Polêmica no aumento do salário mínimo em Portugal

Da Redação Com Lusa

Pedro Pina/Lusa Portugal

>> Primeiro-ministro José Sócrates (C), secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Carlos Costa Pina (E) e o ministro do Trabalho, Vieira da Silva durante a reunião do Conselho de Concertação Social com membros do governo e os parceiros sociais para discutir o Salário Mínimo Nacional , Lisboa, 04 de Novembro de 2008.

O governo português anunciou a subida do salário mínimo nacional de 426 Euros para 450 Euros, mas as empresas do país se dividem entre opiniões positivas e negativas quanto a nova medida de 2009.

Segundo divulgou a TVI, Pequenas e Médias Empresas (PME) aplaudem o governo pelo aumento do salário, e outras ameaçam com o possível aumento do desemprego no país. Em entrevista ao veículo, o presidente da Associação Nacional das PME, Augusto Morais, afirmou que esta atual conjuntura econômica é inimiga do aumento salarial. As PME não teriam capacidade para aumentar o salário mínimo para 450 euros, e portanto, a medida pode gerar mais desemprego.

Porém esta não é a mesma leitura de outras PME. Joaquim Cunha, presidente da Associação PME de Portugal, aplaude a decisão do Governo, e diz que é preciso tempo para aplicar os novos aumentos.

O primeiro-ministro José Sócrates chamou de "mesquinhez" as críticas da líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, sobre o aumento, quem disse que a medida "roçou o nível da irresponsabilidade", diante da crise econômica. "Reparem na mesquinhez do que estamos a discutir: estamos a discutir a evolução de trabalhadores que ganham 426 euros para 450 euros" afirmou Sócrates.

"Em Portugal e na Europa, consideramos 400 euros o limiar da pobreza. É espantoso e chocante ver os mesmos que aparecem tantas vezes na televisão a chorar lágrimas de crocodilo pelos novos pobres, virem agora lamentar o aumento do salário mínimo" disse o ministro, acusando os sociais-democratas de incoerentes. Para Sócrates, o aumento previsto para o salário mínimo no próximo ano "em nada compromete a competitividade das empresa".

A Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) quer que sejam cumpridas todas as cláusulas do acordo. Ela exige do Governo a convocação da Comissão Permanente da Concertação Social, como se previa, bem como da comissão tripartida criada para a "análise e monitorização dos impactos da evolução" do Salário Mínimo Nacional. Nomeadamente, nos setores e regiões com maior expressão de baixas remunerações ou mais expostos à concorrência internacional.

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