Jornalista Carlos Fino defende ser preciso combater o “persistente estranhamento Portugal-Brasil”

Por Igor Lopes

Um dos mais experientes e respeitados jornalistas de Portugal, Carlos Fino é conhecido pelos seus trabalhos ao redor do mundo. Como correspondente internacional, passou por países em guerra e viu sociedades inteiras se transformarem. Uma das suas últimas passagens profissionais foi na Embaixada de Portugal no Brasil, como conselheiro de imprensa.

No currículo, Carlos Fino conta com livros publicados, artigos publicados como no Mundo Lusíada, com prémios e distinções recebidos e ainda com habilidades como “conhecimento dos círculos diplomáticos, bom relacionamento com os media, capacidade de chefia e facilidade de relacionamento”. Mas, em abril, Carlos Fino aventurou-se no mundo académico. Concluiu, “com distinção”, o doutoramento em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho e pela Universidade de Brasília. Nessa nova vivência, defendeu a tese “Raízes do estranhamento: a (in)comunicação Portugal-Brasil”, trabalho que ocupa quase 500 páginas e que é fruto de pesquisas realizadas pelo jornalista ao longo de cinco anos.

Esse profissional acredita que as relações bilaterais, entre Brasil e Portugal, atravessam o que chama “estranhamento/incompreensão” e defende que somente havendo “mais e melhor informação, o que infelizmente não acontece”, é que seria possível superar essa situação. Carlos Fino vai mais além e pontua que, “em geral, Portugal está ausente da comunicação brasileira” e que “o desconhecimento é tal que muitos brasileiros chegam a ignorar a origem da língua que falam”.

Em entrevista à nossa reportagem, Carlos Fino criticou a ausência de uma presença maior da imprensa portuguesa no Brasil, falou sobre as atuais conexões entre os dois países, abordou a sua experiência no campo da diplomacia e no jornalismo, enfatizou momentos profissionais marcantes como quando acompanhou o fim do regime comunista, primeiro na ex-URSS e depois no conjunto da Europa de Leste, a cobertura de guerra e a passagem por Bruxelas, onde acompanhou o lançamento do Euro. Carlos Fino disse ser importante o ensino do jornalismo e a aposta na expansão da língua portuguesa no mundo, ressaltou o papel das redes sociais nos media e revelou o que espera do futuro.

Qual é o tema central da tese que defendeu?

O tema central da tese é a (in)comunicação Portugal-Brasil, vendo nessa realidade de escassez de contatos aprofundados uma das principais razões do sentimento de estranhamento/incompreensão que atravessa as relações bilaterais. Um estranhamento que vem pelo menos desde o século XVII, acentuou-se no momento da separação a ponto do antilusitanismo estar inscrito no ADN da nacionalidade brasileira e  se consolidou de então para cá devido à diferente inserção geoestratégica dos dois países e ao progressivo acentuar da diversidade cultural, de comportamentos, psicologia, modos de ser e de estar. Para superar essa situação seria necessária muito mais e melhor informação, o que infelizmente não acontece; mesmo quando as relações avançam em termos de intensificação dos fluxos humanos, económico-comerciais e até mesmo culturais, quase sempre a comunicação falha ou deixa a desejar. Esse é o desafio que teremos de encarar se quisermos, já não digo eliminar, mas pelo menos atenuar o persistente estranhamento Portugal-Brasil.

Como jornalista, como esse título vai auxiliar nas suas funções?

A elaboração da tese correspondeu, antes de mais, a uma necessidade intrínseca que senti de encontrar explicação para as realidades contraditórias com que me defrontei no exercício das minhas funções como conselheiro de imprensa da embaixada de Portugal no Brasil entre 2004 e 2012: como explicar que – como observou Eduardo Lourenço – no Brasil Portugal esteja em todo o lado e em lado nenhum? Não se tratou apenas de obter um diploma – embora isso também tenha estado presente. No final dos anos 1960, os meus pais transferiram-se do Alentejo para a região de Lisboa a fim de poderem dar instrução superior aos filhos; por vicissitudes várias, nenhum de nós tinha até agora conseguido doutorar-se. Finalmente, 50 anos volvidos, consegui concretizar o sonho deles e meu, havendo, portanto, na concretização da tese um forte elemento de realização pessoal. Obtido aos 70, o doutoramento não faz de mim um investigador nem é base para inaugurar uma nova atividade no meu percurso profissional, praticamente encerrado desde que me aposentei em 2013; dá-me apenas mais conhecimento para poder reportar ou escrever sobre as relações Portugal-Brasil em diferentes domínios e eventualmente ter acesso a alguma posição no ensino universitário na qualidade de docente externo convidado – situação que, embora remota, não descarto.

