Eleições: Abstenção de 68,6% é a mais alta de sempre, votantes no estrangeiro duplicou

Da Redação
Com Lusa

As eleições para o Parlamento Europeu registraram neste domingo a taxa de abstenção mais elevada de sempre em Portugal, de 68,6%, mas o número de votantes foi superior em cerca de 30 mil.

De acordo com os dados disponíveis no `site´ da Direção-Geral da Administração Interna (DGAI), quando faltavam apurar duas freguesias e atribuir seis mandatos, a taxa de participação ficou nos 31,36%, situando-se a taxa de abstenção em 68,6%, ultrapassando a taxa registada em 2014, de 66,2%.

Contudo, em termos absolutos, o número de votantes será maior do que em 2014, com mais cerca de 30 mil eleitores a votar nas europeias de domingo, de acordo com os dados apurados pela DGAI, cerca das 00:50 de hoje.

Nas presentes eleições, do total de eleitores inscritos, 1.431.825 são cidadãos recenseados fora do território nacional, representando 13,3%.

Nas eleições de 2014, a percentagem de eleitores registados fora do território nacional era apenas de 2,5%.

A taxa de abstenção de 68,6% nas eleições de domingo é a mais alta de sempre em eleições em Portugal, ultrapassando a registada nas europeias de 2014 – que já tinha sido a mais elevada – e até a verificada no referendo à Interrupção Voluntária da Gravidez, em 1998, em que a abstenção foi de 68,1%.

Este ano, na sequência do recenseamento automático, o universo eleitoral era de 10.761.156 eleitores, quando nas anteriores eleições para o Parlamento Europeu, em maio de 2014, eram 9.696.481.

Nas eleições europeias de 1994, 64,46% dos eleitores optaram por não votar. No ato eleitoral de 2009, o valor ficou nos 63,1%.

No anterior ato eleitoral para o Parlamento Europeu, em 2009, 63,14% dos eleitores não foram votar, confirmando que as europeias são as eleições que habitualmente suscitam menos interesse por parte dos portugueses.

Nas primeiras europeias, em 1987, um ano depois da adesão de Portugal à então Comunidade Econômica Europeia (CEE), a participação foi maior, com apenas 27,8% dos eleitores a não exercer o direito de voto.

Dois anos depois, a abstenção subiu para os 48,8%, em 1999 chegou aos 60% e em 2004 foi de 61,3%.

Estrangeiro

Segundo o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, o número de portugueses votantes no estrangeiro mais do que duplicou, passando dos 5.100 em 2014 para os 12 mil este ano.

“Nós tivemos, nas últimas eleições, uma participação eleitoral de cerca de 5.100 votantes. Neste momento estamos com uma votação já na ordem dos 12.000 votantes” no sufrágio que vai escolher os eurodeputados portugueses que vão exercer o mandato no Parlamento Europeu, afirmou José Luís Carneiro, classificando este aumento como “muito positivo”.

“Neste momento, os dados que temos – que ainda não são dados definitivos – apontam para um crescimento na ordem dos 140% relativamente às eleições europeias de 2014”, destacou, apontando que “houve países e secções de voto em que o crescimento foi quatro a cinco vezes superior à participação eleitoral de há cinco anos”.

José Luís Carneiro relevou que “raras são as seções de voto em que a votação não tenha duplicado, triplicado e, por vezes, quadruplicado, e isso é muito significativo”, tendo em conta que “este voto é presencial e haver países em que os portugueses se deslocam várias centenas de quilômetros, dezenas de quilômetros para poderem participar nos atos eleitorais”.

De acordo com o governante, o número de portugueses recenseados no estrangeiro também cresceu, para os “1.431.000 [de cidadãos] recenseados no estrangeiro” com o recenseamento automático.

“Claro que a abstenção é muito significativa mas, como sempre afirmei, o mais importante na noite das eleições é avaliar o número daqueles que, pela primeira vez, tiveram condições para participar nos atos eleitorais do seu país”, advogou.

Ainda assim, o secretário de Estado das comunidades notou que “estes resultados ilustram que o esforço que foi desenvolvido para garantir o recenseamento automático teve já uma primeira expressão cívica no modo como cresceu a participação eleitoral dos portugueses” e assinalou que este momento “marca uma viragem histórica nas condições de participação dos portugueses”.

O responsável elencou que, a par do recenseamento automático, também “o reforço das secções de voto em mais de 20% criou melhores e maiores condições para garantir a participação dos portugueses no estrangeiro nestas eleições”.

“Temos todas as condições para, com esse passo decisivo que foi dado com as alterações às leis eleitorais, os portugueses possam, cada vez mais, sentir-se mais vinculados cívica e politicamente a Portugal”, vincou.

Para as eleições legislativas que se disputam a 06 de outubro, a convicção de José Luís Carneiro é de que a participação da diáspora “venha a ser ainda muito maior”.

O secretário de Estado salientou que “há todas as condições para que isso possa ocorrer porque, nas eleições legislativas, há duas modalidades de voto”.

Além da opção de votar presencialmente nos postos consolares e diplomáticos, os emigrantes poderão escolher votar por correspondência, disse o governante, explicando que estes cidadãos “recebem o envelope com o boletim de voto e agora o porte é pago, ou seja, não têm de fazer quaisquer esforços nem de natureza financeira, nem a deslocação aos postos consolares”.

“Naturalmente que esta facilidade e esta agilidade na votação para a Assembleia da República, do meu ponto de vista, vai levar a que a participação venha a crescer de forma significativa nas eleições legislativas”, referiu, acrescentando que “se se verificar o mesmo cenário nas eleições legislativas, será um cenário muito positivo para a democracia portuguesa”.

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