Portugueses não querem sair da Venezuela, diz MNE

Da Redação
Com Lusa

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, “não há nenhum problema com a comunidade portuguesa” na Venezuela, e disse que os portugueses residentes no país não querem sair, mas sim querem o fim do “impasse político”.

“Não há nenhum problema com a comunidade portuguesa e não tenho nenhuma informação relativa que me possa dizer que a segurança e o bem-estar da comunidade portuguesa na Venezuela esteja em perigo”, declarou o governante, falando aos jornalistas.

Recordando que, no início da semana, houve assaltos a estabelecimentos portugueses na Venezuela, “mas sem nenhuma sequência”, e que existe um lusodescendente ferido, Augusto Santos Silva notou que, “fora isto, não há nenhum problema”, pelo que “a questão que agora se põe não é ajudar os portugueses a sair da Venezuela”.

“Os portugueses, como a imensa maioria dos cidadãos que vivem na Venezuela, não querem sair de lá, querem é sair deste impasse político”, acrescentou.

Já lembrando o ultimato europeu ao Governo do presidente Nicolás Maduro para a realização de eleições livres na Venezuela, para o qual foi estipulado um prazo de oito dias que termina no fim de semana, o governante disse esperar que a reunião que hoje arranca em Bucareste e que termina na sexta-feira sirva para definir os passos seguintes por parte da UE, caso o apelo não tenha sucesso.

Haverá “o reconhecimento [da nova liderança], certamente, e depois consequências do ponto de vista político e diplomático”, referiu.

O Parlamento Europeu reconheceu esta quinta-feira Juan Guaidó como o “presidente interino legítimo” da Venezuela e exortou a UE e os seus Estados-membros a assumirem uma posição semelhante, enquanto não for possível convocar eleições presidenciais.

Em reação, Santos Silva defendeu o respeito pelo prazo dado. “Na minha opinião, temos de ser credíveis e, portanto, nós dissemos que havia um prazo de alguns dias para que o presidente Nicolás Maduro pudesse associar-se a este processo e, portanto, esperaremos que esse tempo decorra”, assinalou.

Já falando sobre o anúncio feito pelo Uruguai e pelo México relativo à realização de uma conferência internacional, em 07 de fevereiro em Montevideu, reunindo os países e organizações que têm uma “posição neutral” sobre a crise na Venezuela, o responsável disse que, neste momento, “não é possível ser neutro sobre a Venezuela”.

Isto porque “não há outra solução se não iniciar um processo de transição pacífica, com eleições livres, sob a autoridade da Assembleia Nacional”, apontou.

Ainda assim, o governante português realçou que, “evidentemente, que se o presidente Maduro se quiser associar a este processo, como ele tem o controle do aparelho estatal venezuelano, isso seria uma garantia suplementar para a natureza pacífica da transição”.

“É muito importante ter noção que este é um processo político […] que procura evitar duas coisas que ninguém na UE quer: qualquer intervenção externa na Venezuela e qualquer risco de confrontação interna”, adiantou Santos Silva.

A crise política na

O Presidente da República considerou que “certamente o Governo português já pensou” num plano para proteger os cidadãos portugueses e lusodescendentes na Venezuela, se necessário, mas afastou “qualquer especulação” sobre o envio de forças.

“Todos os governos que têm lá cidadãos têm a obrigação de pensar naquilo que teriam de fazer se houvesse uma situação se houvesse uma situação que todos esperamos que não exista. Certamente o Governo português já pensou nisso”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações aos jornalistas, no Terreiro do Paço, em Lisboa.

Questionado sobre a hipótese de um envio de forças para a Venezuela, o chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas respondeu que “até agora não se colocou nenhuma questão dessas”, que implicaria naturalmente o seu conhecimento, e que, “portanto, qualquer especulação sobre a matéria é prematura”.

Em seguida, admitiu que “possa haver uma confusão entre as duas realidades”, um eventual envio de forças para a Venezuela e um plano de proteção dos portugueses e lusodescendentes.

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