Com 90 casos de covid, Governo quer responsabilizar promotores de festa ilegal em Lagos

Foto Paulo Pimenta / Lusa

Da Redação
Com Lusa

A ministra da Justiça pediu nesta sexta-feira à Procuradoria-Geral da República a intervenção do Ministério Publico para a “instauração de ações indenizatórias contra os promotores” da festa ilegal em Odiáxere, no concelho de Lagos.

“A ministra da Justiça solicitou hoje à Procuradoria-Geral da República a intervenção do Ministério Publico para, em representação do Estado, instaurar ações indenizatórias contra os promotores do evento de Odiáxere, em Lagos, do qual resultou a infeção de mais de sete dezenas de pessoas, incluindo crianças”, lê-se numa nota enviada pelo Ministério Público.

A agência Lusa questionou a Procuradoria-Geral da República no sentido de saber se o Ministério Público vai abrir um inquérito para averiguar responsabilidades na organização da festa e se o promotor do evento já foi identificado pelas autoridades, mas não obteve resposta até ao momento.

As autoridades de saúde do Algarve já tinham manifestado, em conferência de imprensa realizada na terça-feira, a sua vontade em que fossem atribuídas responsabilidades aos organizadores do evento que já provocou 90 infetados.

O número de infectados com covid-19 relacionados com a festa ilegal em Lagos subiu para 90, casos que são maioritariamente de residentes no concelho, segundo a delegada regional de saúde do Algarve, em conferência de imprensa.

Segundo Ana Cristina Guerreiro, até ao momento “foram realizados 1.222 testes” em Lagos, numa média de 250 por dia, número que espera que diminua hoje, “com alguns a realizar-se ainda durante o fim de semana”.

A maioria dos casos positivos referem-se a pessoas residentes em Lagos, sendo que “nem todos estiverem na festa”, havendo já casos de infeção em familiares, sublinhou.

O foco de contágio teve origem numa festa de caráter ilegal ocorrida em 07 de junho, no salão de festas do clube desportivo de Odiáxere, em Lagos, alegadamente para festejar um aniversário.

Na festa participaram pessoas de diferentes concelhos e de várias nacionalidades, havendo infetados entre pessoas da mesma família, incluindo crianças e, também, entre colegas de trabalho.

O surto originado pela festa já provocou a suspensão de visitas aos utentes em 24 equipamentos sociais do barlavento (oeste) algarvio, num total de 13 estruturas – entre lares de idosos, unidades de cuidados continuados, lares de jovens e de saúde mental -, situadas em oito concelhos.

Isolamento

A ministra da Saúde descartou a possibilidade de uma cerca sanitária no Algarve, na sequência do surto de covid-19 em Lagos, referindo que não é esta medida que impede as pessoas de terem comportamentos de risco.

“Não está em causa um cerco sanitário. Não é um cerco sanitário que institui a racionalidade suficiente para as pessoas se absterem de comportamentos que põem em causa a sua própria saúde como das pessoas que lhe estão próximas”, afirmou a ministra da Saúde, Marta Temido, em resposta à agência Lusa, na conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia em Portugal.

Marta Temido considerou que o surto em Lagos, resultante de festa ilegal, poderia ter sido evitado, salientando que é uma situação que “penaliza enormemente” o país.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, referiu que estão identificados 90 casos positivos associados ao surto de Lagos, incluindo crianças com menos de 9 anos de idade.

“Uma atenção especial visto que os nossos atos não implicam apenas consequências na nossa saúde, como de outras pessoas”, realçou.

A responsável da Direção-Geral da Saúde (DGS) usou também o exemplo do Algarve para justificar que é necessário parcimônia e critério na permissão de ajuntamentos e convívios, quando questionada sobre a reabertura de bares e discotecas.

“A DGS está muito sensível que a economia funcione, mas temos que ter a situação epidemiológica controlada”, disse, sem avançar com medidas ou datas para este setor, apenas salientando que não será possível “fazer festas” como se faziam antes da epidemia.

Em Portugal, morreram 1.527 pessoas das 38.464 confirmadas como infectadas, de acordo com o boletim mais recente da DGS.

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