Por que refere que Brasil e Portugal “têm um défice de comunicação”?

Porque até agora o conhecimento mútuo aprofundado das circunstâncias da separação e das razões do persistente estranhamento é escasso, mesmo entre os setores mais cultos e informados, circunstância que tende a perpetuar os desentendimentos. Por outro lado, há uma assimetria evidente nas trocas de informação e projeção mediática mútua. Enquanto o Brasil, através da sua excelente música popular, da sua literatura, das suas produções televisivas – sobretudo as telenovelas – e até, nos últimos anos, do seu cinema está diariamente presente no universo mental dos portugueses, a inversa está a anos-luz de acontecer. Apesar do relativo êxito de alguns autores contemporâneos portugueses no Brasil – de Miguel Sousa Tavares a José Luís Peixoto, passando por Valter Hugo Mãe (a par dos consagrados Fernando Pessoa e José Saramago) – em geral Portugal está ausente da comunicação brasileira. O desconhecimento é tal que muitos brasileiros chegam a ignorar a origem da língua que falam. E há, além disso, entre boa parte das elites, um sentimento de desdém em relação a Portugal. Se mais não houvesse, quase se poderia dizer que no Brasil as elites desprezam-nos e o povo ignora-nos. Neste pano de fundo, a ausência dos média portugueses no mercado brasileiro é gritante; dois exemplos bastam para o confirmar: a televisão pública portuguesa criou há muitos anos uma RTP-África, mas nunca ousou montar uma RTP-Brasil e a agência portuguesa de notícias Lusa depois de, em final dos anos 1990, ensaiar estabelecer-se no Brasil acabou por arriar bandeira e voltar as costas ao mercado brasileiro. Nesta situação, quem perde é sobretudo Portugal. Mas há também uma perda mútua já que fica por explorar todo um universo histórico conjunto que daria pano para mangas a possíveis cooperações bilaterais. Outro sinal evidente da falta de comunicação é a ausência de um prémio de jornalismo conjunto Portugal-Brasil. Sempre se fala que os dois países se conhecem mal ou se conhecem pouco, mas a comunicação nunca é tema prioritário nas relações e nas preocupações dos respectivos Estados quando tratam entre si, o que é profundamente lamentável.

Nas redes sociais afirma que “o afastamento entre Portugal e o Brasil tem raízes profundas”…

Trata-se, com efeito, de um processo histórico longo, que, em última instância, remonta ao próprio momento da chegada dos portugueses ao Brasil, mas que se acentuou sobretudo a partir dos séculos XVII/XVIII, com a crescente contraposição de interesses entre “reinóis” – os portugueses mais recém-chegados da metrópole, aos quais estavam reservados os cargos de maior prestígio e proveito na administração pública e militar – e a chamada “nobreza da terra”, os mazombos, filhos de portugueses já nascidos no Brasil, que não aceitavam essa situação de capitis diminutio, reivindicando para si mesmos privilégios especiais, já que eram eles os descendentes da antiga geração de conquistadores, colonizadores e defensores do território.

A que outras conclusões chegou durante os estudos?

