Colunista critica esquerda de Portugal durante a campanha eleitoral no Brasil

Protesto de brasileiros em Lisboa. Foto Mundo Lusíada

Mundo Lusíada

Destoando das análises da grande imprensa portuguesa nos últimos dias de campanha para eleição presidencial no Brasil, o portal Observador trouxe nesta manhã um artigo assinado pelo cientista político e colunista João Marques de Almeida, a propósito da eleição de Jair Bolsonaro.

Segundo ele, o comportamento das esquerdas em Portugal durante a campanha eleitoral no Brasil “foi das manifestações mais estúpidas e mais tontas que alguma vez assisti (e já vi muita estupidez na minha vida). Pelo que se viu, as esquerdas em Portugal continuam a pensar como se estivessem na década de 70 do século passado. Quando percebem que o candidato de esquerda vai perder uma eleição, resta-lhes um argumento: o candidato de direita é fascista”.

O autor chama atenção para a falta de análises em Portugal dos problemas econômicos e sociais do Brasil, passando pela grave situação da segurança pública, o legado dos últimos 13 anos de governos do PT, marcados pela corrupção, não percebendo que “o tema central da campanha brasileira foi a rejeição do PT e de Lula”, ex-presidente e líder do partido que cumpre pena em Curitiba por corrupção.

“As esquerdas não têm a humildade para estudar e aprender o que se passa no Brasil. Vivem na arrogância cega das suas ideologias e dos seus dogmas” ataca Almeida.

Segundo ele, a esquerda no país já definiu como fascista nomes como Sá Carneiro, Cavaco Silva, Passos Coelho, Paulo Portas, Marcelo Rebelo de Sousa e até Freitas do Amaral, defendendo que políticos da esquerda banalizaram o termo, muito utilizado nestas eleições brasileiras, e comparando a situação no Brasil em Portugal.

“Obviamente, as esquerdas aproveitaram as eleições brasileiras e os ataques a Bolsonaro para condicionar e assustar as direitas portuguesas. Infelizmente, algumas figuras das nossas direitas assustaram-se” disse. “Seria muito importante que os partidos portugueses, especialmente o PS, percebessem que em democracia ninguém é dono do regime. O povo é mesmo quem mais ordena, como mostraram os brasileiros” comenta, fazendo ainda uma referência ao Brasil não ter dono, uma crítica ao comportamento do PT e Lula no país na última década.

Ao final, diz que convém os dirigentes sociais democratas entenderem a lição brasileira. “Quando o eleitorado de direita se sente abandonado e sem liderança política, fica exposto a líderes populistas e demagogos. A direita liberal e conservadora é a mais ameaçada pela direita populista e radical. Como se viu no Brasil, a solução não é o centrismo, mas sim a afirmação de uma direita liberal e conservadora sem vergonha e sem medo. Dito de um modo simples, o ‘PSD centrista de Rui Rio’ é vulnerável ao populismo de direita. O ‘PSD de direita de Passos Coelho’ é o maior travão ao aparecimento de Bolsonaros portugueses”.

“A obsessão com o fascismo fez das nossas esquerdas uma coleção de tontos. Mas se o PSD e o CDS não entenderem isto, nada percebem” conclui.

Também na noite desta segunda-feira, a procuradora Manuela Moura Guedes analisou o resultado das eleições brasileira na SIC TV. A comentarista criticou a cobertura “vergonhosa” dos meios de comunicação portugueses. “Portugal portou-se como se tivesse uma moralidade superior e tivesse que tutelar os brasileiros”.

Segundo ela, a “visão do politicamente correto” defendida pela “elite” e por “minorias” não corresponde com o que o povo brasileiro quer neste momento. “Os portugueses interferirem desta forma, numa coisa que não vivem, que não sabem o que é, foi estranho e acho que os brasileiros não devem ter gostado” comentou.

O assunto das eleições brasileiras repercutiu em grande parte da imprensa portuguesa de forma parcial, um comentário muitas vezes difundido entre elementos da comunidade portuguesa no Brasil. Os brasileiros também deixam muitos comentários críticos ao jornalismo português em matérias como do jornal Público ou RTP dentro do tema das eleições.


Jair Bolsonaro foi eleito presidente com 55% dos votos neste domingo, e foi vencedor também entre os eleitores brasileiros residentes em Lisboa.

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