Vice-presidente diz que Maduro “não é louco a ponto de atacar” o Brasil

Foto Agencia Brasil. Alan Santos
Mundo Lusíada
Com Lusa

O vice-Presidente brasileiro, Hamilton Mourão, disse que o país não entrará numa “situação bélica com a Venezuela”, acrescentando que Nicolás Maduro não é “louco a ponto de atacar o Brasil”.

“Eu acho (que a situação na Venezuela) não passará a conflito regional. Da nossa parte, jamais entraremos numa situação bélica com a Venezuela, a não ser que sejamos atacados, aí é diferente, mas eu acho que o Maduro não é tão louco a esse ponto”, afirmou Mourão, em entrevista à BBC News Brasil.

Questionado acerca do significado para o Governo brasileiro do encerramento da fronteira entre a Venezuela e o Brasil, o vice-Presidente respondeu que Maduro quer impedir o povo venezuelano de procurar mantimentos.

“Na minha visão, ele fechou a fronteira exatamente para impedir que os venezuelanos viessem ao Brasil para levarem suprimentos. Ele quer manter o país fechado. Não acredito que ele imaginasse que nós entraríamos em força dentro da Venezuela para levar mantimentos, nós já reiteramos inúmeras vezes que não faríamos isso”, disse.

“Nós podemos ajudar com o auxílio humanitário, colocando mantimentos do nosso lado da fronteira, para que os venezuelanos possam vir para o Brasil e levar”, acrescentou.

Sobre a posição da administração norte-americana neste conflito, Mourão declarou que o Governo de Trump está a fazer as “pressões possíveis, no lado político e econômico, para tentar fazer Maduro sair do país, para que a Venezuela possa voltar aos eixos”.

O vice-Presidente do Brasil anunciou que irá na próxima segunda-feira a Bogotá, capital colombiana, representar o Brasil no Grupo de Lima, numa reunião na qual estará presente o seu homólogo norte-americano, Mike Pence, discutir a situação.

Também o ministro da Segurança Institucional do Brasil, general Augusto Heleno Ribeiro, reafirmou que o Brasil não atacará a Venezuela: “Temos que esperar o desenvolvimento dos acontecimentos. O que já está estabelecido é que o Brasil não vai fazer uma ação agressiva”, disse aos jornalistas.

O Brasil continua com os preparativos para a entrega de ajuda humanitária, a partir deste sábado, na forma de 22 toneladas de leite em pó e 500 ‘kits’ de primeiros socorros, para a Venezuela, apesar do encerramento da fronteira entre os dois países, decretado por Maduro.

Um primeiro avião com ajuda humanitária para a Venezuela chegou ao estado de Roraima, de onde as autoridades pretendem transferir a carga no sábado.

Nesta sexta-feira, pelo menos uma pessoa morreu em confrontos na zona fronteiriça com o Brasil, entre forças de segurança do Exército Venezuelano e uma comunidade indígena que defende a entrada da ajuda humanitária no território, relataram deputados locais.

A vítima mortal teria sido uma mulher, e também fizeram pelo menos 15 feridos, todos com ferimentos de bala.

Segundo escreveram os deputados Américo de Grazia e Ángel Medina na rede social Twitter, há três pessoas com ferimentos graves.

A agência noticiosa venezuelana Venepress relatou, entretanto, o registro de dois mortos, citando o testemunho de indígenas da etnia Pemon (denominados Taurepang no território brasileiro) que habitam na fronteira entre a Venezuela e o Brasil.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Cerca de 3,4 milhões de pessoas já deixaram a Venezuela desde o início da atual crise, só em 2018, 5.000 venezuelanos saíram por dia, segundo anunciaram as Nações Unidas.

A Colômbia abriga 1,1 milhão de refugiados e migrantes venezuelanos, seguida pelo Peru com 506 mil pessoas, 288 mil no Chile, 221 mil no Equador, 130 mil na Argentina e 96 mil no Brasil.

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