Essa diferenciação e contraposição que referi acabou por conduzir à independência política, embora esta, num primeiro momento, tenha sido mais pretendida pelos portugueses de Portugal do que pelos portugueses do Brasil. E isso devido à situação que havia sido criada com a instalação da Corte no Rio de Janeiro, logo na sequência da primeira invasão napoleónica, relegando a metrópole a uma situação secundária. Na percepção da época (início do século XIX), paradoxalmente, Portugal – a antiga metrópole – havia-se tornado praticamente colónia de uma colónia. Não havia, entretanto, no momento da independência, um sentimento nacionalista no Brasil. Como assinalou o historiado Evaldo Cabal de Mello, “O nacionalismo brasileiro não precedeu, sucedeu, a criação do Estado nacional. O Brasil não se tornou independente porque fosse nacionalista, mas fez-se nacionalista por haver-se tornado independente”. Entretanto, a partir da independência, o Brasil tratou naturalmente de forjar um sentimento nacional próprio. E fê-lo a partir da contraposição com Portugal. Daí que o antilusitanismo esteja no DNA da nacionalidade brasileira, sendo, desde então, esse mito de origem repetido sem cessar, constantemente reforçado pelos média e pelo ensino. Até hoje, os estudantes do ensino médio no Brasil saem da escola com uma péssima imagem de Portugal dada a forma pouco ou nada contextualizada como a história lhes é relatada. Consolidou-se assim a ideia de que Portugal está na origem de todos os males do Brasil – do Estado burocrático, centralista e corrupto, à escravatura, passando pelo genocídio dos índios e pela destruição da mata atlântica. Pouco ou nada é valorizado do passado colonial português, numa contraposição contínua que faz com que os jovens não só fiquem a detestar Portugal como não queiram com ele ter em geral qualquer relação, preferindo ignorar ou esquecer um passado que lhes é descrito como tendo sido pouco menos que abominável. Não havendo contextualização, não há empatia, acentuando-se o estranhamento e o afastamento; a ponto de os brasileiros, na sua maioria com sangue português, quando olham para trás não se identificarem com Portugal, como se nada tivessem a ver com esse passado. É aqui que entra a questão da comunicação, que deveria merecer muito mais atenção por parte do Estado português, ao qual competiria preocupar-se com a memória histórica do país. Falta uma estratégia devidamente estudada e aplicada que tenha em conta esta situação já secular e se dê como objetivo, se não superá-la, pelo menos atenuá-la, a bem não só da preservação das realidades do passado, mas visando igualmente a uma melhor interação futura com o Brasil, com o que certamente beneficiariam os dois países e todos teríamos muito a ganhar.

Como enxerga hoje a aproximação entre Brasil e Portugal?

Tem havido avanços importantes no relacionamento bilateral, em particular os fluxos humanos permanentes – ora mais intensos num sentido ora no outro – possibilitados pelos voos da TAP ligando mais de uma dezena de capitais brasileiras às principais cidades portuguesas – Lisboa e Porto. Mas isso só vem mostrar como se podia e devia fazer muito mais, em particular no domínio da informação e da comunicação. Se isso não acontecer, o estranhamento Portugal-Brasil continuará a viajar incógnito a bordo dos aviões da TAP.

Ao olhar Portugal desde o Brasil, consegue apontar mudanças no seu País?

Tem havido muitas mudanças positivas em Portugal. A entrada na União Europeia transformou o País, embora tenda a limitá-lo nas suas dimensões africana, sul-atlântica e também asiática que são parte intrínseca da sua própria identidade. Por outro lado, ultimamente foi possível quebrar o velho “arco da governação”, abrindo espaço de participação a outras forças, o que me parece positivo, sobretudo se funcionar como antídoto à progressão entre nós do populismo reacionário que hoje está na moda numa série de outros países, incluindo, infelizmente, o Brasil.

Como profissional de comunicação e jornalismo atuou em Portugal, em outros locais da Europa, e, no Brasil, na área diplomática portuguesa. Como foi essa experiência?

De certa maneira fui um privilegiado. Graças à profissão (primeiro como jornalista e depois inserido na diplomacia), conheci meio mundo: da Europa à Ásia, da Rússia às Américas, tendo oportunidade – apesar de alguns perigos e muitos sacrifícios pessoais e familiares – de viver experiências riquíssimas, quer em termos culturais quer de experiência humana de uma forma geral. Constatei, entretanto, recentemente, que a idade já vai avançada e me falta ainda, em boa medida, como disse Pessoa na Mensagem, “cumprir Portugal”…

Qual é a diferença entre atuar no jornalismo “hard News” e na comunicação pública, política ou institucional?

