo do Estado.

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