PS com César vence eleição nos Açores

O que levou mais votos no arquipélago foi a abstenção, atingindo o valor mais alto de sempre, 53,24%.

Mundo Lusíada Com Lusa

Mário Cruz/Lusa Portugal

>> Os candidato às eleições legislativas regionais dos Açores, Carlos César (E) do PS e Costa Neves do PSD, durante o debate televisivo na RTP Açores sobre as eleições, 15 Outubro 2008, Ponta Delgada.

O Partido Socialista mantém a maioria e vence eleições regionais nos Açores, conseguindo pela primeira vez vencer em todas as ilhas. Com o resultado, Carlos César continua à frente da presidência do Governo Regional.

O líder do PS/Açores congratulou-se pela vitória e pelos socialistas açorianos terem ganho pela primeira vez em todas as ilhas. Em seu discurso no Teatro Micaelense, Carlos César destacou que "vencer com a maioria absoluta, vencer com cerca de 20 pontos de vantagem para o segundo partido mais votado é, em qualquer região e país, uma grande vitória". E destacou a vitória do partido pela primeira vez na ilha de São Jorge, tradicionalmente social-democrata, atribuindo ainda "parte da vitória" à participação na campanha de José Sócrates.

Com 49,96%, menos 7,04% que em 2004, o PS foi seguido pelo PSD na segunda posição com 30,27%, elegendo 18 deputados. O líder do segundo melhor partido no arquipelago, PSD, Costa Neves pediu demissão depois de apresentado os dados oficiais das eleições. O CDS-PP conseguiu 8,7% e o Bloco de Esquerda 3,3%. A CDU com 3,14% elegeu um deputado, como o PPM. Mas o que levou mais votos no arquipélago foi a abstenção, atingindo o valor mais alto de sempre, 53,24%.

"Tenciono deixar a liderança do PSD a breve prazo, porque entendo que não vou concorrer às eleições (regionais) de 2012 e, se assim é, saio já", afirmou aos jornalistas Carlos Costa Neves, acrescentando que a sua decisão foi fundamentadao, e apelou à "calma" na escolha do novo presidente. O nome de Berta Cabral é um dos mais desejados para assumir a presidência do PSD no Arquipélago, várias Comissões Políticas manifestaram publicamente o seu apoio a uma eventual candidatura à liderança do partido da atual presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada.

O secretário-geral do PS, José Sócrates, considerou que a vitória de Carlos César nas eleições dos Açores "é a consagração de uma carreira política e de uma governação que orgulha todos os socialistas portugueses".

Já o presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, saudou a vitória do socialista Carlos César nas eleições legislativas regionais dos Açores, mas manifestou preocupação pelo alto índice de abstenção, superior a 53%. “Ganhar com 20 pontos de diferença em relação ao segundo partido mais votado é sempre um bom resultado ainda que não tenha sido uma vitória retumbante como toda a gente esperava”, disse Alberto João Jardim. O presidente do Governo Regional lembrou que com os “apoios que os Açores tiveram, todo o dinheiro que pôde dispor, algum dele à custa da Madeira, esperava-se um resultado mais substancial pois é preciso não esquecer que o partido que ganhou – e ganhou bem – não atinge os 50% dos votos”.

“O que me preocupa são os 53% de abstenção, numa eleições regionais que vão decidir os órgãos de governo próprio dos Açores, que de certo modo têm a ver com a evolução da autonomia política, e mais de metade das pessoas não vão votar, deixam-se ficar num conformismo, numa apatia, numa passividade trágica, isto é que é extremamente preocupante para o futuro da autonomia dos Açores”, sustentou.

Para Alberto João Jardim, a apatia política resulta de uma estratégia que discorda: “é desenvolver uma política no estilo do politicamente correto, do bom comportamento para não desagradar a Lisboa” disse. “Essa política está absolutamente errada e fere a própria autonomia”, declarou. Alberto João Jardim manifestou igualmente a sua solidariedade para com o dirigente demissionário do PSD Açores, Costa Neves, e lamentou a sua retirada da política ativa.

Mudanças parlamentares A nova composição do Parlamento açoriano, que passou de três para seis forças políticas, vai obrigar a Assembléia Legislativa Regional a alterar o seu funcionamento e a apresentar um orçamento retificativo.

Segundo o presidente do Parlamento Fernando Menezes, a nova composição parlamentar – PS, PSD, CDS/PP, BE, CDU e PPM – implica um reforço do Orçamento da Assembléia já para este ano, assim como a alteração do Regimento. Segundo explicou, o aumento do número de deputados e das forças políticas representadas (antes das eleições, apenas PS, PSD e CDS/PP tinham assento parlamentar), poderá obrigar a contratar mais funcionários e a rever as regras de funcionamento do Parlamento.

Uma das matérias com as quais o presidente da Assembléia Regional se mostra mais preocupado é o Regimento, que terá de sofrer alterações em relação, por exemplo, à composição das comissões parlamentares, que actualmente devem ter entre sete a onze deputados. Se todos os partidos quiserem estar representados nas comissões, respeitando a representatividade que têm no Parlamento, o número de deputados em cada comissão poderá aumentar para quase vinte, explicou.

A entrada de novas forças políticas no Parlamento vai, também, obrigar à compra de material informático ainda este ano, a um reforço no Orçamento da Assembleia para 2009 e, possivelmente, também a um aumento do quadro de pessoal. A Assembléia Legislativa Regional dos Açores deve reunir-se em meados de novembro para a verificação dos poderes dos candidatos eleitos nas legislativas regionais de domingo.

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