São lados opostos do espelho: no jornalismo, procuramos a verdade, na diplomacia defende-se os interesses do Estado. Toda a arte está em tentar, quando se passa de um lado para o outro, em não se trair o essencial, que é o de dar a conhecer e servir acima de tudo o interesse público.

Você foi um dos profissionais de jornalismo de Portugal mais comentados nos anos 2000 por ter a sua imagem ligada à cobertura de guerra. Carrega esse “fardo” até hoje? Que visões tem daquela época e como esse percurso lhe ajudou profissionalmente?

Não considero que tenha sido ou seja um “fardo”. Foi antes um destino. Um destino que não procurei (nunca cultivei o sonho romântico de ser um “correspondente de guerra”), mas aceitei e tentei assumir da melhor forma possível – nele colocando, com a maior dedicação, toda a minha força anímica, toda a arte e engenho de que era capaz, guiando-me sempre pelos melhores padrões internacionalmente consagrados: o da equilíbrio dos ingleses com a velocidade e o “punch” dos norte-americanos. Talvez mais do que propriamente as coberturas de guerras, o que me ajudou profissionalmente foi o facto de estar em locais em que se viviam situações históricas, algumas de alcance mundial sobre as quais se centravam, por isso, as atenções do mundo: a ex-URSS e a Europa de Leste, primeiro; o Médio Oriente – com destaque para Afeganistão, Palestina e Iraque – depois.

Que momentos da sua carreira destaca?

O principal foi sem dúvida a cobertura, a partir de Moscovo, do fim do regime comunista – primeiro na ex-URSS e depois no conjunto da Europa de Leste.  Seguiram-se a cobertura da reocupação dos territórios palestinos por Israel, a situação no Afeganistão após o ataque às torres gémeas do World Trade Center em Nova Iorque e a última Guerra do Iraque. Mas houve também duas experiências sem as quais a minha carreira profissional teria ficado incompleta – correspondente em Bruxelas, onde acompanhei o lançamento do Euro, e correspondente em Washington.

Como vê o poder das redes socais hoje no jornalismo e na comunicação diária? Consegue traçar um paralelo de como essa tecnologia entranhou-se no jornalismo nos últimos anos?

As redes mudaram quase tudo e o jornalismo atravessa hoje uma séria crise da qual não se sabe bem como irá sair. Os perigos para a profissão são tão grandes ou maiores do que as novas oportunidades criadas pelas novas tecnologias e pela mudança profunda na maneira como as pessoas se comunicam e mantêm informadas. No meu entender (mas pode ser só “wishful thinking”), tudo isso não elimina o papel dos jornalistas – pelo contrário, vem torná-lo ainda mais necessário, o que exige cada vez mais e melhor formação e consequentemente valorização do estatuto profissional. Não tem sido essa a tendência geral dos últimos anos, infelizmente, e, por isso, aquilo a que assistimos é à desvalorização de uma série de órgãos de média que procuram sair da crise pelas portas erradas da facilitação e do “mais Google e menos rua”, justamente o contrário do que – no meu entender – deveria ser feito.

Como seria a cobertura de guerra na sua época caso tivesse nas mãos um smartphone e acesso à Internet? O que mudaria na sua narrativa?

Ainda sou do tempo do filme, quando era necessário esperar horas pela revelação da película e depois os planos eram cortados e colados fisicamente um a um na moviola – a mesa de montagem. Também não havia telefones portáteis nem muitos menos internet. Mas, depois, o vídeo e, mais tarde, o videofone mudaram muita coisa, os telemóveis idem e, na última Guerra do Iraque, já houve uma viragem abissal – sendo possível entrar ao vivo via satélite de qualquer ponto do mundo a qualquer hora. Foi assim que uma pequena estação como a RTP conseguiu dar o furo do início dos bombardeamentos, desafiando a hegemonia das grandes redes de televisão como a BBC, a CNN e a SKY News. A internet e as redes possibilitam ter acesso mais rápido e constante a mais informação e, por isso, a narrativa dos correspondentes pode ser mais informada se os jornalistas fizerem, como devem, o trabalho de casa, não se limitando ao que já é veiculado pela grande média tradicional. Quanto mais fontes e mais diversificadas, mais completa pode ser a informação. A verdade é sempre poliédrica.

