Portugal disponibiliza 20 bilhões de euros para operações financeiras

Mundo Lusíada Com agencias

Diante da crise financeira mundial, o governo português anunciou um pacote de 20 bilhões de euros em ajuda aos bancos. Segundo o ministro luso das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, "a fim de reforçar nosso sistema financeiro, o governo decidiu liberar uma garantia inicial para as operações financeiras das instituições de crédito com sede em Portugal", afirmou ele após uma reunião ministerial.

Justificando a medida, o ministro disse que "nos mercados interbancários nacionais e internacionais, os financiamentos foram fortemente reduzidos", e portanto a medida facilitará o acesso dos bancos à liquidez, apesar de classificar o sistema financeiro em Portugal como sólido. "Basicamente, a garantia significa que, se uma instituição bancária é incapaz de cumprir seus compromissos, o Estado assume a responsabilidade", explicou. A economia da União Européia está à beira de uma recessão técnica, no segundo trimestre do ano, depois do PIB ter caído 0,2%, em conseqüência da queda do investimento e do consumo privado, divulgou o Portugal Digital.

O Eurostat, o centro de estatísticas da União Europeia, confirmou em 14 de outubro as previsões avançadas no início do mês, que apontavam para a contracção da economia. A queda do investimento foi de 1%, enquanto o consumo privado caiu 0,2%. Nesta conjuntura e com o agravamento da crise financeira, alguns analistas avaliam que o Banco Central Europeu irá reduzir a taxa de juros na próxima reunião de 6 de novembro.

Previsões de Crescimento O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a baixar as previsões de crescimento da economia portuguesa, antecipando uma expansão de 0,1% para 2009, inferior ao da zona do euro e acima da Espanha, principal parceiro comercial luso.

Mais uma vez, o FMI divulgou nas Previsões Econômicas Mundiais que espera que o país cresça ainda menos: em 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) português deve aumentar 0,6% (menos 0,1 ponto percentual do que o previsto) e em 2009 deve subir 0,1% (contra os 0,6% calculados anteriormente).

Uma semana após o pânico nos mercados globais, que havia feito a cotação da moeda americana ultrapassar a marca de R$ 2,30, o dólar registrou uma forte queda no pregão, no último dia 13.

O principal fator que ajudou a acalmar os investidores foi o anúncio de uma série de medidas financeiras em diversos países para tentar conter a crise financeira global. As nações da zona do euro se comprometeram a ajudar bancos. Medidas similares foram anunciadas por Portugal, Noruega e Emirados Árabes.

Na semana seguinte, a Grã-Bretanha anunciou a injeção de US$ 63 bilhões em três instituições. Na Alemanha, o plano deve alcançar 470 bilhões de euros. A França anunciou que no total vai disponibilizar 360 bilhões de euros para socorrer seus bancos, enquanto na Espanha o valor da ajuda será de 100 bilhões de euros.

No Brasil, o Banco Central já informou que vai injetar mais R$ 100 bilhões no mercado, por meio de um programa de liberação de todos os depósitos compulsórios sobre depósitos a prazo, cuja alíquota é de 45%, sobre depósitos interfinanceiros (leasing) e sobre a alíquota adicional de 5% de depósitos à vista e a prazo.

Mas, do resultado das ações do BC, as reservas internacionais brasileiras já começaram a apresentar queda por conta das vendas de dólares. As reservas recuaram de US$ 206,3 bilhões para US$ 204,8 bilhões no último dia 10.

Cabeça Fria O presidente da Comissão Européia (braço executivo do bloco europeu), Durão Barroso, afirmou em Bruxelas que é o momento de ter "cabeça fria" para lidar com a atual crise financeira, garantindo que a Europa está trabalhando intensamente para ajudar a acalmar os mercados. "Deixem-me dizer o seguinte aos nossos cidadãos: estamos a trabalhar a tempo inteiro para estabilizar os nossos mercados financeiros e as nossas economias. Agora é tempo de ter a cabeça fria. Não lhes posso prometer que não haverá dificuldades, mas posso prometer que se mantivermos a cabeça fria ultrapassaremos esta situação", disse.

O ministro dos Negócios Estrangeiros portugês, Luís Amado, afirmou que Portugal vai bater-se para que a União Européia adote medidas concretas em articulação entre os diferentes Estados-membros, alegando que é a via mais eficaz de responder à crise.

"Independentemente das opções em concreto para se combater a crise financeira internacional, quanto maior for o esforço de coordenação mais eficaz será a resposta a uma crise com esta complexidade e esta dimensão", sustentou.

De acordo com ele, durante a próxima cimeira européia, Portugal "tudo fará para que as medidas adotadas tenham no mínimo a possibilidade de se enquadrarem num conjunto de opções que o Conselho Europeu venha depois a assumir, na seqüência das recentes reuniões do Ecofin e do Conselho do Eurogrupo".

A cimeira européia deve ainda analisar a informação do primeiro-ministro irlandês sobre as saídas deste país para posterior ratificação do Tratado de Lisboa da UE. Em análise estarão ainda medidas para as áreas da energia, ambiente e imigração.

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