Segurança Social disponibiliza linhas de apoio às populações afetadas pelo incêndio

Mundo Lusíada
Com Lusa

A Segurança Social disponibiliza, a partir de 14 de agosto, quatro linhas telefônicas específicas para apoiar as populações afetadas pelo incêndio de Monchique.

“Na sequência do incêndio que deflagrou em Monchique, no passado dia 03 de agosto, e do acompanhamento social prestado às populações afetadas, a Segurança Social disponibiliza a partir de hoje linhas telefônicas específicas de apoio, para informação genérica e encaminhamento/agendamento de atendimento”, afirma o instituto em comunicado.

Para os moradores residentes no concelho de Monchique está disponível o número 300 518 518 e para os de Odemira o número 300 512 950.

Quem residir no concelho de Portimão tem à disposição a linha telefônica 300 515 290, enquanto para os moradores no concelho de Silves está disponível o número 300 516 050. Este serviço telefônico está disponível nos dias úteis, entre as entre as 09:00 e as 17:00, informa o Instituto da Segurança Social (ISS).

O incêndio rural de Monchique (distrito de Faro, Algarve), combatido por mais de mil operacionais e considerado dominado na sexta-feira manhã, atingiu também o concelho vizinho de Silves, depois de ter afetado, com menor impacto, os municípios de Portimão (no mesmo distrito) e de Odemira (distrito de Beja).

Quarenta e uma pessoas ficaram feridas, uma das quais com gravidade (uma idosa que se mantém internada em Lisboa). Segundo o município de Monchique, arderam cerca de 16.700 hectares no concelho.

No sábado, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa visitou a região no Algarve, depois de várias horas a ouvir histórias de aflição, apelos e queixas relativas à atuação das autoridades. O Presidente chegou ao heliporto de Monchique, num posto de comando da Proteção Civil, onde dirigiu um agradecimento às forças que estiveram no terreno.

A intervenção da GNR, responsável pela evacuação das localidades para onde se dirigia o fogo, a defesa de uma maior participação dos bombeiros locais no comando das operações e até a ideia de que deveria ser a Força Aérea a substituir a Proteção Civil foram alguns dos argumentos que o chefe de Estado ouviu ao longo do dia.

Prejuízos

Monchique é um concelho diferente da maioria dos do Algarve, onde a praia e o mar trouxeram riqueza e emprego. Situado na serra, tem uma economia centrada na floresta, na pedra e na água, além de algum turismo. Está nos lugares cimeiros do distrito de Faro quando se fala de envelhecimento – com 3,6 idosos por cada jovem -, de desemprego, de poder de compra e de população (de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística).

“O concelho estava a ter outra dinâmica. Já se sentia uma recuperação, pessoas a investir em algumas coisas, usando o rendimento da cortiça ou dos eucaliptos. Agora, toda a gente perde o ânimo de investir algum, que daqui a dez anos isto volta a arder”, frisa Ricardo Sousa, de 28 anos, com uma empresa de silvicultura, viu grande parte da sua área de trabalho desaparecer, ainda para mais numa altura em que os jovens naturais de Monchique “estavam a voltar” à sua terra, depois do grande incêndio de 2003.

O presidente da Câmara de Monchique estima que milhares de sobreiros tenham morrido no incêndio, principalmente por terem já sido afetadas pelo incêndio de há 15 anos, e Rui André acredita que “o nível de destruição que o fogo causou terá um rombo grande na produção de cortiça”.

O Ministério da Agricultura já informou que está, desde sexta-feira, a fazer o levantamento dos prejuízos agrícolas e pecuários nas explorações afetadas. O Governo indicou ainda que já está a trabalhar no processo de candidaturas a medidas de apoio, com o objetivo de iniciar o mesmo “o mais rapidamente possível”.

O Ministério da Agricultura anunciou ainda que tem em funcionamento na Herdade do Patacão um centro de entrega de ração de emergência, palha e feno para distribuição aos animais das explorações afetadas pelo incêndio de Monchique.

Os planos

O plano de reordenamento econômico da serra de Monchique deverá estar pronto até dezembro, para ser implementado durante “seis a sete anos”, segundo o presidente da autarquia. Rui afirmou que este plano é “uma oportunidade de corrigir erros do passado” em matéria de ordenamento florestal, permitindo que a população viva num ambiente rural e florestal “em segurança”, sem estar a ser “constantemente” ameaçada.

“Neste momento as árvores vão começar a regenerar. Se não fizermos rapidamente esta intervenção, daqui a dois ou três anos não vale a pena”, sublinhou, afirmando esperar que a disponibilidade do Governo em matéria de desburocratização “não fique só pelas palavras”.

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