Como avalia o jornalismo atualmente? Como devem as universidades formar novos profissionais de comunicação? Quais deverão ser as competências privilegiadas e trabalhadas?

No meu tempo de estudante universitário não havia, em Portugal, cursos de jornalismo. Como acontecia desde finais do século XIX, iam para jornalista muitos dos que não tinham completado cursos noutras áreas. Foi esse, também, o meu caso. Tive por isso uma formação autodidata, com saber de experiência feito, com base na experimentação e no erro, acabando por ter uma carreira profissional invertida, ou seja, cuja formação académica culminou em vez de preceder a experiência profissional. É um caminho possível, mas que não aconselho. Continuo a achar preferível ter formação académica primeiro. Felizmente, depois do 25 de abril de 1974, surgiram faculdades de Jornalismo na Academia. O defeito que se apontava era, a certa altura, o inverso – ou seja, o de ministrarem um ensino formal e teórico distante da prática das redações. Não sei como é hoje, mas o ideal, de qualquer forma, seria conjugar as duas coisas – formação académica por um lado, experiência prática em redações, por outro. Em qualquer caso – seja ministrada nas faculdades, seja por iniciativa própria com base em leituras e consulta de textos – a formação teórica profissional é indispensável e parece-me ser cada vez mais necessária e o mais exigente possível para que as novas gerações possam estar em condições de responder aos novos desafios que a profissão enfrenta. Sem isso e sem valorização do estatuto profissional, o jornalismo corre o risco de continuar a ser – como vem sendo cada vez mais nos últimos anos – uma profissão subalterna, de mera transição – algo que se faz apenas durante uma certa etapa da vida, normalmente quando ainda se é jovem, antes de maior maturidade, para se ir depois fazer algo de muito diferente, eventualmente com mais prestígio e melhor remuneração.

O que faz hoje em dia? Como é a sua rotina?

Desde que passei à reforma, em 2013, os últimos anos foram ocupados essencialmente – a par de alguns artigos para jornais – com a preparação da tese. Sendo que ainda cursei algumas matérias para perfazer créditos académicos que me faltavam. Agora, depois da defesa da tese, em abril passado, na Universidade do Minho, em Braga, estou em vias de reorganizar o meu tempo que pretendo dividir entre leituras – história, filosofia, comunicação e literatura – e coleta de materiais para vir mais à frente a tentar escrever algumas memórias e – se o tempo e o engenho permitirem – também um livrinho sobre a terra da minha infância: Fronteira. Nos intervalos, cultivo algumas rosas no meu jardim e também pratico caminhada – caminhar é preciso!

Mora em Portugal ou no Brasil?

Vivo há 15 anos no Brasil, embora alternando com períodos regulares em Portugal. O meu objetivo, agora, é terminar os meus dias em Portugal – bom filho à casa torna. Mas terei de esperar ainda que a minha mulher brasileira se possa, primeiro, também ela, aposentar. Para já, vamos matando saudades ano a ano. Mas já sei que quando conseguir voltar em definitivo a Portugal também vou ter saudades do Brasil e assim vamos vivendo à portuguesa: com a alma pelo mundo em pedaços repartida.

Por fim, qual é o papel da língua portuguesa hoje no mundo? É possível que algum dia a língua portuguesa seja uma das línguas oficiais da ONU?

A nossa língua é um património riquíssimo que todos temos o dever de defender e cultuar. Há todas as condições para que se torne língua oficial da ONU. Só depende da vontade dos Estados, que para isso terão de disponibilizar os meios financeiros que tal operação exige. Mas entre Portugal, Brasil e Angola – para começar – essa é uma tarefa que está ao nosso alcance, tudo dependendo apenas de uma forte vontade política – quando há vontade, os meios surgem. Em vez de nos queixarmos de que o mundo todo só fala inglês e que por isso as nossas culturas têm menos divulgação do que merecem, há que valorizar a nossa própria língua e fazer tudo para que ela se expanda em termos internacionais.

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