Portugal no Fórum Mundial do Holocausto foi um “sinal de solidariedade”

Da Redação
Com Lusa

O Presidente português afirmou que a sua participação no Fórum Mundial do Holocausto foi um sinal de solidariedade do povo português e de que o genocídio nazi não está esquecido e não se pode repetir.

“Nós não esquecemos, isto não se pode repetir”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, num hotel de Jerusalém, após a cerimônia, alertando que o antissemitismo “pode estar a regressar de outras formas, com outros tipos de discriminações, e de racismo e de violência e de xenofobia nos tempos de hoje”.

Portugal foi um dos cerca de 50 países representados no 5.º Fórum Mundial do Holocausto, o que segundo o chefe de Estado “significou a solidariedade do povo português relativamente aos seis milhões de vítimas do Holocausto”.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que a sua presença “também foi uma forma de lembrar, no sítio onde estão os justos, um justo como Aristides de Sousa Mendes, que salvou a vida de milhares e milhares de judeus que passaram por Portugal ou ficaram em Portugal”.

“Mas digamos que a mensagem mais forte era, neste momento, dizer: nós não esquecemos, isto não se pode repetir. Não pode haver agora, com radicalismos, com xenofobias, com racismos, com antissemitismos, a repetição da história de há cem anos”, acrescentou.

O 5.º Fórum Mundial do Holocausto, em Jerusalém, teve como lema “Lembrando o Holocausto, combatendo o antissemitismo”, e contou com discursos, entre outros, dos presidentes de Israel, Reuven Rivlin, da Rússia, Vladimir Putin, da França, Emmanuel Macron, e da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, e do vice-presidente dos Estados Unidos da América, Mike Pence.

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, esta cerimônia foi “uma homenagem às vítimas do passado”, mas, ao mesmo tempo, “o olhar para o futuro, no sentido de combater tendências do presente”.

“Não foi por acaso que o Presidente Macron e o Presidente Putin convergiram na ideia de que os cinco membros do Conselho de Segurança [das Nações Unidas] deviam tratar a sério desta questão, que pode estar a regressar de outras formas, com outros tipos de discriminações, e de racismo e de violência e de xenofobia nos tempos de hoje. Isso é muito significativo”, considerou.

O chefe de Estado referiu que “até mesmo o Presidente alemão, ao, no fundo, apresentar as desculpas do povo alemão e a gratidão pela forma como foi recebido e hoje é recebido o povo alemão em democracia, também teve a mesma a tônica” e que essa “foi uma tônica presente em todos os discursos”.

“A comunidade internacional, as Nações Unidas, as grandes potências, mas todos nós não podemos esquecer o que se passou e temos de fazer tudo para evitar que se repita”, reforçou.

Redescoberta

Marcelo Rebelo de Sousa ainda considerou que a sua deslocação a Jerusalém abriu “um caminho”, 25 anos depois da última visita de um Presidente português a Israel, e falou numa “redescoberta do relacionamento político ao mais alto nível”.

“Abriu-se um caminho. 25 anos depois, abriu-se um caminho, e houve uma redescoberta do relacionamento político ao mais alto nível entre Portugal e Israel, e redescoberta do peso da comunidade judaica ao longo da história em Portugal”, declarou.

“Agora, a parte executiva, a parte governativa, essa ficará provavelmente para quando houver um Governo definitivo em Israel”, acrescentou.

Mário Soares tinha sido o último Presidente da República a deslocar-se a Israel, em 1995, numa visita em que esteve também nos territórios palestinianos.

No final do seu encontro com Reuven Rivlin, na residência oficial do Presidente do Estado de Israel em Jerusalém, na terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa assinalou esse fato e disse que a reunião “correu muito bem” e que se verificou “uma aproximação” de posições sobre a situação regional.

Marcelo Rebelo de Sousa adiantou aos jornalistas ter convidado o seu homólogo Israelita “a visitar Portugal, se possível até ao fim do ano”, e que, a concretizar-se essa visita, que depende do “calendário apertado” de Reuven Rivlin, ficou acertado que fará depois uma visita recíproca a Israel.

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