Governador diz que indenizações podem chegar a R$ 100 mil por família em Suzano

Foto Mais 5 mil pessoas passaram pelo velório coletivo dos estudantes e funcionários na Arena Suzano.

Da Redação
Com EBC

O governo paulista criou um comitê executivo para viabilizar o pagamento de indenização aos familiares das vítimas do atentado ocorrido na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo. O governador do estado, João Doria, disse que o valor da indenização será definido pela Procuradoria-Geral de São Paulo e deve ser de aproximadamente R$ 100 mil para cada família.

Segundo Doria, a indenização deve ser paga em até 30 dias. “Até 15 de abril o pagamento será feito às famílias dos cinco jovens e das duas auxiliares de ensino da Escola Raul Brasil, em Suzano.”

O comitê executivo será formado por integrantes da Procuradoria-Geral do Estado, as secretarias da Educação, Segurança Pública e Assistência Social, além de membros da Defensoria Pública.

Explicações
O governador João Doria disse, por meio de nota, que a medida não tem como propósito “compensar as vidas perdidas”, mas para que as famílias não enfrentem “burocracia e processos lentos para terem acesso aos recursos”.

O comitê será oficializado por um decreto, a ser publicado dia 15, no Diário Oficial. O texto prevê que o grupo determine, no prazo máximo de 30 dias, os valores que serão pagos pelo governo estadual aos familiares das vítimas.

Serão indenizadas as famílias dos cinco alunos e duas funcionárias mortos dentro da escola, por ser um ambiente público, de responsabilidade da Secretaria de Educação.

O governador ressaltou que essa indenização não será condicionada, ou seja, a família vai recebê-la sem precisar assinar um documento abrindo mão de abrir processo contra o estado mais tarde.

Velório com 5 mil pessoas

Mais 5 mil pessoas, segundo a prefeitura de Suzano, já passaram pelo velório coletivo dos estudantes e funcionários mortos no atentado. O velório ocorre na Arena Suzano desde as 7h deste dia 14. No entorno do ginásio, pessoas em uma longa fila aguardam para entrar no local e prestar solidariedade aos parentes das vítimas. Às 11h foi celebrada uma missa, e às 14h, um ato ecumênico.

Além das famílias, estudantes da escola, pais de alunos e vizinhos estão no local. A confeiteira Rosália Vieira de Melo, 39 anos, era amiga da coordenadora pedagógica Marilena Ferreira Umezo, 59 anos. “Éramos irmãs de igreja. Cheguei em Suzano em 1998 e pouco tempo depois já nos conhecemos na igreja. Ela era voluntária e trabalhava muito nos Encontros de Casais com Cristo com a gente. Era ministra da Eucaristia. Muito querida por todos nós. É uma grande perda, como profissional e também como voluntária”, relembrou.

O estudante Thales Medeiros, 20 anos, é um dos sobreviventes do atentado. Aluno do 3° ano do Ensino Médio, ele estava no refeitório quando os atiradores chegaram e se juntou ao grupo de pelo menos 50 pessoas que se esconderam na despensa da cozinha. Ele mora próximo ao estudante Claiton Antonio Ribeiro, 17 anos, e fez questão de abraçar a família do colega morto. “Ele sempre foi humilde, respeitador. Sempre na dele, nunca arrumou confusão”, descreveu.

Thales disse que a escola é conhecida por manter um clima tranquilo entre os estudantes. “É muito bom. É uma escola que é difícil ter confusão. Quando tem, a diretora, as tias, acalmam, apaziguam. É um clima muito bom, familiar mesmo. Eu mesmo já tive muito problema na escola, era bagunceiro, e agora estou mais tranquilo. A escola me ensinou isso”.

Sobre o retorno para a escola, Thales disse que sabe que será um momento de muita tristeza. “Mas temos que voltar. Fazer a alegria da escola como era antes. Aos poucos nós vamos retomando o nosso caminho”.

Já para a estudante Juliana Souza, 14 anos, a volta às aulas ainda não é uma certeza. Ela estuda no centro de línguas, que funciona na Escola Raul Brasil, há cerca de um mês. “Sempre foi uma escola ‘da hora’. Sempre quis mudar para lá, porque todo mundo se dá superbem. Ninguém esperava que isso fosse acontecer”, disse. Ela estava na sala de aula quando começaram os tiros. “Eu acho que ninguém vai querer mais voltar para lá. Foi um momento de desespero. Todo mundo em pânico. Isso vai ficar na cabeça. Quando saímos da sala, vimos eles [atiradores] mortos e também os outros alunos”, relembrou a jovem que foi ao velório acompanhada da mãe Cristina de Souza.

Também estiveram no velório o ministro da Educação, Ricardo Vélez, que cumprimentou as famílias e conversou com o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares da Silva, e com o prefeito de Suzano, Rodrigo Ashiuchi.

Foram velados no local os corpos dos estudantes Caio Oliveira, 15 anos; Claiton Antonio Ribeiro, 17 anos; Kaio Lucas Costa Limeira, 15 anos; e Samuel Melquiades, 16 anos, além da coordenadora pedagógica Marilena Ferreira Umezo, 59 anos, e da funcionária Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38 anos. O estudante Douglas Murilo Celestino, por motivos religiosos, está sendo velado em uma igreja da Assembleia de Deus.

Os atiradores Luiz Henrique de Castro, 25 anos, e Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos, não tiveram velório, segundo informação de parentes à imprensa.

Jorge Antonio de Moraes, 51 anos, dono da locadora de onde os atiradores roubaram o carro utilizado na ação, e tio do Guilherme, também está sendo velado em outro local.

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