“Temos uma situação em Portugal, que talvez pudesse ter sido evitada” – Merkel

Da Redação com Lusa

Neste dia 22, a chanceler alemã, Angela Merkel, criticou a falta de regras comuns na União Europeia (UE) relativamente às viagens, dando como exemplo a situação de aumento dos contágios em Portugal, que a seu ver “poderia ter sido evitada”.

“O que lamento é que ainda não tenhamos sido capazes de alcançar um comportamento uniforme entre os Estados-membros em termos de restrições de viagem, isto é um retrocesso”, declarou a responsável, falando em conferência de imprensa em Berlim.

Nestas declarações à imprensa, feitas em conjunto com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a propósito da aprovação do Plano de Recuperação e Resiliência da Alemanha, a chanceler alemã exemplificou: “Temos agora uma situação em Portugal, que talvez pudesse ter sido evitada”.

“E é por isso que temos de trabalhar ainda mais” na área da coordenação, vincou Angela Merkel, aludindo nomeadamente à permissão dada por Portugal, que preside atualmente ao Conselho da UE, da entrada de turistas – como os britânicos.

Por seu lado, outros países como Alemanha e França impuseram restrições às viagens do Reino Unido devido à rápida propagação da variante Delta (detectada na Índia) do SARS-CoV-2.

“Fizemos progressos bastante bons nos últimos meses [no que toca à pandemia], mas ainda não estamos onde eu gostaria que a UE estivesse”, adiantou Angela Merkel.

Estas declarações foram feitas dias antes de os líderes europeus se reunirem numa cimeira europeia em Bruxelas e numa altura em que Portugal registra números diários de infecções que apenas comparam com os níveis de fevereiro.

Hoje mesmo, registraram-se seis mortes associadas à covid-19, 1.020 novos casos de infeções confirmadas pelo coronavírus SARS-CoV-2 e um novo aumento nos internamentos.

Para tentar inverter a situação, que afeta principalmente a região de Lisboa, o Governo decretou medidas como a proibição de circulação de e para essa área metropolitana.

Também presente na conferência de imprensa, Ursula von der Leyen admitiu ser “apenas uma questão de tempo” até a variante Delta se tornar a variante dominante no espaço comunitário.

E defendeu ser “importante continuar a vacinar o mais rapidamente possível”, dado esta ser uma mutação do vírus mais contagiosa.

Para 01 de julho próximo está prevista a entrada oficial em vigor do certificado digital covid da UE, comprovativo da testagem (negativa), recuperação ou vacinação contra a doença, que visa uma retoma da livre circulação durante o verão, mas prevendo a reintrodução de restrições caso a situação epidemiológica o justifique.

A gestão das medidas sanitárias aplicadas às viagens é feita por cada país, pelo que, mesmo com o certificado, os países podem solicitar mais testes ou impor quarentenas aos viajantes.

Dados

Portugal continental registrava na segunda-feira 306 surtos de covid-19 ativos, incluindo dois em instituições de saúde, seis em lares e 136 em estabelecimentos de educação e ensino, indicam dados da Direção-Geral da Saúde.

Comparando com 14 de junho, Portugal continental registra hoje mais 65 surtos ativos, mas, apesar do aumento, a DGS nota que estes dados “contrastam drasticamente” com o máximo registado em fevereiro, quando chegaram a existir em Portugal continental 921 surtos ativos.

Mais de metade dos surtos de covid-19 ativos concentra-se na Região de Lisboa e Vale do Tejo, com 203, mais 35 do que os registados em 14 de junho, enquanto a Região Norte regista 49 surtos, mais 19.

A região do Algarve regista 26 surtos ativos, mais três do que na segunda-feira, o Alentejo 16, mais três, e a região Centro 12, mais cinco.

Segundo os dados da DGS, 116 surtos ativos são em estabelecimentos de educação e ensino dos setores público e privado (escolas, ensino superior, creches e demais equipamentos sociais).

Perto de três milhões de portugueses, o equivalente a 29% da população, tem a vacinação completa contra a covid-19, tendo sido administradas mais de 720 mil doses na última semana.

Da oposição, o presidente do PSD acusou o Governo de estar a fazer Portugal passar “por uma vergonha desnecessária”, considerando que depois da “vexatória desconsideração” do Reino Unido, os portugueses têm que “ouvir a justa indignação da chanceler alemã”.

Na perspetiva de Rui Rio, o Governo do PS liderado por António Costa está a fazer Portugal passar “por uma vergonha desnecessária”.

“Não bastava termos sido tratados com uma vexatória desconsideração pelo Reino Unido, a quem prestamos futebolística vassalagem, e ainda temos de ouvir a justa indignação da chanceler alemã”, afirmou.

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