Crise Financeira: Portugal afasta cenário de recessão

Portugal anunciou um pacote de 20 bilhões. Governo já declarou que vai crescer menos em 2009 do que em 2008, mas ministro das Finanças afasta cenário de recessão no país.

Mundo Lusíada Com agencias

Inácio Rosa/Lusa Portugal

>> O Secretário-Geral do Partido Socialista, José Sócrates durante um plenário de militantes da FAUL – Federação da Área Urbana de Lisboa sobre o "Orçamento do Estado 2009", 18 de Outubro de 2008, no Palácio Marqueses da Praia, Loures.

Diante da crise financeira mundial, o governo português anunciou um pacote de 20 bilhões de euros em ajuda à economia nacional. Segundo o ministro luso das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, a fim de “reforçar nosso sistema financeiro, o governo decidiu liberar uma garantia inicial para as operações financeiras das instituições de crédito com sede em Portugal”.

Justificando a medida, o ministro disse que “nos mercados interbancários nacionais e internacionais, os financiamentos foram fortemente reduzidos”, e portanto a medida facilitará o acesso dos bancos à liquidez. “Basicamente, a garantia significa que, se uma instituição bancária é incapaz de cumprir seus compromissos, o Estado assume a responsabilidade”, explicou.

Mas o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, deixou claro que o pacote de 20 bilhões não é “para ajudar bancos”. “O que nós fizemos não foi para ajudar os bancos, foi assegurar que existe dinheiro nos bancos para servir a nossa economia e as famílias”, afirmou Sócrates, em resposta às críticas do PCP e Bloco de Esquerda que acusaram o governo de querer ajudar os bancos, no "maior pacote financeiro da história".

Crescimento BaixoO ministro das Finanças admitiu que Portugal deverá crescer menos em 2009 do que em 2008, mas afastou o cenário de recessão econômica em Portugal. Durante a “Grande Entrevista” da RTP, Teixeira dos Santos afirmou não ter conhecimento de qualquer instituição financeira portuguesa que esteja com problemas de solvabilidade. ”De 2008 para 2009 nós prevemos uma desaceleração econômica em quase todas as componentes da procura da nossa economia, do consumo, do investimento e da exportação”, revelou.

Sobre as previsões do FMI, que novamente foram revistas para baixo prevendo um crescimento de 0,1% contra os 0,6% divulgados pelo governo português – inferior ao da zona euro e acima da Espanha, principal parceiro comercial luso – Teixeira dos Santos afirmou que ambos números são positivos. “Isso quer dizer que não vamos estar em recessão”, disse. “Nós vamos crescer menos, não é importante estarmos aqui a discutir os números”.

No geral, o FMI prevê que as economias mais avançadas apresentem crescimentos praticamente nulos em 2009, com a zona do euro crescendo 0,2%, ao ritmo mais baixo desde a sua criação. As economias avançadas devem estar próximas ou em recessão na segunda metade de 2008 e início de 2009, divulgou o órgão, defendendo uma recuperação só a partir da segunda metade do próximo ano.

Em 09 de outubro, o comissário europeu dos Assuntos Econômicos Joaquin Almunia havia declarado, em Madrid, que o cenário mais provável é que a Europa e os Estados Unidos entrassem simultaneamente em recessão. “Quando necessário, temos de recapitalizar bancos, usar planos de resgate e pedir aos bancos centrais para que continuem a agir coordenadamente no âmbito da política monetária e da injeção de liquidez, para que o sistema volte a funcionar”, afirmou.

O dólar despencou quase 7% na semana em que foram feitos anúncios de uma série de medidas financeiras em diversos países para tentar conter a crise global. A Grã-Bretanha anunciou a injeção de US$ 63 bilhões em três instituições. Na Alemanha, o plano deve alcançar 470 bilhões de euros. A França anunciou que no total vai disponibilizar 360 bilhões de euros para socorrer seus bancos, enquanto na Espanha o valor da ajuda será de 100 bilhões de euros.

Medidas e Respostas articuladasO ministro luso dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, afirmou que Portugal quer que a União Européia adote medidas concretas em articulação entre os diferentes Estados-membros. O governante adiantou que Portugal, durante a próxima cimeira européia, "tudo fará para que as medidas adotadas tenham no mínimo a possibilidade de se enquadrarem num conjunto de opções que o Conselho Europeu venha depois a assumir, na seqüência das recentes reuniões do Ecofin e do Conselho do Eurogrupo".

Os chefes de Estado e governo chegaram a um acordo para ampliar a garantia dos empréstimos intra-bancários e a recapitalização, se necessário, dos bancos. Foi anunciado também o consenso dos líderes europeus sobre a necessidade de refundar o sistema financeiro com bases mais transparentes, de modo a evitar a repetição do colapso, e da necessidade de uma cúpula internacional, em novembro se for possível, com a presença dos líderes das grandes economias, incluindo países emergentes, para debater a questão. Eles comprometeram-se ainda a reduzir em 20% as emissões de gases efeito estufa até 2020 e aumentar a cota de fontes renováveis em 20%, além de adotar formalmente o Pacto da Imigração.

Para o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, a atual crise demonstra a falência dos sistemas regulatórios das economias avançadas, incapazes de fixar regras para o gerenciamento de risco das maiores instituições financeiras privadas e de disciplinar o mercado. Strauss-Kahn ainda mandou um recado para os administradores públicos: não devem esquecer da “outra crise”, resultado da disparada nos preços mundiais dos alimentos e do petróleo.

Já o ministro das Minas e Energia do Brasil, Edison Lobão, informou que a “interconexão com Portugal não terá qualquer interferência por causa de crise”. Para o responsável, os projetos luso-brasileiros em curso no campo da energia vão ter mesmo o financiamento essencial. “Ou investimos na energia elétrica e produção de petróleo, ou o mundo sofrerá danos ainda maiores”, defendeu o brasileiro.

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